07/07/2016 - Os hábitos do consumidor em constantes mudanças

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Em tempos de posturas flexíveis, as pessoas lidam com aperto financeiro até mesmo compartilhando um prato nas refeições

 

 

Mudanças no mercado de alimentação fora do lar alteram comportamento dos clientes e obrigam bares e restaurantes a repensarem estratégias de gestão e marketing. Segundo um artigo veiculado na conceituada revista Harvard Business Review Brasil, toda empresa precisa entender a transformação na psicologia e nos hábitos do consumidor e ajustar seus planos à nova realidade. De acordo com a publicação, somente se adequando a esse novo cenário é possível que os negócios sobrevivam à retração e prosperem depois dela.

Sérgio Molinari, consultor em food service, cita a diminuição de poder aquisitivo devido a crise econômica como a principal responsável pela redução do fluxo da movimentação de clientes em diversos estabelecimentos. “Existe um novo comportamento de diminuição de frequência. Eu tenho que gastar menos para comer fora de casa, então vou sair menos vezes e ser mais seletivo com a escolha do lugar”, diz. Se os consumidores estão mais exigentes na relação custo/benefício, a dica do consultor é treinar a equipe. “O vínculo do cliente não é apenas com o que ele come. É também relacionado com a experiência e o atendimento que ele tem em determinados estabelecimentos”, diz.

A revista da Harvard divide o consumidor em quatro grupos em tempos de oscilação econômica. O grupo “pé-no-freio” é o mais atingido e corta todo tipo de gasto. Já o segmento “abalado, mas paciente”, considerado o mais amplo, também economiza em tudo, mas com menos agressividade. O consumidor “em situação tranquila” mantém o nível de consumo próximo dos níveis pré-recessão, mas fica um pouco mais seletivo com o que compra (e ostenta menos). Já o grupo que “vive-o-presente” continua agindo como sempre: sua reação à crise é basicamente adiar compras de grande valor. Uma pessoa obviamente pode mudar de segmento se sua situação econômica piorar durante a crise.

A publicação lembra que independentemente do grupo ao qual pertence, o consumidor classifica produtos e serviços em quatro categorias para poder priorizar os gastos: artigos essenciais (necessários à subsistência ou ao bem-estar); agrados (consumo justificável); artigos adiáveis (compra pode ser postergada); e dispensáveis (desnecessários ou injustificáveis). Se adequar à essa nova realidade pode ser o fiel da balança na sobrevivência de um bar ou restaurante.

Para administrar os investimentos nas horas difíceis, a empresa precisa simultaneamente avaliar oportunidades disponíveis para a marca, alocar recursos para o longo prazo e equilibrar o orçamento. Muitas cometem o erro de cortar custos de modo indiscriminado, o que pode colocar em risco o desempenho a longo prazo. Melhor seria se enxugassem a carteira de produtos, tornassem seus produtos ou serviços mais acessíveis e reforçassem a confiança do consumidor.

 

Adaptação ao mercado

Fundada em 1986, em Belo Horizonte, a Pastelaria Fujiyama completa agora 29 anos com uma trajetória de sucesso seguindo o modelo de uma boa gestão. De acordo com o proprietário Paulo Nonaka, para manter o controle de qualidade e sua posição no mercado, foi preciso repensar estratégias de marketing e se adequar aos novos perfis de consumidores. Hoje a empresa colhe os frutos do que plantou. São 42 lojas, sendo duas próprias e 40 franqueadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Santa Catarina.

Nonaka diz que a terceirização da produção diminuiu os custos e possibilitou o investimento em outras áreas. “Enquanto outras pastelarias gastam com mão de obra e insumos in loco, todos os produtos que vendemos nas lojas chegam prontos. Não temos cozinha, nem pasteleiro. A diferença é que só nós temos esse know how de como produzir pastel congelado mantendo a qualidade”. Com a economia feita, a pastelaria Fujiyama se readequou ao mercado que passou por transformações devido a diminuição do poder aquisitivo da população. “Mudamos o layout de todas as lojas para algo mais ligado com a crescente classe C. Procuramos opções diferenciadas no cardápio para atender a demanda. Nosso destaque são os mini-salgados, menores até que os servidos em coquetéis”, diz.

O que começou com as “mini-coxinhas”, logo ganhou o gosto dos consumidores. Hoje são kibes, bolinhas de queijo e até churros em miniatura. A aceitação veio pela praticidade. “Vendemos no copo descartável. Na rua, a pessoa compra e come enquanto está no carro. No shopping compram para comer enquanto assistem a um filme no cinema”, comenta.

 

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 110. A notícia na íntegra está disponível na versão online. Para assinar a revista, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .