08/07/2016 - De portas abertas para a diversidade

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Abrasel no Rio Grande do Sul promove cursos de capacitação para bares e restaurantes aprimorarem o atendimento ao público LGBT

 

 

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Rio Grande do Sul é parceira do Porto Alegre LGBT, programa estruturado pela Secretaria Municipal de Turismo de Porto Alegre em prol do respeito a gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Alinhada à proposta, que em 2015 inseriu a capital gaúcha entre os destinos certificados pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) como LGBT Friendly, a seccional tem promovido cursos para que bares e restaurantes recebam estes públicos com dignidade e bom atendimento.

“Porto Alegre recebe muitos turistas LGBT, e com a adesão ao programa conseguiremos comunicar melhor quais estabelecimentos estão aperfeiçoando a recepção dessa clientela”, diz a diretora executiva da Abrasel no Rio Grande do Sul, Thais Kapp. “Estamos trabalhando a política do bem-receber a todos, que é uma filosofia da Abrasel, e chamando a atenção dos empresários para a necessidade de investir nesse treinamento”. Com o reconhecimento da Embratur como cidade LGBT Friendly, a tendência é que a atividade turística do segmento em Porto Alegre aumente. Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Salvador, Brasília e Recife também integram o grupo de municípios certificados.

As capacitações acontecem bimestralmente, na sede da Abrasel, e incluem uma etapa de conceituação sobre o público LGBT, além da apresentação de cases e orientações sobre as maneiras mais apropriadas de administrar situações que possam causar desconforto, como demonstrações de preconceito. “A instrução inicial é tentar estabelecer o diálogo e acalmar os ânimos. Caso a conversa não funcione, deve-se esclarecer que a casa é aberta a todos, lembrando ainda que existe uma legislação em vigor, que identifica este tipo de discriminação como crime”, explica Thais Kapp.

A Lei Orgânica do município de Porto Alegre prevê a possibilidade de multa e até cassação de alvará de instalação e funcionamento para os estabelecimentos que praticarem ato discriminatório de qualquer natureza.

 

 

Segundo Thais, a adesão ao projeto foi grande entre os associados. “Todos os consultados mostraram interesse, alguns não só em fazer o treinamento, mas também em incluir suas equipes”.

O proprietário da Confeitaria Maomé, Antonio Harb, é um dos empresários que efetivou a capacitação na segunda edição das oficinas, em janeiro de 2016. “Atuamos no segmento há 40 anos, e se não tivéssemos cuidado com os clientes, acredito que a casa nem existiria mais. Nosso público é universal e não há condições de praticar quaisquer atos discriminatórios”, destaca Harb, que estima que cerca de 10% de seus compradores sejam pertencentes à comunidade LGBT. “São pessoas sensíveis, que sofrem no dia-a-dia pelo preconceito. Para evitar isso, é indispensável adquirir conhecimentos e desenvolver habilidades para recebê-las da melhor forma”, continua o empresário.

 

Comunidade movimentadora do turismo

O segmento LGBT desempenha papel importante na movimentação turística pelo mundo. Dados da Organização Mundial do Turismo apontaram que, enquanto o mercado mundial de turismo cresce 3,8% ao ano, o segmento LGBT avança 10,3% na atividade.

A Associação Brasileira de Turismo para gays,lésbicas e simpatizantes (ABRAT GLS) aponta ainda que o turista LGBT tem maior poder de compra, viajando em média quatro vezes mais que os demais segmentos, e tendo como principais objetivos de consumo cultura, arte, lazer e eventos relacionados à afirmação da diversidade sexual. A Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, por exemplo, é considerada o segundo evento mais importante para o turismo da capital paulista, e movimenta cerca de R$400 milhões por edição.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 110. A notícia na íntegra está disponível na versão impressa. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. para assinar a revista.