17/01/2017 - Crise agrava atrito entre lojistas e shoppings no Rio Grande do Sul

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Queda nas vendas somada aos altos custos de aluguel acentua fechamento de unidades em centros de compras no Estado e no país

 

Em todo o país, é possível ver cada vez mais espaços vazios nos shoppings. Lojistas reclamam da falta de diálogo, transparência e taxas abusivas dos empreendedores destes estabelecimentos. No RS, Abrasel endossa movimento que pede mudanças nessa relação

 

A retração nas vendas provocada pela recessão e a manutenção de altos custos de aluguel e outras taxas levou a um grande número de fechamento de lojas em shoppings centers no Rio Grande do Sul no ano passado. A situação, agravada pela queixa dos varejistas de que não conseguem renegociar termos com os centros de compras, alimentou um atrito entre as duas partes que ganhou força na Capital nos últimos dias e ameaça espalhar mais tapumes, chegando a outras cidades gaúchas.

Estimativa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS) feita a pedido do jornal Zero Hora indica que, em 2016, os shoppings no estado perderam 1.023 lojas, queda de 12,91% ante o ano anterior. O quadro é similar a nível nacional. Estudo da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) divulgado no final do ano passado mostrou que, em todo o país, 18,1 mil estabelecimentos fecharam as portas, a primeira retração em 12 anos. Em Porto Alegre, onde o conflito ganha corpo, a taxa média de vacância subiu de 9,96% em 2015 para 12,54% ano passado, aponta a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), que capitaneia a mobilização.

 

 

A principal queixa dos varejistas é a cobrança de uma espécie de 13º aluguel, custo criado devido ao histórico de salto das vendas no período que antecede o Natal. O problema é que, nos últimos anos, com a economia em crise, a afluência de clientes não faz frente à despesa.

Os outros pontos de discordância se referem à falta de transparência na prestação de contas condominiais – como luz, água e segurança – e a dificuldade de abrir negociação para reduzir custos de aluguel e fundo de promoção. A empresária Nilva Bellenzier, coordenadora do grupo denominado CDL PoA Shopping, criado para tratar da questão, reclama da insensibilidade dos gestores dos centros comerciais frente à nova realidade.

– Os lojistas estão em situação delicada, caótica. Vislumbramos o fechamento de mais lojas. Eles (os shoppings) precisam abrir mão um pouco dos lucros – pondera Nilva.

E os afetados não são apenas pequenos comerciantes. No BarraShoppingSul, na Capital, a Lojas Colombo, uma das maiores redes do Estado, encerrou as atividades no final do ano passado. O shopping, onde a discórdia com os lojistas se manifestou ainda antes do Natal, foi procurado, mas preferiu não se manifestar.

Outro levantamento da FCDL indica que, dos 6,5 mil empregos perdidos pelo varejo gaúcho no ano passado, 4,83 mil foram verificados nas cidades que concentram shoppings.

– Em lojas de rua, as negociações têm levado à redução dos aluguéis – diz o presidente da FCDL, Vitor Koch.

O diretor de Relações Institucionais da Alshop, Luiz Augusto da Silva, diz que há uma preocupação nacional com o tema e já foram realizadas reuniões com administradoras de shoppings para tratar do assunto. Algumas são mais maleáveis, outras não, afirma o dirigente. Ele observa ainda que, em alguns casos, a falta de concessões se deve ao volume de vendas dos lojistas abaixo do esperado pelo centro de compras. Assim, forçam a saída de quem não consideram rentável, à espera de uma operação mais lucrativa. Mas, no caso dos bons lojistas, o indicado seria de ser flexível.

– O contrato de locação precisa ser melhorado, adequado ao novo equilíbrio de forças. Antigamente, era muita loja para pouco shopping. Essa relação mudou, e isso tem de estar no contexto – entende Silva, lembrando que a queda das vendas provocada pela recessão também deveria ser levada em conta.

Existiam, até novembro do ano passado, 558 centros de compras em operação no país, segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Dez anos atrás, eram 363. Outros 30 devem abrir neste ano.

O questionamento sobre os custos nos shoppings começa a ter novas adesões. Na quinta-feira, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Estado informou que se soma ao movimento. Para a diretora-executiva da entidade, Thais Kapp, chegou a hora de as administradoras dos empreendimentos revisarem a postura.

 

Fonte: Zero Hora *Para ler na íntegra, visite o site do ZH