29/09/2016 - Otimismo volta aos bares e restaurantes

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Desempenho do setor está próximo da estabilidade e um quarto das empresas teve ganho de rentabilidade no período de abril a junho

 

 

Quando o chef de cozinha Dudu Prado se uniu à empresária Fernanda Chami para abrir o restaurante La Coquette, em Manaus, a ideia era levar a culinária francesa para o norte do país. Assim que os empresários entraram no mercado, em dezembro de 2015, perceberam que a média de faturamento não seria suficiente e a saída foi mudar o planejamento estratégico da casa. “Houve um encolhimento de custos, reduzimos os colaboradores, abrimos mão de alguns serviços terceirizados que passamos a fazer pela própria empresa. Houve também uma busca por novos fornecedores, o que desencadeou uma disputa entre eles para abaixarem os preços a fim de manter os clientes”, diz Dudu.

O “choque de gestão” permitiu que o restaurante fizesse parte do time de uma em cada quatro empresas que teve ganho de rentabilidade no segundo trimestre de 2016, segundo pesquisa de conjuntura econômica do setor de alimentação fora do lar realizada pela Abrasel em conjunto com a Fispal Food Service. 49% das empresas apontaram estabilidade ou crescimento de receita nos últimos 12 meses, número maior do que os 41% apontados na edição anterior da pesquisa. Além disso, a redução da queda de faturamento acumulado em 12 meses passou de 6,85% no primeiro trimestre para 5,44% no período entre abril e junho.

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, o setor de alimentação fora de lar está encontrando uma nova equação de produtividade e ganhando competitividade frente ao consumo dentro do lar. “A pressão dos custos aconteceu para todos, o que os empresários de bares e restaurantes fizeram foi conter outros gastos e ganhar produtividade, de maneira que hoje, comer em casa ficou mais caro”, diz.

A afirmação de Solmucci se baseia nos dados do IBGE. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), enquanto a inflação do setor no segundo trimestre ficou em 2,31%, a inflação da alimentação no domicílio no mesmo período ficou na casa dos 3%. No acumulado do primeiro semestre, a diferença é ainda maior: a inflação da alimentação no domicílio (8,79%) foi quase o dobro da alimentação fora do lar (4,69%). É uma virada histórica na série: comer fora de casa está mais barato.

 

 

E com a pressão dos consumidores por preços mais atrativos e o ganho de rentabilidade conquistado por parte do setor, no período entre abril e junho, o ajuste de cardápio ficou abaixo até mesmo da inflação geral do país, que foi de 1,75% no segundo trimestre: bares e restaurantes praticaram reajustes da ordem de 1,13%.

 

Otimismo

Os ganhos de rentabilidade, a inflação do setor desacelerando, o reajuste de cardápio abaixo da inflação geral e a estabilidade do ambiente político combinada com as anunciadas reformas pró-empreendedorismo resultaram na melhor de humor do empresário do setor: 63% já aposta num segundo semestre melhor que o primeiro; na pesquisa anterior, só 16% acreditava nisso.

 

Longo ajuste

Apesar disso, as boas expectativas com relação ao aumento de faturamento e melhora da rentabilidade de uma parcela importante das empresas do setor não impedirão que os duros reflexos da crise levem empresas a fecharem as portas e empregos a serem eliminados ainda nos próximos meses. A Abrasel estima que esse quadro deverá se manter até abril de 2017, ano em que o faturamento bruto do setor deverá ter alta real de 2%, primeira expansão após dois anos de fraco desempenho.