25/05/12 - Exame visual de embriaguez é falho, mostra pesquisa

Em BH, pesquisadores treinados como PMs identificaram 'no olho' apenas 30% de voluntários que haviam bebido

Os exames visuais para comprovar que um motorista fez uso de álcool, como propõe o projeto 5.607/2009, aprovado pela Câmara de Deputados e em análise no Senado, tem eficácia de apenas 30%. O índice foi constatado por uma pesquisa feita em Belo Horizonte pela Associação Brasileira Comunitária de Prevenção ao Abuso de Drogas (Abraço), Subsecretaria Estadual de Políticas sobre Drogas e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em levantamento que monitorou 1.455 motoristas entre 2007 e 2009.

O estudo foi feito para saber qual o impacto da Lei Seca (11.705/2008) sobre o hábito de beber e dirigir e mostra como o bafômetro é importante. O uso do aparelho, contudo, depende da autorização do condutor segundo determinou o Superior Tribunal de Justiça.

Foram cerca de 500 pessoas envolvidas no trabalho, todas treinadas por médicos para avaliar se uma pessoa apresenta características de quem consumiu álcool, da mesma forma que a Polícia Militar age em suas blitzes. Foram montados pontos de coleta de dados em ruas e postos de gasolina da região Centro-Sul da capital mineira, onde um policial parava os carros e os motoristas eram convidados a participar. Antes de os motoristas serem testados pelo bafômetro os pesquisadores avaliaram sua fala, reflexos, comportamento dos olhos, velocidade de raciocínio, coordenação motora, odor do hálito e aspecto dos condutores.

Cruzando-se os dados é que apareceu a diferença entre quem aparentava ter bebido e quem teve o consumo de álcool comprovado pelo bafômetro. Em 69,6% das vezes, os pesquisadores erraram e não foram capazes de dizer que uma pessoa tinha bebido. “Isso mostra que usar o bafômetro é fundamental para que nenhuma injustiça seja cometida”, conclui o médico Rogério de Souza Salgado, um dos coordenadores do estudo pela Abraço.

“Os pesquisadores erraram porque o álcool tem efeitos diferentes sobre cada um. As quantidades que afetam as pessoas variam de acordo com idade e peso. O limite entre quem bebeu um copo e quem atingiu o limite para cometer crime de trânsito (seis decigramas de álcool por litro de sangue) também é muito próximo para ser diferenciado com eficiência”, afirma Salgado.

Fonte: Estado de Minas