13/09/2016 - Apesar de alta forte de alimentos, custo de comer fora subiu menos

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Os preços de alimentação fora de casa devem subir 8,4% em 2017, mesmo nível deste ano

 

 

A inflação dos alimentos ainda incomoda em 2016, mas com uma importante mudança de composição. Uma das principais pressões sobre os serviços nos últimos anos, a parte de alimentação fora de casa perdeu fôlego e está subindo menos do que os preços de alimentação no domicílio, algo raro na série do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Nos 12 meses encerrados em agosto, os preços de alimentação fora do domicílio subiram 8,65%, recuo de quase dois pontos ante dezembro de 2015, quando a alta era de 10,37%. No mesmo período, choques climáticos ocorridos neste ano levaram a inflação de alimentos no domicílio a saltar de 12,9% para 17,79%, pressão que parece não ter sido repassada aos preços de bares e restaurantes diante da crise que reduziu a demanda por esses serviços.

A diferença de mais de oito pontos entre a inflação de alimentos dentro e fora de casa marca o ápice de uma mudança que vem ocorrendo desde meados de 2015m quando o avanço da alimentação domiciliar começou a superar a do outro subgrupo. O IPCA, dizem economistas, indica que choques nos preços de alimentos elevam também os preços de refeições fora do domicílio, algo que não tem ocorrido em 2016. Para o IBGE, a alimentação fora de casa pesa 8,8% no orçamento de famílias com renda até 40 salários mínimos.

Na média de 2011 a 2015, observa Fábio Romão, da LCA Consultores, a inflação de alimentos fora do domicílio ficou em 10% ao ano, acima da alta total de serviços, que foi de 8% no período, e do aumento anual de 9% dos alimentos no domicílio. Para 2016, Romão estima que este conjunto de preços vai aumentar 13,7%, alta superior à prevista para os alimentos fora de casa, de 8,4%. “A menor demanda por estes serviços está ajudando a moderar os repasses”, diz o economista, lembrando que a dinâmica de preços de alimentação domiciliar é um importante “proxy” dos custos do segmento de restaurantes.

Em 2012, por exemplo, ano marcado por forte choque de commodities agrícolas, o reajuste nos preços de alimentação dentro e fora de casa foi bastante parecido, de 10% e 9,51%, respectivamente. “Agora tivemos aumento de custo mais forte nas matérias-primas e ainda sim os alimentos fora de casa estão subindo menos”, afirma Romão, o que, em sua visão, está relacionado à perda de empregos no setor.

Segundo levantamento da LCA a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), somente em 2015 foram destruídas 38,5 mil vagas formais no setor de alimentação, somando restaurantes, serviços ambulantes de alimentação, de “catering” e de buffet. Na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, a receita real do segmento de alimentação, que é agregada à do setor de alojamento, diminuiu 5,3% nos 12 meses até junho.

Para Rodrigo Alves de Melo, economista-chefe da Icatu Vanguarda, o componente de serviços, como mão de obra e aluguel, tem maior peso na dinâmica de preços de alimentação fora de casa. Por isso, diante da recessão e da queda de renda dos consumidores, os empresários do setor estão absorvendo as pressões de custos dos alimentos via redução de margens. “Isso é evidência de que o hiato do produto está aparecendo de maneira robusta no comportamento dos reajustes de preços”, diz, referindo-se ao aumento da distância entre o PIB de fato e o PIB potencial.

“A própria classificação do Banco Central reflete a característica de serviços de alimentação fora de casa”, concorda Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, lembrando que, a partir de 2012, a autoridade monetária deixou de considerar esse item do IPCA como um bem não durável e o incluiu no grupo dos serviços. Por isso, destaca Leal, estes preços desaceleraram durante a crise, mas dificilmente vão rodar abaixo da inflação total ou do centro da meta inflacionária.

Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) ao Valor mostra que alguns indicadores melhoraram no segundo trimestre, mas a entidade ainda avalia que as vendas só devem voltar a crescer mais do que a inflação a partir de 2017, após estabilidade em 2016 e retração de 3,5% em 2015.  De abril a junho, 25% das 700 empresas consultadas afirmaram que tiveram ganho de rentabilidade no período, enquanto, no início do ano, 33% delas disse que registrou queda ou estabilidade nesse dado.

Com a expansão de 1,5% prevista para o PIB no ano que vem – projeção que conta com viés de alta – e a estabilidade esperada para a renda, depois de dois anos da queda, parte da demanda do setor deve voltar, pondera Romão, da LCA. Mesmo assim, afirma, os preços de alimentação fora de casa devem subir 8,4% em 2017, mesmo nível deste ano, contidos pela baixa projetada para os alimentos. Em seus cálculos, o grupo alimentação e bebidas vai desacelerar de 11,9% para 7,5% entre um ano e outro.

 

Fonte: Valor Econômico