29/06/2016 - De olho na trapaça

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Empresários ampliam vigilância para evitar fraudes durante a entrega de mercadorias, conferindo tudo que chega

 

 

Empresários do setor podem, eventualmente, lidar com as chamadas “quebras” na entrega de mercadorias, que ocorrem quando os produtos chegam em quantidade não condizente com o que foi negociado. Um dos motivos nada tem a ver com planejamento logístico; alguns funcionários das empresas responsáveis pelo armazenamento e entrega agem de má-fé e acabam subtraindo produtos, muitas vezes sem que a própria prestadora de serviço tenha conhecimento da situação. Para evitar essa situação – e não amargar esse prejuízo – os gestores de bares e restaurantes devem adotar procedimentos para conferir e registrar tudo o que é recebido e saber como agir no momento da entrega.

Garrafas ou latas a menos nas caixas de cerveja, refrigerante ou água; peso total da carne ou de outros produtos inferior ao que foi adquirido; peso do gelo acrescido erroneamente ao peso final do pescado; e entrega de barris de chope vazios ou parcialmente vazios são alguns dos exemplos mais comuns relatados pelos empresários. Casos como estes têm impacto no faturamento e, principalmente num momento em que é preciso repensar custos e aumentar a produtividade dos negócios, prevenir que isso ocorra é importante.

O diretor executivo da Abrasel em Minas Gerais, Lucas Pêgo, conta que o primeiro passo para evitar estas “quebras” é conferir criteriosamente a mercadoria no momento do recebimento, não só a quantidade e o peso, mas também se a qualidade do produto comprado reflete aquilo que foi negociado. Ele recomenda que a mercadoria deve ser rejeitada caso não seja entregue conforme o contratado. “Quando isso acontece, a empresa entende que ela não está entregando no padrão de qualidade que você gostaria”, diz.

O que a primeira vista pode parecer trabalhoso, torna-se uma forma eficaz de cortar custos. No restaurante de Manola Nuñez, em Belo Horizonte, todos os produtos que chegam são conferidos - desde o peso das carnes até a quantidade de embalagens de colher descartável. A proprietária do Nossa Casa, que está há 15 anos no mercado, afirma que com simples ações em sua rotina, foi possível economizar, pelo menos, 20% evitando práticas incorretas de distribuidores.

Após ter recebido mercadoria não condizente com o solicitado, Manola conta que passou a registrar com fotos os produtos. “Se admitem o erro, normalmente, mandam um pedido de bonificação para compensar. Mas quando não aceitam e dizem que não irão assumir a responsabilidade, os vetamos e passamos a comprar com outra empresa”.

Para a empresária, isso é possível com o aumento da concorrência no mercado de distribuição de alimentos, que há dez anos não existia. Além da vigilância no recebimento das mercadorias, a escolha do fornecedor também deve ser levada em consideração. A empresária costuma optar por produtos de indústrias e distribuidores com maior relevância e mais tempo no mercado.

 

Medidas a serem adotadas

 

 

Além de checar o peso de alimentos, como hortifrútis, carnes e pescados, contar todos os itens recebidos e avaliar a qualidade dos produtos, também é importante atentar para a nota fiscal ou recibo entregue pelo funcionário encarregado, que podem estar vencidos ou deteriorados, impossibilitando contestação posterior, se necessária. É o que explica Percival Maricato, advogado e presidente da Abrasel em São Paulo.

Ele recomenda que todas as provas devem ser registradas para comprovar a ação desonesta e, dependendo da situação, pode-se denunciar à polícia, recorrer ao Ministério Público, ao Procon ou ajuizar ação contra o fraudador. Mas é preciso cautela. “Nem sempre convém denunciar à polícia, exceto se a fraude for completada e o fornecedor se recusar a indenizar. Por isso, as provas são essenciais. Se alguém denuncia uma pessoa na polícia e não consegue provar, pode ter contra si outra denúncia, por injúria, difamação, calúnia ou até mesmo ação por dano moral.

Os procedimentos para combater fraudes ou desonestidade na entrega de produtos devem se tornar uma cultura entre os empresários de bares e restaurantes. “A Abrasel pode ajudar orientando, divulgando informações e denunciando os maus fornecedores, porém o empresário também deve ficar atento e criar medidas preventivas, com sistemas de segurança, contabilidade e registros em dia, além de controles de entrada e saída de estoque”, destaca Maricato. Se alguém denuncia uma pessoa na polícia e não consegue provar, pode ter contra si outra denúncia, por injúria, difamação, calúnia ou até mesmo ação por dano moral”.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes - edição 109