03/04/2017 - Cardápio refeito

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De acordo com a Abrasel, crise faz com que negócios saiam mais produtivos

 

 

Os negócios de alimentação continuam a crescer, mas não passaram incólumes pela crise. O mercado de food service (alimentação fora do lar) avançou 3% em 2016, alcançando um faturamento de R$ 184 bilhões, ante R$ 178 bilhões em 2015. O aumento nominal nas vendas foi acompanhado por uma queda de 4% na quantidade de transações, segundo o Instituto Foodservice Brasil (IFB), que reúne 38 empresas da cadeia de fabricantes, prestadores de serviços e operadores. "O crescimento foi sustentado pelo aumento no tíquete médio, de 8%, no mesmo período", afirma Alexandre Guerra, presidente do IFB.

Mesmo com o recuo no número de transações, a quantidade de consumidores que frequenta os restaurantes não sofreu alterações, diz Guerra. O que caiu foi a quantidade de vezes que as pessoas passaram a consumir. "Quem pagava almoço e lanche da tarde, passou a bancar apenas o almoço."

Para reverter esse quadro, que pode ganhar contornos ainda mais delicados com os desdobramentos da Operação Carne Fraca, especialistas afirmam que os empreendedores do setor devem inovar nos cardápios e serviços, além de oferecer um melhor custo-benefício para os clientes na hora de quitar a comanda.

"Nesse segmento, o preço é importante, mas deve vir com qualidade", diz. A busca por uma maior produtividade também inclui investimentos no treinamento das equipes. "O consumidor está cada vez mais exigente e tem muitas outras opções."

Pesquisa da consultoria GS&MD Gouvêa de Souza para o IFB indica que a quantidade de refeições com três pagantes ou mais em um mesmo grupo diminuiu 20% em 2016, ante 2015. Já o volume de reuniões em restaurantes com crianças minguou 16%, no mesmo período. "Os números mostram como os brasileiros estão se adaptando ao cenário econômico desafiador nesses dois últimos anos."

Com a recessão, Guerra diz que todos os tipos de negócios ligados à alimentação foram afetados, de maneiras distintas. "Os consumidores continuaram a ir a estabelecimentos em momentos do dia que ainda são referência, como as padarias pela manhã ou os restaurantes por quilo no almoço, mas diminuíram a frequência das visitas em outros horários, como padarias na parte da tarde ou restaurantes à noite."

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que representa um milhão de empresas, diz que o contingente de companhias que operam com prejuízo continuou em escalada no ano passado e atingiu um ápice histórico, de 39% do total, no terceiro trimestre de 2016. "A boa notícia é que um conjunto maior de firmas, 28% em 2016, ante 25% do total em 2015, está conseguindo melhorar a rentabilidade, migrando do saldo negativo para o positivo."

Para Solmucci, esse sopro de melhora vem de ganhos de gestão. Os negócios estão saindo mais produtivos da crise do que quando entraram nela, diz. Levantamento da Abrasel mostra que, em 2016, bares e restaurantes tiveram crescimento nominal de 3,4% em comparação a perdas reais de 3,7%, em comparação ao ano anterior. "A recessão demorou quase um ano para atingir o setor, mas foi a mais intensa que já vivemos."

Como consequência, os empresários montaram operações mais enxutas, com serviços menos complexos, e fixaram preços que cabem no bolso das famílias. "A busca de valores praticados para cada classe de consumo é um desafio importante para quem quer empreender no ramo."

Segundo pesquisa da Abrasel, os estabelecimentos mais impactados pela crise, no último ano, foram os com tíquete médio entre R$ 25 e R$ 70, que apresentaram queda de faturamento de até 30%. "Muitos clientes, ao invés de deixarem de ir a bares e restaurantes, passaram a frequentar estabelecimentos com tíquete médio menor", diz Solmucci.

Guilherme Afif Domingos, presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), afirma que um estudo anual feito pela entidade sobre os negócios mais promissores do país destaca os serviços de alimentação entre os mais lembrados pelos empreendedores. "A população continua crescendo e, mesmo em tempos de crise, não deixa de consumir nessa área", diz. "Há busca de alternativas mais baratas."

 

Fonte: Valor Econômico. Para ler a notícia na íntegra, acesse o site.