07/11/2016 - Produto importado e 'gourmetização' garantem bons negócios a lojas de chá

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Frente a um mercado pouco explorado e com perspectiva de que o brasileiro dobrará a busca pela bebida até 2018, redes como a Moncloa Tea Boutique, The Gourmet Tea e Talchá saem à frente

 

 

Mesmo considerado por muitos o país do café, empreendedores brasileiros começaram a explorar o mercado de outra bebida: o chá. Na onda dos produtos 'gourmet', casas especializadas apostam em itens importados e bom tíquete médio para garantir expansão do negócio.

Exemplo disso, a Moncloa Tea Boutique abriu sua primeira loja em setembro de 2013. Hoje, a empresa, que atua por meio de franquias, tem oito operações, sendo sete na Região Sul do País e uma em São Paulo, no aeroporto de Congonhas. "Queremos aproveitar essa falta de empresas prontas para ter operações no Brasil inteiro e firmar a marca", comenta Rodrigo Lopes, cofundador da marca. "Temos um crescimento de 10 a 15% ao ano e quadruplicamos nossas operações", afirma o sócio da Moncloa, que tem o faturamento médio mensal de R$ 65 mil vindo das lojas de Santa Catarina e Paraná e prevê um faturamento de R$ 100 mil vindo da loja paulista.

Hoje, a companhia atua por meio da venda do produto e não com a preparação da bebida. "Não quisemos trabalhar com serviço, pois nosso conceito sempre foi de ser uma butique e focamos nesse posicionamento".

Com a proposta de também servir a bebida pronta, a Loja do Chá - que atua no ramo há 17 anos no Shopping Iguatemi, em São Paulo - começou a operar sem grandes pretensões. Segundo a empresária e sommelier formada na Alemanha Carla Saueressig, o negócio começou pelo 'amor à bebida' "Para você entrar nesse mercado, é preciso estar disposto a trabalhar e, claro, amar chás. Caso contrário, não é interessante a um empreendedor", comenta. "Começamos quando as pessoas não tinham ideia de como era feito cada blend, mas hoje é gratificante, pois temos um público fiel", diz.

A Loja do Chá atende entre 1500 a 2000 clientes mensalmente e oferece mais de 200 infusões do produto e hoje a maior parte dos produtos é importada da Alemanha.

 

A cultura do chá

Também operando no segmento, a The Gourmet Tea lançou sua primeira loja em 2011, em São Paulo (SP). Hoje, o estabelecimento criado pelos sócios Daniel Neuman e Leandro Toledano se encontra em mais quatro pontos da região paulistana, atendendo média de cinco mil clientes por semana. "Procuramos oferecer uma experiência sensorial com os chás", explica Neuman sobre a marca que trabalha com cerca de 35 tipos de chá orgânicos, importados de mais de 30 países, e que também pode ser encontrada em redes de varejo como Pão de Açúcar e St Marche. Com o foco maior em food service, Neuman explica que a principal receita da The Gourmet Tea vem da gastronomia. "Nosso food service e corporativo alcança todos os estados do Brasil", comenta, lembrando que a rede também oferece utensílios específicos para produção da bebida.

A aposta no enaltecimento da bebida, a Talchá atua desde 2010, visa tornar o ato de tomar chá mais acessível e moderna. A marca, criada pelas sócias Monica Rennó e Mariana Schvartsman, está presente em três lojas: no Shopping Pátio Higienópolis, JK Iguatemi, e, recentemente, no Shopping Pátio Paulista. "Podemos dividir nossos clientes em dois grupos: os que já tomavam chás gourmet e traziam de fora do País e os que não conheciam e se encantam". Com investimento inicial de R$ 500 mil, a Talchá tem mais de 80 blends em sua carta, além da oferta dos produtos on-line.

De acordo com a Tea Association of the USA, o chá é a bebida mais consumida do mundo, dividindo a posição com a água. No Brasil, as vendas do produto no varejo ultrapassaram R$ 1 bilhão em 2013 e devem crescer 50% até 2018, segundo o Euromonitor. "O mercado de chás é uma cultura ainda a ser expandida, mas o brasileiro é muito adepto a novidades" explica a diretora executiva do Grupo Bittencourt, Lyana Bittencourt. Na visão da especialista, a busca por alimentação mais fitness pode estimular a venda do produto, mas ainda é necessário uma maior divulgação das marcas para que o setor ganhe novos consumidores. "Eu penso que esse mercado precisa ser mais agressivo em divulgação e assim crescerá", afirma.

 

Gestão profissional

O aquecimento deste mercado e a pouca concorrência são fatores estimulantes para novos empreendedores, mas a especialista na bebida e fundadora da Escola de Chá Embahú, Yuri Hayashi, garante que a empreitada não é para amadores, e é preciso equipe qualificada. "Esses profissionais são pessoas que precisam se especializar para obter experiência e conhecimento de infusões e blends", diz. Além disso, ela comenta a necessidade de investir na contratação de sommeliers e tea blenders, que montam cartas da bebida pura para ser vendida.

De opinião similar partilha Saueressig, da Loja do Chá. "A primeira preocupação tem que ser a bebida. Todos os funcionários são treinados para serem especialistas", afirma

 

Fonte: DCI