13/09/2016 - Crise econômica atinge em cheio bares e restaurantes em Pernambuco

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Mesmo no cenário ruim, empreendedores encontram boas oportunidades

 

 

Andando pelas ruas do Recife, não é difícil encontrar placas de aluguel ou repasse de ponto em locais onde funcionavam restaurantes. Com a crise econômica e a inflação corroendo a renda dos clientes, até mesmo os mais tradicionais estabelecimentos têm trabalhado duro para não perder a freguesia para as “marmitas” na hora do almoço ou para o happy hour feito em casa no fim do dia. Ainda assim, novos negócios não param de surgir, liderados por empreendedores que lançam mão de ferramentas criativas para sobreviver à fase ruim do mercado.

De acordo com a Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe), 286 bares, restaurantes e lanchonetes fecharam as portas na capital pernambucana, somente no primeiro semestre de 2016. Em Pernambuco, no mesmo período, foram 979 fechamentos. As baixas são sentidas não somente por quem trabalha diretamente no setor, mas por quem atua na área de forma indireta.

“As corridas que eu fazia para deixar clientes em restaurantes diminuíram entre 25% e 30% por causa do fechamento de alguns locais”, conta o taxista Jailson Magalhães, há 31 anos na profissão. Numa rápida circulada pelo bairro de Parnamirim, na Zona Norte, ele conta pelo menos quatro restaurantes que fecharam em uma única rua. “Tem alguns que fecharam há mais de seis meses, mas em outros lugares que foram desativados já têm outros restaurantes funcionando”, conta.

Paralelamente às baixas, o número de abertura de restaurantes no Recife e em Pernambuco contrapõe o cenário desfavorável. Segundo a Jucepe, 598 novas empresas do ramo gastronômico surgiram no Recife, no primeiro semestre de 2016. Isso representa 26 a mais do que no mesmo período do ano anterior. No estado, o mercado recebeu mais 1.885 estabelecimentos do setor. O número é alto, mas, ainda assim, é o reflexo de um período de recessão econômica.

“No Brasil, é muito comum as pessoas formalizarem seus negócios num momento de alta no desemprego. Muita gente tem vontade de ter uma atividade própria, mas nunca teve coragem de dar esse passo e formalizar o negócio. O estímulo vem depois de uma demissão, por exemplo, quando há a necessidade de procurar uma atividade independente”, explica o professor e economista Luiz Maia.

No caso da empreendedora Rebeca Duque, no entanto, a motivação para abrir um novo restaurante veio da crise propriamente dita. Apesar de já possuir um restaurante na Jaqueira, na Zona Norte do Recife, ela aproveitou o fechamento de outros empreendimentos do setor para economizar na montagem do seu próprio negócio. Funcionando há três meses no bairro da Madalena, na Zona Oeste, o novo negócio se encaixou no orçamento inicial e tem dado retorno satisfatório a ela e à sócia, Marta Lima.n“Esse mau momento nos fez economizar e barganhar preços durante a montagem do restaurante. Compramos peças de estabelecimentos que já haviam fechado por um preço razoável e os custos ficaram dentro do que a gente esperava”, conta.

Apesar de abrir as portas de um restaurante num momento complicado da economia, Duque explica que todos os pontos foram estudados pelas sócias com auxílio de uma consultoria. “Já tínhamos um restaurante na Jaqueira e contávamos com uma reserva financeira para abrir um outro, porque eu queria ter mais uma unidade. Estudamos a viabilidade disso e acabamos criando uma marca nova. Aproveitei esse momento de crise para investir”, revela.

A cautela de Duque para abrir uma nova unidade é a recomendação do economista Luiz Maia. “Se a operação foi iniciada sem um planejamento cuidadoso ou sem reserva significativa para não correr o risco de fazer dívidas, há uma grande chance de o empreendedor se arrepender. O mercado não é para amadores e o cenário ainda não é muito convidativo”, alerta.

 

Fonte: G1 Pernambuco. Para ler a notícia na íntegra, acesse o site.