17/05/2017 - Cientistas falam de suas pesquisas em bares de 22 cidades brasileiras

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Festival Pint of Science busca popularizar a ciência em 11 países

 

 

O pint (pronuncia-se paint) é uma medida – equivalente a cerca de 500 ml – tradicionalmente usada para se referir ao tamanho do copo em que a cerveja é servida em bares e pubs. No festival Pint of Science, que começou na última segunda (15) e termina esta quarta (17), copos de cerveja regam conversas sobre ciência em bares de 22 cidades brasileiras.

O festival começou na Inglaterra em 2013 com a ideia de aproximar os cientistas da sociedade. Hoje, o evento se expandiu pelo mundo e acontece simultaneamente em 11 países. No Brasil, único participante na América Latina, cientistas falam ao público sobre suas pesquisas em campos tão diversos quanto física quântica, alimentação infantil, nanotecnologia, big data, zika, buraco negro e poeira estelar.

Ao longo da noite, os bares funcionam normalmente e não é preciso pagar ingresso para entrar (o evento é todo feito por voluntários). “Mas, em vez de ter um show de rock, tem um palestrante falando sobre sua pesquisa”, diz o biólogo Luiz Gustavo de Almeida, coordenador do evento em São Paulo. Alguns bares têm mais de uma palestra por noite sobre temas não necessariamente relacionados. A programação completa está disponível no site.

Até a própria cerveja, sugerida no nome do festival, também será abordada de forma científica em palestras em Belo Horizonte e Botucatu. O consumo de álcool também vai aparecer na apresentação do cientista Wagner Ricardo Montor, professor de Bioquímica e Farmacologia da Faculdade de Ciências Medicas da Santa Casa de São Paulo. “Doutor, posso misturar esses remédios todos e tomar com cachaça?” é o nome da palestra que ele ministrará nesta quarta-feira em São Paulo.

“Acho que todo mundo que é da área da saúde é abordado por este tipo de pergunta, por familiares e amigos, principalmente em festas onde há bebidas alcoólicas e sempre tem alguém que está tomando algum remédio e quer saber se pode beber ou não.” De sua participação no evento em anos anteriores, ficou a mensagem de que, quando se explica de maneira leve e cuidadosa, o público é capaz de entender qualquer coisa.

 

Demanda adormecida

Esta é a terceira edição do Pint of Science no Brasil e, a cada ano, o número de cidades integrantes aumenta. Para a cientista Natalia Pasternak, coordenadora nacional do Pint of Science, a expansão do projeto atende a uma demanda que estava adormecida. “As pessoas querem saber sobre ciências e os cientistas querem falar para a população. Faltava só criar um canal que fosse eficaz e o evento conseguiu”, diz.

O fato de o evento acontecer em bares e restaurantes somado à informalidade da linguagem dos palestrantes faz com que o público leigo fique mais à vontade para se aproximar, segundo Natália.

Ela destaca a importância de um evento como esse em um momento em que informações falsas sobre tratamentos milagrosos ou teses sem comprovação científica ganham muita repercussão nas redes sociais. “A desinformação se propaga muito rápido e de forma muito fácil. As pessoas têm a tendência de acreditar na primeira coisa que leem. Esse tipo de evento traz uma referência para o público, pois promove o contato com cientistas que podem ser fontes de informação confiável.”

Natalia também observa que esse contato mais próximo com a ciência pode ser importante para instigar na sociedade um interesse maior pela discussão do financiamento da ciência no país. “Quando há um corte de 44% do orçamento da ciência e a sociedade nem pisca, é porque a sociedade não sabe da importância da ciência.”

 

Veja as cidades participantes:

Araraquara

Belo Horizonte

Blumenal

Botucatu

Brasília

Campinas

Curitiba

Dourados

Florianópolis

Goiânia

Natal

Piracicaba

Porto Alegre

Ribeirão Preto

Rio de Janeiro

Salvador

Santos

São Caetano do Sul

São Carlos

São Paulo

Sorocaba

Teresina

 

Fonte: G1