22/02/2017 - Pesquisa de conjuntura econômica põe setor em alerta para este ano

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Ajuste no mercado deixa mais distantes empresas que encontraram uma nova equação de preços daquelas que continuam com custos maiores que receitas

 

O Bendita Tapioca reduziu pela metade seu quadro de funcionários e agora estuda abrir as portas somente à noite

 

Dos 22 funcionários que Emiliana Lima mantinha em seu restaurante, o Bendita Tapioca, em Goiânia, apenas a metade continuou lá empregada em 2017. Os clientes também, segundo ela, caíram pela metade. Com a rentabilidade em queda, a empresária estuda inúmeras possibilidades para reverter este quadro, como, por exemplo, abrir as portas apenas no período noturno, mas confessa; por ora, não vê luz no fim do túnel. O número de empresas operando no vermelho e a redução no quadro de empregados é o retrato da mais dura crise vivenciada pelo setor.

Segundo a pesquisa de conjuntura econômica do setor de alimentação fora do lar, feita pela Abrasel em parceria com a Fispal Food Service, o contingente de empresas que estão operando com prejuízo continuou aumentando e atingiu seu ápice (39%) no terceiro trimestre de 2016. A boa notícia é que um conjunto maior de empresas - 28% contra 25% na edição anterior da pesquisa - está conseguindo melhorar sua rentabilidade. O ajuste no mercado vai deixando cada vez mais distantes aqueles que encontraram uma nova e favorável equação de preços X custos daqueles que continuam com custos maiores do que suas receitas.

Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, está cada vez mais claro que, de certa forma, a recuperação das empresas que encontram a rentabilidade é fruto da absorção da clientela de bares e restaurantes que fecharam as portas. “A melhoria de uns agrava o problema de outros. Fazendo uma analogia, podemos dizer que o bolo como um todo está diminuindo, não estamos dividindo o crescimento e sim tirando de uns para colocar em outros, infelizmente”, diz.

 

Produtividade

“O fato é que a crise impôs um novo patamar de produtividade, de produzir mais com menos”, avalia Solmucci. De acordo com ele, “o grupo de empresas que conseguiu fazer este ajuste uma maior velocidade e intensidade já está saindo mais rápido da crise, e até mesmo com menos sofrimento”.

O Jabuti Bar, em Curitiba, é um exemplo. Após mudanças na infraestrutura, o estabelecimento conseguiu um aumento de 30% no número de clientes no inverno paranaense, e fidelizou parte deste percentual ao longo do ano. A saída, segundo o sócio-proprietário Marcelo Toshio, foi reduzir a margem de lucro para que o preço ao consumidor final não fosse drasticamente afetado. Capacitação da equipe e negociações com diferentes fornecedores também estiveram em pauta no “choque de gestão” da casa.

 

Redução na equipe

A pesquisa mostra ainda que a incessante busca por ganhos de produtividade e a pressão gerada sobre as empresas que ainda apresentam resultados negativos fez com que 45% dos estabelecimentos reduzissem seu quadro de pessoal.

Foi o que fez o empresário paulistano Eduardo Temperini, afetado pela diminuição de estudantes na faculdade onde sua lanchonete, a Salgados Mané, está localizada. “Nossos três funcionários com carteira assinada tiveram que ser demitidos. Na crise, não dava continuar pagando os tributos necessários. Continuamos agora como uma empresa familiar trabalhando apenas eu e meu pai, o Mané, que batiza a lanchonete. Nossa solução é achar outro ponto de venda em uma faculdade diferente ou ir direto para o comércio de rua, correndo o risco de pagar um aluguel mais alto”, confessa.

Mesmo mudando de fornecedor, alterando a qualidade do produto e reduzindo o ticket-médio da lanchonete, tudo para não fechar o negócio da família, Temperini acredita que a crise é cíclica e diz ser um bom negócio o investimento do setor. “Quanto mais agitada a vida é, mais a pessoa vai comer na rua. É um cenário momentâneo da economia, vamos continuar e crescer”, diz.