28/05/12 - Investir em ponto de venda é reação à concorrência on-line

Quem quiser continuar em ritmo crescente e atrair um número maior de clientes para dentro de suas lojas - uma vez que as compras pela Internet já fazem parte da vida dos consumidores - terá que investir em lojas personalizadas. Ou seja, modernizar os pontos de venda com mais aparatos tecnológicos, procurar novos layouts e adotar diferentes disposições de produtos e iluminação. Dentre redes que modificaram seus pontos de venda, está o grupo francês Casino, que reformulou suas lojas para não sentir tanto a crise que a França vive nos últimos tempos. No Brasil, a rede francesa em breve se tornará majoritária do Grupo Pão de Açúcar (GPA), e tem apostado em lojas menores que tenham desde jornais à venda até espaços para que as pessoas possam sentar-se e tomar café com os amigos.

Segundo Olivier Saguez, CEO da consultoria francesa Saguez & Partner, que atua no País, a rede apostou em pequenas mudanças que fizeram com que seus espaços ficassem mais atraentes. O especialista afirma que para não perder clientes, a rede francesa supermercadista apostou na experiência plurissensorial - ter tudo ao seu alcance - para manter seus índices de vendas.

Ainda com a experiência do especialista em design de varejo, "o consumidor precisa entrar dentro dessas lojas e conseguir ter pequenas experiências de compras", como explica Saguez. Para Luiz Goes, sócio sênior da consultoria GS&MD -empresa idealizadora do evento Redesign, que discute mudanças visuais no varejo-, o mercado deve estar atento ao novo consumidor.

Tanto que o Extra, pertencente ao GPA , tem apostado na reformulação de seu setor têxtil para atrair mais clientes. A loja do Jaguaré, em São Paulo, recebeu piso diferente do do restante do supermercado, teto rebaixado e iluminação especial, o que deixou o lugar com cara de shopping center. A previsão é que todas as lojas Extra Hiper do País recebam o novo modelo até 2014. "A proposta é criar um ambiente de aconchego e tranquilidade, com melhor experiência de compra aos consumidores do hipermercado", diz Sidnei Fernandes Abreu, diretor- -comercial Têxtil do Extra.

 

A loja de utilidades domésticas comprada pela varejista gaúcha Renner, Camicado, pretende até 2020 ter 125 lojas no País - atualmente são 31 em operação - e é outra que terá novos espaços com um conceito modernizado. Desde o ano passado, a rede passa por reformulações que, no curto prazo, já trouxeram em torno de 4% de incremento às vendas. Produtos apresentados no intuito de promover venda casada e novo formato de iluminação permitiram à rede esse diferencial nas lojas físicas, com setores específicos para listas de casamento e para o público masculino.

Iniciativa – Outra empresa que percebeu a necessidade de mudança foi a Ambev, que, além de ampliar a linha de produção e agregar novos produtos a seu portfólio, viu no varejo, especificamente em seu ponto de venda fora dos supermercados, forma lucrativa de criar uma identidade mais forte de suas marcas de cerveja.

Com públicos de todas as classes sociais, as marcas Skol, Brahma, Antarctica, Original e Bohemia, possuem operações segmentadas com franquias que operam no Brasil desde 2003, e com o passar do tempo receberam renovações em seu design. Dentre as opções de franquias, estão o Nosso Bar, para a demanda da classe C, o Quiosque Brahma, que está em diversos shopping centers e também nas ruas, Loja Chopp Brahma Express, espaço que comercializa itens prontos para festas e churrascos, e o Seu Buteco, com duas operações ativas no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, e uma em Salvador (BA), projeta ter ao menos 45 novas operações nessas regiões em curto prazo, conforme explicação do diretor da empresa, Francisco Prisco.

Atualmente a empresa se empenha em alavancar o Nosso Bar, que com o baixo custo de sua taxa de franquia -na casa dos R$ 20 mil e com a necessidade de ter R$ 8 mil para capital de giro - pode ajudar os pequenos bares a reformular as suas operações.

Segundo Carlos Augusto Vargas, diretor-nacional de Franquias, a intenção desse projeto, que ficou mais de um ano em estudo antes de ser implementado, é melhorar a qualidade dos postos de vendas que levam suas marcas de bebida. "Identificamos na classe C um nicho de mercado interessante. Com isso criamos o Nosso Bar, em que a Ambev oferece a esses empresários, que já possuem um bar em operação, a oportunidade de melhorar sua lucratividade ao usar nossas marcas", afirma Vargas.

O diretor explicou que a Ambev fornece a este pequeno e médio empresário toda a estrutura de um espaço mais moderno, com mesas e cadeiras de madeira, e decoração, e dá liberdade a esse empreendedor de escolher o seu cardápio. Para Prisco, em três anos a empresa pretende ter 8 mil operações só com a franquia Nosso Bar, além de apostar na reinauguração da cervejaria Petrópolis, no Rio de Janeiro, em operação desde 18 de maio, local em que foi criado um museu sobre a cerveja e um restaurante para fidelizar o cliente.

 

Fonte: DCI