27/12/2016 - Mulheres ganham cada vez mais espaço nos bares do RJ

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Barmaids dão show na arte de misturar sabores e se destacam em Niterói

 

Tânia Ferreira, trabalha na área há 20 anos

 

Aos 12 anos, Ana Elisia de Carvalho já sabia qual profissão queria seguir. Naquela época, morando em Governador Valadares, no interior de Minas Gerais, assitia à novela “Fera radical” e escutava a personagem de Yara Amaral chamar a garçonete e pedir um drinque. Logo pensou: é isso que quero para minha vida.

Depois de ficar mais de uma hora em uma fila e de ter passado em uma prova, conseguiu se matricular em um curso gratuito no Senac que ensinava um pouco de tudo sobre o universo de bares e restaurantes. Durante um ano, entrou às 7h e saiu às 17h, de segunda a sexta-feira. Aos 17 anos, conseguiu seu primeiro emprego, como garçonete, no antigo Restaurante Calipso, em Pendotiba. Mas Ana Elisia não parou de estudar. Fez diversos cursos de especialização e passou por vários estabelecimentos exercendo a profissão de barmaid — feminino de barman —, também conhecida como barwoman. Recentemente, assumiu a responsabilidade pelo bar e acumulou a função de gerente geral do Novo Empório, inaugurado este mês em Icaraí.

Mas, apesar de hoje, aos 40 anos, considerar-se uma pessoa realizada, Ana Elisia conta que não foi fácil chegar na posição que ocupa. Diz ainda que é preciso muita persistência para seguir a profissão de bartender, que, de tão ocupada por homens, se tornou sinônimo de barman. Ela ressalta que muitos empregadores só contratam homens e se recusam a conhecer o trabalho de mulheres. Outro ponto que destaca como um dificultador para a inserção feminina na profissão é o fato de ter de trabalhar à noite. "Ainda há muitos donos de bares que não dão chance às mulheres. Mas aos poucos estamos conseguindo nosso espaço, mostrando que podemos fazer um bom trabalho", diz Ana Elisia.

Alessa Maga, que divide o bar com Ana Elisia, entrou no ramo da coquetelaria há três anos para complementar a renda como artesã. "Este ano, pela primeira vez, tivemos uma mulher como melhor bartender do mundo. Vemos como tem crescido a participação delas nessas disputas", comenta Alessa, que já participou e foi destaque de vários campeonatos nacionais e internacionais de coquetelaria.

Quem também já sofreu preconceito e hoje é a atração onde trabalha é Beatriz Bacolt, de 26 anos. Atualmente barmaid do SP Gourmet, em Icaraí, sua paixão pela profissão começou cedo, ainda aos 11 anos, ajudando o pai que tinha um restaurante em Portugal, onde moravam. Aos 15, mudou-se para o Brasil. Em Niterói, trabalhou em alguns restaurantes, como o Buonasera.

"Eles (os empregadores) me perguntavam se eu iria conseguir carregar barril de chope e criavam várias situações hipotéticas para que eu não fosse contratada. Mas isso foi até positivo para mim, pois tive que me esforçar bastante para fazer um bom trabalho e provar que era capaz. Já me especializei em outras áreas também, mas não consigo largar o bar. De alguma forma, sempre trago para cá o que aprendi. Porque fazer coquetel não é só misturar bebidas, e sim conhecer os ingredientes, saber manuseá-los, medir sabores, aplicar técnicas e caprichar na criatividade", conta.

Sérgio Pires, dono do SP Gourmet, ressalta que muitos clientes vão ao local para assistir ao show de Bia e experimentar seus drinques clássicos e inusitados como o Negroni, feito de gim, Campari, martini rosso e club soda, e o Apple Martini, com vodca, suco de maçã, xarope de maçã-verde e cereja.

"Vi o trabalho de uma mulher em São Paulo e fiquei encantado. Quando conheci a Bia, não tive dúvida, e está dando muito certo", conta Pires.

O Dome Dining Club, em São Francisco, também apostou em mulheres como bartender e há um ano contratou Tânia Ferreira, de 43 anos, e que há 20 trabalha na área. Ela conta que apesar das dificuldades que encontra por ser mulher, para ter êxito na profissão a receita é fácil: gostar muito do que faz.

"Na época que comecei, não era muito comum ter mulher atuando nessa profissão. Acho que o mercado hoje em dia está mais aberto. Há um melhor entendimento e reconhecimento da atividade, o que facilita um pouco para quem está entrando na área. Tenho muito prazer em fazer drinques, buscar uma receita nova, pesquisar. Acho que tudo na vida é movido a paixão. Se amamos e temos prazer pelo que fazemos, há grandes chances de sermos bem-sucedidos e felizes, ainda mais como bartender, já que vivemos num ambiente de festa e de alegria, onde as pessoas estão se divertindo. E contribuímos para isso", comenta Tânia.

 

Fonte: O Globo