27/03/2017 - Casos de sucesso: Jabuti Bar

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O bar de Curitiba aproveita, com engenho e arte, a nova norma do recuo, criando um ambiente confortável, livre do vento e do frio

 

 

Quem visita hoje o Jabuti Bar, em Curitiba, para saborear o famoso filé mignon ao molho escuro com mix de cogumelos servido pela casa, se acomoda em uma mesa posta na calçada. A estrutura, porém, em nada lembra os improvisos que estabelecimentos de diversas cidades precisam fazer para acomodar bem os clientes. Na capital paranaense, o uso de recuo e da calçada em bares e restaurantes é regulamentado desde maio de 2016. A aprovação, fruto do diálogo da Abrasel com o poder público municipal, resultou, no Jabuti Bar, em um aumento de 30% de clientes no período do rigoroso inverno curitibano. “Isso tudo ainda em uma época de grande crise”, frisa o proprietário Marcelo Toshio.

Antes da regulamentação, a área já era usada, porém sem a infraestrutura adequada. “A prefeitura apenas ‘tolerava’ o uso do recuo. Achávamos este termo bastante indefinido e vivíamos com receio da fiscalização, geralmente arbitrária”, lembra Toshio. Após a aprovação, toldos e janelas foram construídos e o piso, antes desnivelado, foi corrigido. A reforma do espaço custou aproximadamente 50 mil reais, investimento agora reavido com o aumento de clientela.

 

 

Encarando a crise

Como praticamente todo estabelecimento de alimentação fora do lar no Brasil, o Jabuti Bar também foi afetado pela crise, mais precisamente nas finanças do estabelecimento: os sócios tiveram que se desdobrar para que o reajuste nos preços dos insumos não chegasse ao consumidor. “Diminuímos a margem de lucro, mas mantivemos o movimento de clientes, o que neste panorama econômico, pode ser considerado uma vitória”, celebra Toshio. O preço da cerveja, por exemplo, continua o mesmo.

Para tomar tal decisão, que fez com que o bar se destacasse entre a concorrência, Toshio diz que o conhecimento de cada detalhe do negócio foi essencial. Desde a saúde financeira até a equipe de garçons, passando pelo diálogo com os fornecedores. “O Jabuti começou também com nossas esposas. Nossa proximidade com todos os aspectos do estabelecimento é um diferencial. Ainda hoje, todas as noites, ou eu ou Sidney ficamos aqui por todo o expediente”. A escolha de investir na infraestrutura da calçada para os clientes é também uma estratégia. A temperatura média em Curitiba, no auge do inverno, é de 12ºC, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) - um clima frio para os padrões brasileiros. “Antes da regulamentação, apenas uma cortina tampava os clientes do frio que corta a cidade. Acomodar bem nossos clientes é também uma medida necessária para termos rentabilidade”, diz Toshio.

 

O que diz a regulamentação

Aprovada no primeiro semestre de 2016, pelo então prefeito Gustavo Fruet (PDT), a lei autoriza o uso cumulativo do recuo frontal e da calçada em frente a bares, restaurantes, lanchonetes e similares. O Poder Executivo é quem regulamenta, em cada cidade, o uso do recuo e da calçada por parte dos estabelecimentos. Na prática, a regulamentação amplia a possibilidade de uso da calçada. Assim, o estabelecimento que é autorizado a colocar mesas, cadeiras e toldos no recuo frontal pode, também, usar o passeio público em frente ao comércio cumulativamente.

Para utilizar a calçada é preciso autorização da Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU) e o pagamento de taxa que varia conforme a localização do imóvel e a metragem ocupada. É proibido obstruir a passagem de pedestres ou prejudicar a acessibilidade, o que deve ser mantido mesmo com a ampliação do espaço.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 114. A matéria na íntegra está disponível na versão impressa.

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