04/10/2016 - Restaurantes contam com eventos de fim de ano para reduzir efeito da crise

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Com a perspectiva de aumentar a receita com o público corporativo, empreendimentos projetam avanço de até 50% nos ganhos

 

 

A proximidade das festas de fim de ano abre potencial para as empresas 'engordarem' o caixa enfraquecido pela crise. Com a perspectiva de que a receita no período possa subir até 50% com eventos corporativos, redes criam departamentos específicos para lidar com a demanda em busca de diminuir as perdas recentes.

"Temos um programa específico para tratar desses assuntos, que é o private dining. A empresa ou interessado pode reservar uma sala exclusiva nos nossos restaurantes para receber seus convidados. Em épocas como o fim de ano, nosso faturamento chega a ser 50% proveniente dessa estratégia", conta o presidente da Bloomin' Brands no Brasil, Salim Boulos Maroun. A companhia controla os restaurantes Abbraccio, Outback Steakhouse, Fleming's Prime Steakhouse & Wine Bar, Bonefish Grill e Carrabba's Italian Grill no País desde 2013.

No ano passado, segundo Maroun, houve uma pequena retração na procura das empresas por espaços corporativos para festas por conta da crise econômica. Neste ano, no entanto, ele acredita que haverá maior busca. "Acredito que devemos fechar o ano realizando entre 10 mil e 12 mil eventos do tipo nos nossos restaurantes. Certamente será maior do que foi em 2015", afirma.

No segundo trimestre deste ano, a operação da bandeira australiana Outback cresceu 3,9% em vendas, na comparação com o mesmo período do ano passado. O Brasil, de acordo com a Bloomin' Brands, obteve o melhor resultado entre os 20 países onde o restaurante mantém unidades. Por aqui, são 79 unidades da rede. "Ao fim deste ano, estimamos elevar em 20% as nossas receitas no Brasil, frente à do ano passado", diz Maroun.

 

Evento o ano todo

Eventos corporativos já fazem parte da rotina da chef gastronômica e proprietária dos restaurantes Capim Santo e Santinho, Morena Leite. Além de especialista na organização de diversos tipos de solenidades, ela também aposta nas confraternizações de final de ano promovida pelas empresas para garantir uma receita extra. "A expectativa é de alugar mais espaços neste ano do que alugamos no ano passado, que foi fraco. Pelo que estamos sentindo, principalmente agora no início do segundo semestre, é que isso deve se concretizar", prevê a empresária.

De acordo com Morena, é possível garantir com os eventos uma receita adicional de até 30% sobre o faturamento obtido com as vendas nos restaurantes. "É uma renda adicional importante", admite.

Com quatro unidades em São Paulo, uma em Trancoso (BA) e outra recém-inaugurada no Rio de Janeiro, a expectativa dela é de que juntos as companhias cresçam entre 10% a 20% neste ano, frente a 2015. Naquele ano, os restaurantes de Morena avançaram 10% na comparação anual.

O sucesso dos dois negócios fez com que Morena recebesse convites para levar uma das bandeiras para o exterior, o que deve ocorrer somente a partir de 2018, segundo ela. "Fizemos reuniões em Miami, onde nos ofereceram um espaço dentro de um shopping. E há também a possibilidade de irmos para Nova Iorque. Por enquanto, vamos buscar amadurecer localmente e depois pensamos com mais calma nesse passo", explica.

 

Impacto da recessão

Questionado se a crise atrapalha os negócios, Maroun, da Bloomin' Brands, foi enfático: "Não há recessão. A crise só existe para quem não trabalha", disse durante um evento de food service em São Paulo.

Um pouco menos taxativo, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em São Paulo (Abrasel), Percival Maricato, afirma que a recessão é uma pedra no sapato dos empresários do ramo. "Sinceramente, acho que se houver o mesmo número de eventos do ano passado, é para se comemorar. A crise continua impactando as receitas das empresas", avalia.

Para ele, é importante que os empreendedores retomem atenção para o consumidor que leva os amigos ao local, já que sem a ajuda das empresas, os clientes deverão protagonizar e organizar as comemorações por conta própria.

 

 

Fonte: DCI