18/01/2017 - Chefs 'fogem' de baixos salários em restaurantes e migram para serviço personalizado

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Tendência fomenta a proliferação de catálogos online para promover cozinheiros profissionais

 

 

Há dez anos, a chef de cozinha Carla Falconi trabalha com atendimento personalizado na casa ou em eventos de clientes. Assim como uma taxa crescente de empreendedores do universo da gastronomia, ela fugiu da ideia de abrir o próprio restaurante ou mesmo trabalhar em uma cozinha tradicional para se tornar personal chef.

Restrito a pequenos nichos, porém, essse tipo de trabalho costumava ficar escondido em meio à grande oferta de profissionais, que dependiam basicamente do próprio círculo social para ampliarem a cartela de clientes. De olho nessa movimentação, empreendedores de primeira viagem têm apostado na criação de portais que concentrem esses profissionais, como se fossem vitrines. Por eles, é possível selecionar chefs, menus, datas e tipos de eventos e recebê-los em casa.

Carla aderiu ao movimento ao ser convidada para integrar a plataforma Welcome Chef. Com a adesão, ela conseguiu aumentar seus atendimentos personalizados de uma média de dois por mês para até seis.

"Ela (a plataforma) acabou elevando meu nome no mercado", comenta Carla. "Não é exatamente um marketing direto, mas dá visibilidade", explica. O portal oferece a possibilidade de intermediar a negociação entre cliente e chef, mas Carla prefere acompanhar tudo pessoalmente. "Desde a primeira conversa, procuro entender onde o cliente quer chegar", pontua Carla, que paga uma mensalidade de R$ 300 para ter seu perfil na plataforma.

A ideia de investir na Welcome Chef surgiu a partir de uma demanda pessoal do sócio-fundador Murilo Bonadio. Há dois anos, ele precisou contratar um personal chef para um evento, mas esbarrou na falta de referências e informações sobre profissionais que não conhecia. Por isso, criar uma espécie de catálogo pareceu atrativo aos olhos do empresário. Além da mensalidade de R$ 300 para os chefs hospedados, a Welcome Chef cobra uma taxa de 15% sobre o serviço prestado ao cliente.

"Conversei com muitos chefs e a maioria cita as mesmas razões para deixar restaurantes. Entre elas, executar todos os dias o mesmo menu pode ser pouco desafiador para alguns profissionais", comenta o empreendedor, que investiu R$ 80 mil para abrir a empresa. "A rotina de um restaurante não inspira muito os novos chefs. Longas jornadas, poucas folgas, pouca flexibilidade. Conheci muitas pessoas com paixão por gastronomia, mas sem o sonho de abrir restautante ou trabalhar em um", analisa.

Bonadio ressalta que a demanda por personal chefs vem aumentando em reflexo da popularização da gastronomia profissional, em partes pela 'gourmetização' combinada à proliferação dos reality shows gastronômicos pelos canais de televisão aberta. "É óbvio que é um serviço caro e de nicho, mas vem sendo democratizado", explica.

Pela Welcome Chef, é possível encontrar menus completos por a partir de R$ 70 por pessoa. No ano passado, a empresa faturou R$ 1 milhão, e a perspectiva para 2017 é que o montante chegue a R$ 3 milhões. Atualmente, 30 chefs integram a equipe do portal, e novos profissionais entram apenas mediante convite do próprio Bonadio.

Um pouco diferente desta proposta, a Meu Bistrô recebe em seu catálogo chefs que se candidatam e são aceitos após uma análise de perfil feita por André Apollaro, sócio-fundador da empresa. Atualmente, são 210 chefs ativos e 900 em fase de cadastro.

Aberta no início do ano passado a partir de um investimento de R$ 100 mil, a Meu Bistrô fechou o ano com um faturamento de R$ 600 mil, e quer chegar aos R$ 2 milhões até o fim de 2017.

"Mesmo sendo um negócio de nicho, a clientela potencial é bem grande. Qualquer pessoa que saia para comer fora que gaste R$ 150 pode ser um eventual cliente da Meu Bistrô", explica Apollaro. "Na ponta do lápis, é uma opção mais em conta que o restaurante, onde é preciso pagar estacionamento, a bebida é mais cara", avalia.

 

Fonte: Estadão PME