07/04/2017 - Bares e restaurantes que funcionam há décadas em BH dão a receita da longevidade

CLIPPING - NOTÍCIAS DOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DO PAÍS

 

Agradar ao cliente e 'olho do dono' são os principais ingredientes

 

 

Tudo começou há 30 anos, quando o marroquino Paco Pigalle chegou a Belo Horizonte. Em 1989, ele inaugurava seu primeiro bar, que funcionava na Rua Timbiras, no Bairro Funcionários, atrás do Colégio Arnaldo. De lá pra cá, o estabelecimento batizado com o nome do dono ocupou 15 endereços diferentes na cidade. Desde 2000, funciona na Avenida do Contorno, na Floresta.

“A ideia sempre foi ser itinerante, a gente queria essa coisa nômade. Todos os anos, mudávamos de lugar para dar outra cara ao Paco, mas sem perder a essência. A partir de 2000, quando houve o incêndio no extinto Canecão Mineiro e ficou mais complicado conseguir alvará, a gente acabou adotando sede mais fixa”, explica o produtor cultural e empresário Paco Pigalle.

O bar do marroquino é um dos heróis da resistência da noite de BH. Passa ano e entra ano, ele continua firme e forte, mesmo que o público não seja o mesmo. “Casa noturna não tem muito segredo. A cerveja é a mesma, a proposta é parecida, mas o que faz a diferença é a música. Sempre fizemos questão de apresentar os mais variados gêneros de todos os cantos do mundo. Quem frequenta o Paco Pigalle sabe: não vai ouvir nem a música da moda e nem o sucesso no rádio. O repertório é exclusivo. A gente busca canções em vários países: Cuba, França, Itália e Marrocos, por exemplo. Fazemos uma pesquisa própria”, destaca.

 

PIGALLESSAURO

Para lembrar as origens e agradar aos primeiros clientes, o produtor vai lançar, no início de maio, o Pigallessauro, voltado para quem frequentava a casa em seus primórdios. “Ao longo do tempo, a pista de dança invadiu o espaço, que virou um dancing bar. Algumas coisas do início, como os petiscos, ficaram de lado. Com o novo bar, que vai funcionar aqui na Avenida do Contorno mesmo, a gente quer atrair os nossos primeiros frequentadores. Eles estão na faixa dos 50 anos, não têm paciência de ficar em pé, não gostam de muito barulho e querem degustar pratos e tira gostos das cozinhas marroquina, indiana e peruana”, revela.

 

Paco diz que os estabelecimentos duradouros de BH passaram a receber filhos e até netos dos clientes pioneiros. É o caso do Tip Top. Um dos bares mais antigos da cidade, ele foi fundado em 1929 pela tcheca Paula Huven e seu marido, o romeno Adolfo Huven. Inicialmente, funcionava como mercearia, no Centro (Rua Espírito Santo, quase esquina com Avenida Afonso Pena), vendendo de tudo um pouco.

Depois de passar 42 anos naquele local, o Tip Top se mudou para a Rua Rio de Janeiro, entre Avenida Bias Fortes e Rua Gonçalves Dias, em Lourdes. Atualmente, é administrado pelas sócias Cleusa Silva e Ludmila Carneiro. “O nome Tip Top foi inspirado numa gíria muito usada na Europa dos anos 1920 e 1930, que significa tudo bem, tudo certo. Esse clima sempre norteou a casa. Além de sermos bar e restaurante, organizamos eventos na época do carnaval, festas juninas e aniversários. O fim de semana aqui bomba”, conta Cleusa.

A fiel turma que frequenta o Tip Top foi ampliada com a chegada dos clientes novatos. “Acontece muito de a avó vir com os filhos e netos. É um lugar muito tradicional, temos profissionais que estão aqui há anos, conhecem todo mundo”, comenta Cleusa Silva.

 

BODAS DE PRATA

Felipe Marreco, um dos sócios do Bar Major Lock, no Bairro São Pedro, acredita que o belo-horizontino costuma resistir às novidades. Talvez isso explique por que muitas casas abrem e acabam fechando depois de um curto período, pondera.

“Todo mundo gosta de receber tratamento mais pessoal, um cuidado maior, uma confiança. BH é uma cidade difícil de você se manter, mas quem trabalha duro, sabe fazer direito e procura se reinventar acaba resistindo. Não dá pra ficar na zona de conforto”, defende.

O bar vai completar 25 anos em 2017. Para celebrar a data, uma grande festa está planejada para julho, na casa de shows Hangar 677, no Bairro Olhos d’Água.

 

JOGOS

Quem também está comemorando bodas de prata é o Soho Orbi, que fica na Rua Tomé de Souza, no Funcionários. Assim que voltou de uma temporada de Nova York, o bailarino Fabio Ferreira Pinto criou um espaço que homenageava o famoso bairro nova-iorquino. “No começo, não tinha muito movimento e alguns amigos trouxeram jogos. Começamos a virar um lugar para as pessoas jogarem. Passei a comprar jogos também. Não foi intencional, mas o Soho acabou conhecido como o bar onde você pode disputar jogos de tabuleiro”, relembra.

Outro diferencial é a famosa “montanha” de batatas fritas, com vários temperos. “Queria um prato grande, que tivesse muita coisa e chegasse a despencar. Foi assim que a ideia surgiu”, conta Fabio. Aliás, às quintas-feiras, tem degustação de batatas fritas (chips e palito) e assadas, com direito a refil de refrigerantes e jogos liberados. O pacote custa R$ 38. “Deu certo porque me dedico muito. Estou aqui todos os dias. É como aquele ditado: o olho do dono engorda o gado”, diz o sócio do Soho.

 

Fonte: Portal Uai

 

LEIA MAIS:

+ Festival Brasil Sabor é lançado em MG e GO

+ Praça de Belo Horizonte começa a ter trânsito fechado aos domingos para lazer