10/01/2017 - Pesquisa da Abrasel em Santa Catarina aponta vendas mais fracas em fim de ano

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Apesar de movimento ruim na virada, empresários acreditam que temporada será melhor que a anterior graças aos argentinos

 

 

O Ano Novo frustrou os donos de restaurantes do litoral catarinense, conforme revelou a pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Santa Catarina, obtida com exclusividade pelo DC. Segundo o levantamento, para 92% dos empresários não houve melhora e para grande parte, 72,2%, esta virada foi pior (com 15% de redução de clientes) ou muito pior (mais de 15% de queda) que a anterior.

Para a sondagem, a Abrasel consultou cerca de 100 proprietários de restaurantes, em todo o litoral do Estado, nos dias subsequentes ao Réveillon. A pesquisa é realizada em SC desde 2014, sempre em parceria com o Instituto Federal de Educação de Santa Catarina (IFSC), sob a coordenação do professor Tiago Savi Mondo, do Grupo de Pesquisa em Gestão do Turismo da instituição de ensino.

Em Florianópolis, a percepção de encolhimento foi um pouco maior que na média do Estado. Na Capital, 84,1% dos entrevistados observaram piora. No litoral norte catarinense, esse número foi de 80%, e no litoral sul, de 76,5%. Para o presidente da Abrasel em SC, Raphael Dabdab, a recessão não é a única causa desse resultado:

"O calendário também não ajudou, já que as datas festivas caíram nos finais de semana. O clima, com chuva no final da tarde e à noite, como tem acontecido, acaba levando as pessoas a comerem mais em casa. E em Florianópolis, o anúncio de que não teríamos Réveillon na Beira-mar e a falta de definição em relação aos beach clubs de Jurerê também contribuíram", afirma Dabdab.

O presidente da entidade, contudo, faz uma ressalva:"Não é que tenha, necessariamente, caído o número de turistas. Talvez estejam vindo com poder aquisitivo menor, comendo menos fora".

O presidente da Santur, Valdir Walendowsky, concorda. A realidade, diz, é outra. Com o prolongamento da recessão, desemprego em alta e renda achatada pela forte inflação desde 2015, o turista brasileiro que vem procura economizar e ir ao supermercado em vez de comer em restaurantes.

A afirmação vai ao encontro dos dados da pesquisa. Quase metade dos empresários (49%) afirmou que o gasto médio dos clientes ficou abaixo do registrado no verão passado. Em Florianópolis, essa foi a percepção de 56,8% dos consultados. No litoral norte, o percentual ficou em 40% e no sul do Estado, em 35,3%. De acordo com Dabdab, a vinda de menos paulistas, que têm maior poder aquisitivo, também seria uma das causas da redução dos gastos.

Quanto aos gargalos da temporada, as principais reclamações foram em relação à segurança, ao saneamento básico e, principalmente, ao aumento expressivo no número de ambulantes ilegais.

 

Movimento deve melhorar

Embora o Réveillon tenha ficado aquém do previsto, a expectativa de melhora até o final da temporada é alta, e se deve muito aos argentinos. Pela pesquisa da Abrasel, 43,3% dos donos de restaurantes consideram que este verão será melhor que o último.

Em Florianópolis esta é a previsão para 59,1% dos entrevistados, enquanto na região litoral central do Estado (entre Florianópolis e Itapema) este dado fica em 63,3%. Como os donos de restaurantes, o setor hoteleiro está nesta expectativa. No Hostel Canasvieiras, no norte da Ilha, houve redução de 50% no número de reservas para o Réveillon, mas jã não há vagas para janeiro.

Tradicionalmente, o Ano Novo é uma data na qual o litoral catarinense recebe mais brasileiros, e somente após essa festividade é que vêm os argentinos. Segundo o presidente da Abrasel no Estado, os vizinhos sul-americanos devem começar a chegar em maior número a partir deste final de semana.

De acordo com a Embratur, o Estado deve receber 1,4 milhão de visitantes daquele país, 27% a mais que na temporada passada. O presidente da Santur também segue confirmando a tendência de novo recorde de argentinos em Santa Catarina.

Vir para o Brasil não está tão barato para os argentinos quanto no verão anterior, mas ainda vale a pena, já que por lá a inflação foi gigantesca. A estimativa do Bradesco é de que o país vizinho registre 39% de inflação ao consumidor acumulada ao longo de 2016. No Brasil, a perspectiva do banco é de 6,6% para o ano passado.

 

Fonte: A Notícia. Para ler a notícia na íntegra, acesse o site.