11/06/12 - Custo de ponto pode fazer franchising perder até 4 mil negócios em 2012

 

O alto custo dos pontos comerciais em shoppings, principalmente no sudeste, é o maior gargalo do mercado de franquias no Brasil. O diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo, estima que entre 3.500 e 4 mil negócios pontos de franquias podem deixar de abrir este ano por conta do obstáculo.

"Os números poderiam ser melhores, poderíamos ter aberto 10 mil pontos ano passado", disse Camargo. Em 2011, o número de unidades (franqueadas e próprias) em operação no País chegou a 93.098, quase 7 mil a mais do que em 2010. O presidente do Grupo Cherto, Marcelo Cherto, concorda: "O altíssimo custo de pontos comerciais é um gargalo muito sério. Os shoppings centers, principalmente no eixo Rio-São Paulo, estão cobrando valores que impossibilitam a abertura de novos negócios".

O executivo explicou ainda que os modelos de negócios estão sendo adaptados para a realidade da concentração de investimentos em determinados locais, o que eleva muito o custo do ponto comercial. "As empresas começam a planejar modelos de negócios menores, para caberem em espaços menores e buscam pontos alternativos, que possam ser instalados em hotéis, hospitais, outros lugares. Algumas redes poderiam estar crescendo muito mais (não fosse o custo do ponto comercial)", disse Cherto.

A dificuldade de achar pontos para locação nos grandes centros estimula o fenômeno atualmente vivido pelo mercado de franquias, da expansão das redes para o interior dos estados. "Hoje o crescimento em direção a outras cidades começa a avançar mais fortemente", disse Ricardo Camargo.

Aumento da capilaridade

 

O Grupo Imaginarium é um dos que está se adaptando a esta realidade, com o projeto de franquias menores, chamadas compact, de lojas de até 35 metros quadrados. "Isso significa realmente abrir o mercado. Quando você diminui o valor da loja e o investimento inicial possibilita que novas lojas sejam abertas em cidades menores, em shoppings menores", disse o diretor executivo do grupo, Carlos Zilli, que completou: "Nós estamos muito bem distribuídos nas cidades grandes. A tendência agora é entrar em cidades e shoppings que nós não estávamos, promover um aumento de capilaridade". O projeto compact das lojas Imaginarium tem custo entre 25% e 30% inferior ao da chamada loja master.

A rede de fast food mexicana, Soft Tacos, também vê como um entrave para sua chegada ao sudeste o alto custo do ponto comercial. Com a maior parte das lojas no Paraná, a expectativa da rede é de que o sudeste seja o próximo alvo de sua expansão, principalmente o interior dos Estados. "A gente já vendeu uma franquia para Piracicaba, no interior de São Paulo, e temos uma política hoje de que se o custo de locação no shopping for muito alto, nós não entramos", explicou o proprietário da rede, Dílson Silva.

 

Fonte: Estadão