28/10/2016 - Mulheres maîtres estão à frente de renomados restaurantes

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Profissão foi exercida apenas por homens durante muito tempo

 

 

Durante muito tempo, a profissão de maître foi exercida apenas por homens, graças, dizem, a uma pesada rotina que só conta com folgas uma vez por semana. Essa realidade mudou. Por toda a região, o que se vê são mulheres ocupando a função, à frente dos salões de alguns dos principais restaurantes do Rio, entre eles o Fasano Al Mare, em Ipanema; o Lasai, em Botafogo; e o Oliva, no Leblon. Todas esbanjam profissionalismo, simpatia, excelente comunicação com os clientes, liderança e boa gestão. Estão aí para provar que “lugar de mulher é onde ela quiser”.

A palavra “maître” vem do francês “mestre”. Segundo o diretor da Confederação Nacional do Turismo Celso dos Santos Silva, os primeiros maîtres surgiram no fim do século XIV, como chefs que não deram certo. Levavam as travessas da cozinha para o salão do palácio, onde estavam os convidados, e davam explicações a respeito dos pratos e dos ingredientes. Com o tempo, saíram da cozinha, passaram a supervisionar os serviços e, chegando ao modelo de hoje, a recrutar pessoal, treinar garçons, inspecionar talheres, mesas, guardanapos...

— No Brasil, os maîtres começaram a surgir por volta da década de 1950, quando a hotelaria ganhou força. A casa vai bem quando o maître é simpático, conhece todas as tipologias do serviço, do atendimento, e é um bom gerente de cargos — explica Silva.

 

Vânia Magno

A meia arrastão, os cílios postiços volumosos e o filó na barra do vestido dão um toque feminino ao salão do Fasano Al Mare, em Ipanema, por onde Vania Magno circula diariamente. No comando de uma equipe 100% masculina, Vania, aos 50 anos, aparece soberana num pretinho não tão básico assim. “Nunca me chamaram a atenção”, pondera a maître, que mantém, com charme e elegância, tudo dentro dos padrões do grupo, um dos principais nomes da gastronomia e da hotelaria do país.

Vania coleciona histórias no ramo anteriores à sua experiência na casa, onde está há seis anos. Embora seja uma amante da interpretação, tanto que chegou a se formar em Artes Cênicas, trabalhou cedo, aos 23 anos, como garçonete do Méridien, e desde então nunca mais saiu do meio. Dona de um jeito descolado e muito tagarela, ela soma pontos positivos no trato com o cliente e tem uma mania de perfeição bastante útil na hora de comandar a equipe. Para ela, tudo precisa estar impecável e a política é a do “erro zero”.

— Tomar conta de um salão como esse é complicado. Para liderar, é preciso saber fazer o trabalho de cada um. E minha experiência como garçonete, hostess e chefe de fila ajudou. Se eu já era maluca com a perfeição antes, agora então — diz.

O trabalho, para Vania, está sempre em primeiro lugar. Optou por não ter filhos e nem namorar para se dedicar à vida profissional. E sente enorme satisfação em agradar aos clientes, mesmo quando alguns pedem para “chamar o maître”. Nesses casos, com seu jeito doce, ela responde: “Pois não, senhor”. E delicadamente, define o seu cargo. Ela é A maître.

 

Rosa Wilbert

Tudo começou com a chateação de ver o ex-marido trabalhar em dois turnos como barman. Rosa Wilbert quis entender aquela rotina. Após passar alguns anos cuidando da filha, começou a coordenar os cursos do restaurante onde o ex trabalhava. Foi tomando gosto em lidar com o público e, aos poucos, perdendo a timidez. Depois, foi supervisora de atendimento, por 12 anos, do Garcia & Rodrigues. Lá, criou jantares harmonizados e se interessou ainda mais pela área. Foi maître no Porcão de Ipanema, no Guiseppe Grill, e há um ano exerce o cargo no Oliva, no Leblon.

 

 

Rosa aprendeu na prática, trabalhando quase em jornada dupla. No Oliva, faz questão de acompanhar o atendimento do início ao fim. Gosta de recepcionar os clientes e de sugerir pratos e vinhos para harmonizar. Para ela, o segredo — não só seu, mas do ramo — está na forma delicada e simpática de tratar as pessoas, sejam clientes ou funcionários.

— Nós mulheres somos mais delicadas e atenciosas. Isso é um diferencial. A maîtria sempre foi um mundo mais masculino, mas agora estamos começando a ter espaço — explica.

 

Fonte: O Globo. Confira a notícia na íntegra no site.