30/06/2016 - Um manifesto pelo bom, limpo e justo

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No Movimento Slow Food priorizam-se os processos e técnicas sustentáveis de produção e distribuição de alimentos

 

 

A filosofia do Slow Food foi uma das inspirações para o tema "Origem e originalidade" utilizado na 11ª edição do Brasil Sabor, realizado este ano. O movimento preserva identidades culturais ligadas a tradições alimentares e gastronômicas, protege produtos alimentares e técnicas de cultivo e defende espécies vegetais e animais domésticos e selvagens. O alimento, portanto, deve ser bom, limpo e justo, o que significa que deve ser saboroso, ser produzido de forma a respeitar o meio ambiente e com preços justos, tanto para quem produz, quanto para quem consome.

Dentro do movimento Slow Food há o projeto “Arca do Gosto”, um catálogo de produtos em risco de desaparecer, que fazem parte da cultura e das tradições do mundo inteiro. Na arca embarcam espécies vegetais e animais, mas também produtos processados, pois, junto com a diversidade vegetal e animal, estão desaparecendo também queijos, carnes curadas, pães e doces.

Glenn Makuta, um dos líderes do movimento no Brasil, cita o exemplo da taioba, verdura com baixo nível calórico e alto nível nutricional, como um dos alimentos que, apesar de sua antiga popularidade, principalmente em Minas Gerais, estão caindo em esquecimento. Ele diz que muitas vezes as pessoas entendem o Slow food como um movimento elitista, que prega apenas o ato de comer devagar, quando na verdade o conceito básico funciona como uma contraposição ao fast food. “Existem três frentes defendidas: a educação pelo paladar, a diminuição da distância entre produtor e consumidor e a bandeira pela biodiversidade.A partir do momento que sensibilizamos as pessoas pela questão da qualidade de certos alimentos, fomentamos um modelo consciente e sustentável de produção e distribuição”, destaca.

Pedro Hoffmann, presidente do Conselho de Administração Nacional da Abrasel, é segundo ele mesmo, um grande entusiasta do movimento. Apaixonado por gastronomia e associado ao Slow Food, o empresário acrescenta que uma das mais nobres missões do movimento é também valorizar o produtor local, “que muitas vezes oferece uma excelente mercadoria mas sofre por não ter uma demanda de clientes que dão valor à qualidade do produto”, diz. A consequência é que na mesa do cliente, há um prato com ingredientes que movimentam a economia local, além é claro do padrão particular da culinária. “Em vez de uma tilápia de cativeiro, dessas criadas em açudes, o produtor pode oferecer opções mais sustentáveis”, finaliza Hoffmann.

Líder do Convívio Amazonas (grupo local do Slow Food), o vice-presidente da Abrasel no Pará, Fábio Sicília, defende a tomada de consciência por meio do alimento. “Se você observar o que come, a procedência do alimento, pode diretamente definir políticas públicas, sociais e econômicas sobre este ato. Neste sentido, comer é um ato político”, diz.

Para Sicília, o festival Brasil Sabor pôde aproveitar muitas características do Slow Food. “No Pará, por exemplo, temos muitas matérias primas desenvolvidas por pequenos produtores. Não se trata de excluir, mas por que vou usar ingredientes de fora, a 5 mil Km de distância, se tenho várias possibilidades locais?”. Segundo ele, daí veio o desafio da "origem e originalidade".

 

Fonte: revista Bares & Restaurantes, edição 109. A notícia na íntegra está disponível na versão impressa.  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. para assinar a revista.