08/06/12 - 39% dos restaurantes têm seguranças ilegais

 

Para combater os assaltos, comerciantes se previnem com agentes particulares, que não podem usar armas

Somente neste ano, assaltantes realizaram arrastões relâmpago em ao menos 14 restaurantes de bairros tradicionais da capital. Desde o início de junho, crimes desse tipo já ocorreram quatro vezes. Essa onda de crimes vem deixando tanto os donos de estabelecimentos quanto quem gosta de sair para comer em alerta.

Os comerciantes tentam se prevenir com mais câmeras de vigilância, iluminação e seguranças particulares, que não andam armados. Mas o Seevissp (sindicato de vigilantes de São Paulo) diz que 39% dos 12,5 mil restaurantes, 15 mil bares e 190 casas noturnas da capital contratam profissionais não regulamentados para tomar conta do local, o que pode trazer mais problemas na hora de um roubo. Enquanto isso, a polícia afirma que os clientes devem escolher melhor os locais que frequentam e depois volta atrás e diz que não culpa a população por esse tipo de situação.

Na maioria dos casos, as ações levam menos de três minutos. “Estamos bastante preocupados em estancar esse problema. O que nós solicitamos ao governador, à Secretaria da Segurança Pública e à Polícia Militar é que investiguem o mais rápido possível esses arrastões”, diz o presidente da Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo), Joaquim Saraiva de Almeida.

No início da semana, o tenente-coronel João Luiz Campos, comandante do 7 Batalhão da PM, responsável por Higienópolis, onde dois arrastões ocorreram na mesma semana (leia mais ao lado) declarou ao jornal “O Estado de S. Paulo” que os clientes dos restaurantes precisariam saber escolher melhor os estabelecimentos que frequentavam levando em conta a segurança do local, além da higiene e da qualidade da comida.

O presidente da Abrasel-SP contesta a afirmação do comandante dizendo que, desde que a onda de arrastões aumentou, na metade de abril, os donos de restaurantes e bares começaram a tomar medidas para aumentar a segurança de seu negócios. “Estamos dando nossa contribuição, mas temos nossas limitações.”

Já a PM informou que seu posicionamento oficial também contesta o tenente-coronel. Em nota ela afirmou que “não considera que a população, vítima dos roubos e da violência cometida por parte dos infratores da lei, seja culpada de forma direta ou indireta pelos crimes ocorridos em estabelecimentos comerciais e restaurantes”. A instituição também disse que “reforçou o patrulhamento nas áreas com maior concentração de restaurantes.”

 

ESTÍMULO AO CARTÃO

O comerciante Valter Taverna, de 78 anos, que tem quatro restaurantes na região da Bela Vista, no Centro, afirma que passou a tomar mais cuidado após o aumento dos arrastões. “Eles entram rapidamente, ameaçam e apavoram todo mundo. Passamos a incentivar mais o uso de cartões de débito e vale-refeição”, conta o comerciante que passou a usar três cadeados na porta de cada restaurante para evitar também furtos, dos quais foi vítima duas vezes nos últimos 40 dias.

No mesmo bairro, na Rua 13 de Maio, outros estabelecimentos, liderados pela confeitaria Basilicata, estudam contratar segurança privada em conjunto, segundo a Rádio CBN. Empresários de estabelecimentos da Rua Avanhandava, também no Centro, já contrataram mais seguranças para monitorar a via.

 

Entrevista

Joaquim Saraiva de Almeida, presidente da Abrasel-SP

‘Responsabilidade de evitar crimes é do estado’

 

Como a Abrasel-SP vê os casos recorrentes de arrastões em restaurantes de São Paulo?

Estamos preocupados em estancar esse problema. O que nós estamos solicitando ao senhor governador, ao secretário da Segurança Pública e à PM para que investiguem o mais rápido possível esses arrastões. Eles estão investigando, inclusive analisando as câmaras dos três últimos casos para ver se é a mesma quadrilha que está agindo. Nós esperamos que rapidamente eles consigam prender estes marginais.

O senhor acredita que os restaurantes estão mais vulneráveis?

É uma coisa complicada. Não se trata nem só do restaurante, mas da cidade com um todo, porque da mesma forma que acontece em restaurantes, acontece em farmácias, supermercados.

O que o senhor acha da declaração tenente-coronel João Luiz Campos, comandante do 7 Batalhão da PM, de que os clientes precisam escolher melhor os estabelecimentos que frequentam?

A responsabilidade de evitar crimes é da Segurança Pública estadual. Inclusive seguranças que contratamos não podem ficar armados e nem possuem um treinamento eficaz para poder atuar nesse sentido.

 

RECOMENDAÇÕES PARA PREVENÇÃO

 

Banheiros são os melhores lugares para instalar alarmes

Ter mais de um cofre

Manter a frente e os fundos do comércio bem iluminados

Instalar equipamentos de segurança

Escolher locais estratégicos para os caixas

Tentar lembrar das feições dos bandidos

Estabelecer códigos entre os funcionários

Ficar atento ao contratar pessoas para serviços

Nunca reagir contra o bandido

Proibir a entrada de pessoas usando capacetes

Não portar armas, pois aumenta o risco

Registrar sempre o boletim de ocorrência

 

Fonte: Diário de São Paulo