09/09/2016 - Por que o Chile decidiu dar uma força para as pequenas quitandas de bairro

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Além de dinamizar a economia, gerando emprego e renda para 400 mil famílias, mercadinhos, padarias e hortifruti humanizam a convivência cotidiana e protegem teia de relações que ainda resistem nas grandes cidades

 

 

O governo do Chile anunciou nesta segunda-feira (8) o lançamento de um programa chamado Armazéns do Chile, que injetará o equivalente a US$ 1,5 milhão em pequenos negócios que tentam sobreviver ao avanço dos hipermercados e das grandes cadeias de negócios no país.

Embora as principais justificativas sejam econômicas - como a geração de emprego e renda - o programa traz consigo variáveis incomuns e menos tangíveis em iniciativas do gênero, tais como a identidade de bairro, o fomento às relações interpessoais, a preservação do patrimônio material e imaterial, o fortalecimento das organizações comunitárias e a simples ideia de que as relações comerciais podem trazer para o cotidiano outras trocas além da compra e venda de produtos.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, realçou essas características no lançamento do programa, ao visitar um pequeno negócio na capital, Santiago, acompanhada pelo ministro da Economia, Luis Felipe Céspedes.

 

Cidades mais humanas

Quando comparada a grandes cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro, Santiago tem uma urbanização muito menos densa, com enormes manchões ainda ocupados quase exclusivamente por casas e edifícios baixos.

A capital chilena é dividida em comunas. O nome se refere a um tipo de divisão político-geográfica maior que um bairro e menor que uma cidade, semelhante a algumas subprefeituras paulistanas, mas com “alcalde” (espécie de prefeito) eleito por voto direto.

Essa dinâmica política em escala reduzida favorece o debate dos assuntos locais, de interesse imediato dos moradores daquela “comuna” específica. Outro fator que impulsiona a ideia de comunidade é a existência de um grande número de parques públicos e outras áreas de convivência comum, mesmo nos bairros localizados fora do centro.

É nesse contexto de afirmação da cultura local que os pequenos comércios de bairro lutam para sobreviver ao avanço das redes de hipermercados. Frequentemente, esse comércio é mantido por uma única família há muitos anos no mesmo local e funciona como referência de vida comunitária, preservando muitas vezes aspectos arquitetônicos de construções mais antigas, que as novas redes se apressam em padronizar detrás de outdoors e outros recursos modernos de identidade visual, que descaracterizam o entorno e dão uniformidade  ao comércio.

 

Curso, dinheiro e conselhos

O plano do governo é apostar na capacitação técnica dos donos desse tipo de negócio, oferecendo também uma assessoria personalizada e subsídios equivalentes a até US$ 3 mil para financiar projetos de melhoria apresentados pelos proprietários.

Além disso, o governo anunciou a unificação de vários tributos e a criação de um sistema on line de emissão de notas fiscais, para desburocratizar o setor.

 

Fonte: Nexo Jornal. *Para ler a notícia na íntegra, acesse o site.