04/07/2016 - Excelência paraense

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Há 34 anos, o restaurante Saldosa Maloca, de Belém, é referência na preservação de um dos mais ricos polos gastronômicos do país

 

 

Belém, a segunda maior capital do norte brasileiro, “caminha para o futuro sem esquecer o passado”, segundo palavras da própria prefeitura municipal. Seu reconhecimento em 2015 como Cidade Criativa da Gastronomia, pela Unesco, indica que a afirmação é verdadeira, ao menos em relação aos sabores regionais e fortalecimento gastronômico. Nesse movimento de incentivo ao desenvolvimento sustentável e criativo da cozinha paraense, o restaurante Saldosa Maloca é um forte atuante desde a sua fundação, em 1982.

Localizado em frente à orla de Belém, na margem esquerda do rio Guamá, que abastece cerca de 70% da cidade, o Saldosa Maloca foi o primeiro restaurante a instalar-se na Ilha de Combu, uma das 39 que compõem o arquipélago da capital. Para chegar até lá, são dez minutos de barco partindo do continente, que está a 1,5 km de distância. “Estamos em uma posição estratégica. Vejo que muitas pessoas ainda vêm a Belém procurando florestas, e quando chegam se surpreendem com a grandeza de seus prédios. Mas basta uma pequena travessia para Combu, e elas estão totalmente integradas à Amazônia”, diz Prazeres Quaresma, proprietária do restaurante.

Área de proteção ambiental desde 1997, Combu tem uma extensão de 1,5 mil hectares e abriga cerca de 200 famílias ribeirinhas, que têm como principais meios de subsistência a pesca artesanal e o extrativismo vegetal. Nascida e criada na ilha, Prazeres é profunda conhecedora da região e se empenha em divulgar o que há de melhor na gastronomia paraense, fortemente ligada à tradição indígena. “Na região norte, a culinária paraense é a mais guardada de outras influências e conseguiu manter a sua identidade”, diz a empresária.

 

 

Maniçoba, açaí, cupuaçu, manga, graviola, cajá e cacau são alguns dos ingredientes típicos da região servidos no Saldosa Maloca. Todos são extraídos do terreno de 42 hectares do sítio em que o restaurante está. “Eles são colhidos na época de safra, exceto o açaí, que precisa ser servido no mesmo dia em que é retirado da árvore”, explica Prazeres. O respeito às temporadas de abundância na natureza se estende aos peixes, presença forte no cardápio da casa. “Entre os mais famosos estão o pirarucu e o filhote, ambos de água doce. Mas também se destaca a pratiqueira, um peixe pequeno que é crocante e pode ser comido desde a cabeça até a ponta do rabo. Para os que preferem peixes sem sabor muito definido, temos a pescada amarela, cujo gosto fica definido de acordo com o tempero a ela adicionado”, continua.

Quaresma conta que adquire o pescado no tradicional Mercado Ver-o-Peso, considerado a maior feira ao ar livre da América Latina. “Quando abrimos o restaurante, comprávamos dos pescadores que ficavam aqui em frente. Mas, com o aumento da população e da clientela, o produto foi ficando escasso e passamos a adquirir no mercado”. A Saldosa Maloca acompanhou o crescimento de Combu. Há 34 anos, quando foi fundado pelo pai e pelos tios de Prazeres, o restaurante tinha apenas 20 mesas para receber os clientes que chegavam em embarcações particulares. Hoje, os seis espaços da casa têm capacidade para mais de 400 pessoas, e as viagens diárias em embarcações que cobram baixos preços permitem excursões a Combu.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 109. A matéria na íntegra está disponível na versão impressa. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. para assinar a revista.