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Fundado há 15 anos, crescimento do grupo Coco Bambu mira inauguração de unidade em Miami

 

 

Fortaleza, 1989. O engenheiro civil Afrânio Barreira e a esposa, Daniela Barreira, inauguram a lanchonete Dom Pastel. Situada em um espaço de vinte metros quadrados, a pastelaria era uma das oito lojinhas de um centro comercial recém-inaugurado na casa que anteriormente fora a residência do avô de Afrânio. Ali começou a jornada, como empresários do setor de alimentação fora do lar, dos fundadores do Coco Bambu, hoje um dos grupos de restaurantes que mais cresce no Brasil.

27 anos após ingressar no ramo de restaurantes, Afrânio Barreira relembra o início dessa trajetória. “Embora não tenha formação acadêmica em gastronomia, a Daniela sempre teve grande habilidade na cozinha, então ela se responsabilizou pela produção. Comigo ficaram as funções administrativas e financeiras. O sucesso da pastelaria foi grande, e resolvemos nos dedicar integralmente ao negócio”, conta. Como resultado, o Dom Pastel, que ficava logo na esquina, “atravessou a rua”, e se tornou um conglomerado de 1500 metros quadrados, com buffet infantil e estacionamento.

 

 

O êxito do Dom Pastel motivou a abertura do primeiro Coco Bambu, no Meireles, bairro praiano da capital cearense. No cardápio, tapiocas, pizzas e crepes. Na decoração, peças e divisórias feitas inteiramente a base de coco e bambu, fato que inspirou a escolha do nome da casa. Em 2005, foi a vez de inaugurar o restaurante em Salvador, e em 2008, de abrir o Coco Bambu Beira Mar, novamente em Fortaleza. Foi com a implantação dessa última unidade, na orla de apenas 3 km (uma das áreas mais nobres da cidade), que iniciou um movimento de especialização do Coco Bambu em frutos do mar. “O Ceará é o maior fabricante de camarão do Brasil e, ao nos estabelecermos de frente ao mar, atentamos que teria tudo a ver trabalhar com esse tipo de produto”, conta Barreira.

“Fomos abrindo outras lojas e amadurecendo a gestão. Atualmente estamos surfando na melhor onda possível. Iniciamos 2016 com 17 unidades, e vamos encerrar com 26 unidades, o que representa um crescimento de mais de 50%”, comenta o empresário. Em 2015, a revista Forbes intitulou Barreira como “o homem responsável por democratizar o consumo de camarão no país”.

Isso por que, no cardápio com cerca de 150 opções, estão pratos que servem de duas a quatro pessoas e, com os preços praticados nas casas, é possível comer uma quantidade razoável de camarão por valores a partir de R$ 25 por cliente. Ao mesmo tempo, a carta inclui opções mais sofisticadas, como lagosta e champanhe.

 

Gestão inteligente

O Coco Bambu está inserido em uma categoria de restaurantes que, desde 2010, cresce 25% ao ano no país, segundo a revista Exame: o casual dining. Surgido nos Estados Unidos durante a década de 1960, o conceito ganhou impulso nos anos 1980, e se apresenta como uma alternativa intermediária às lanchonetes populares e à gastronomia mais elaborada. “O casual dining é o grande centro de avanço do food service no Brasil, mais até que o fast food”, declarou o sócio-diretor da BG&H Retail e Real Estate, Marcos Hirai, em entrevista publicada pela revista Forbes em 2015.

Na ocasião, tal crescimento foi atribuído à ascensão de 40 milhões de pessoas à classe C, e de 16 milhões de novos consumidores nas camadas A e B. “E todos eles ávidos por novidades, com desejo de consumir em estabelecimentos mais qualificados”, observou Sérgio Molinari, fundador da Food Consulting, especializada em consultoria no mercado de food service.

Barreira explica que o Coco Bambu não é uma rede de franquias, mas sim uma formação composta por diferentes empresas, independentes entre si. “Comando a holding, que detém 64% do grupo. Portanto sou sócio majoritário em todas as casas. Os outros 36% são dos sócios-operadores, cada um com 2% das operações”, esclarece. Atualmente são cerca de três gestores por unidade, que têm 100% de dedicação à administração das casas.

 

 

O sucesso, para ele, não pode ser atribuído a somente um fator, mas a um conjunto de processos que visam a longevidade e a excelência. “Hoje as lojas do Coco Bambu são as mais caras do Brasil. É uma aplicação inicial muito grande, que inclui um cardápio extenso, investimentos no que há de mais moderno em equipamentos, o luxo que as casas se propõem a oferecer, isso tudo com um custo-benefício razoável para os clientes”, destaca.

 

Rumo a um novo mercado

Em 2016 o Coco Bambu dá mais um passo importante, com a inauguração da primeira unidade no exterior. Com capacidade para atender a cerca de 500 pessoas, a casa será o maior restaurante de Miami, segunda cidade mais populosa do estado da Flórida, sul nos Estados Unidos. Segundo Barreira, essa ideia de internacionalizar surgiu há cerca de seis anos, mas o start foi dado em 2014, quando um executivo foi enviado para prospectar o imóvel ideal. “Depois, outra pessoa viajou para efetuar a locação do imóvel.

Passamos o ano de 2015 trabalhando nos trâmites e aprovações necessárias, e em 2016 estamos fazendo as obras. Surgiram vários problemas, especialmente na etapa de construção. A legislação é extremamente rígida e foram inúmeros gastos imprevistos".

“É simples abrir uma empresa nos Estados Unidos, mas extremamente complicado adequar-se a todas as normas exigidas. É necessária muita atenção em todas as fases, desde o fechamento de contratos de locação até a contratação de prestadores de serviços, pois tudo é muito minucioso”, destaca.

“Sobre os resultados, é uma incerteza muito grande, mas há várias possíveis vantagens. É uma economia muito forte, com uma alta renda per capita. Pelas nossas pesquisas, os retornos financeiros podem ser menores do que os do Brasil. Mas, se obtivermos êxito, plantaremos a nossa semente para crescer no país mais rico do mundo. Assim sendo, pretendemos seguir nesse ritmo, de crescer nos dois países. Esse é um sonho. O que vai de fato acontecer, só posso dizer depois”, finaliza.

Fonte: Revista Bares & Restaurantes - edição 112. A matéria na íntegra está disponível na versão impressa.

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