19/01/2017 - Insegurança reduz movimento em 20% em estabelecimentos da cidade de Manaus

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O caos do sistema penitenciário, aliado à crise financeira, vem afastando frequentadores da noite manauara

 

Há duas semanas o clima de insegurança em Manaus - desde a fuga de 225 detentos do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), seguido do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) - tem deixado a população com medo até de sair de casa, afetando diretamente o movimento em lojas, bares e restaurantes de Manaus.

No Vieiralves, Zona Centro-Sul, onde se concentra um grande número de bares, a queda de frequentadores é evidente. Nos primeiros dias após o massacre, que aconteceu no domingo, dia 1°, alguns bares sequer abriram. Nas redes sociais, usuários se manifestam e dizem que preferem nem sair de casa para evitar assaltos.

A presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-AM), Lilian Guedes, diz que houve uma queda no movimento de pelo menos 20% nestas duas semanas. “A gente teve um impacto nas vendas, principalmente entre as casas noturnas. Além de ser um período fraco, onde muitas pessoas tiram férias, juntando com a crise financeira e a da segurança, piorou. O clima de rumores, as pessoas evitando sair de casa, tudo isso contribuiu. A gente anda na cidade agora e ela está deserta”.

Para ela, não é que os assaltos, roubos ou arrastões tenham aumentado, “o que aumentou foi a insegurança da população”.  “Os empresários sempre foram vítimas de assaltos, que sempre aconteceram, infelizmente. Só que, com esta agonia, a proporção foi maior e os clientes temem o aumento da criminalidade. Porém, vivemos essa violência diariamente, é rotina”, ressalta.

O setor de bares foi o mais afetado por conta da crise na segurança. “As pessoas estão com medo de sair de casa, sentar num barzinho aberto e ficar bebendo. A população precisa se sentir segura para ir pro meio da rua, para consumir, ir num happy hour ou jantar com a família. A gente espera que nos próximos dias a situação normalize”.

 

Apelo

Ainda de acordo com Lilian, não houve nenhuma anormalidade em relação aos assaltos em restaurantes e bares. No entanto, ela faz um apelo aos governantes. “Pedimos que o Estado faça o papel deles e atue. Nós, como empresários e empreendedores, fazemos o nosso. Pagamos impostos, geramos empregos e movimentamos a economia. Mas é preciso que estejamos seguros para exercer nosso trabalho”.

A Amazonastur também foi procurada para informar se o número de visitantes em Manaus também reduziu por conta da onda de insegurança, mas até o fechamento desta edição não enviou resposta.

 

Medo até mesmo de sair de casa

“Só vou sair quando eu sentir que está tudo bem”, disse a administradora de empresa Camila Souza, 26. Ela disse que está evitando ir para bares por medo de assaltos. “Nós já estamos vulneráveis naturalmente, imagina com essa onda de insegurança”, completou.

O agente de saúde Carlos Santos Oliveira, 28, também preferiu passar os dias em casa nas últimas semanas. Neste fim de semana, ele não foi para bares. “A gente não tem informação correta do que está acontecendo, então, sendo assim, prefiro ficar em casa”.

A princípio, o Comitê de Gerenciamento de Crise do Sistema Penitenciário do Amazonas havia informado que 184 presos fugiram. Porém, na última sexta-feira, em uma nova contagem, eles afirmaram que o número subiu para 225. Até a tarde de sexta-feira (13), 80 presos foram recapturados.

 

Repercussão nacional

Não são apenas os donos de bares e restaurantes que estão amargando prejuízos com a queda de até 20% no movimento: donos de pousadas e agentes de viagem também relatam que o interesse de turistas de outros estados caiu após o massacre e a fuga em massa.

 

Fonte: A Crítica