24/06/2016 - Duas áreas de cultivo de moluscos são liberadas em SC após proibição

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Atualmente, Santa Catarina é responsável por 95% da produção de todos os moluscos consumidos no Brasil

 

 

O cultivo, a coleta e o consumo de moluscos bivalves na Barra do Aririú e Enseada do Brito, em Palhoça, na Grande Florianópolis, estão liberados, confirmou a Secretaria de Estado da Agricultura no final da tarde dessa quarta-feira (22). Estão permitidos o cultivo, a venda e o consumo nesses locais.

A proibição da extração, venda e consumo de ostras, mexilhões, vieiras e berbigões segue no restante no litoral catarinense.

A proibição, que ocorre desde o dia 26 de maio pela presença de uma toxina que pode causar intoxicação alimentar, continua nas demais áreas de cultivo do litoral.

 

Prejuízos com proibição

O maior impacto com a proibição é no início da cadeia produtiva, com os maricultores. Para a Associação de Maricultores e Pescadores Profissionais do Sul da Ilha (Amprosul), que reúne 36 produtores familiares da região do Sul da Ilha de Florianópolis, a situação beira a "calamidade".

"Muita gente mandou pessoal embora. Depois de mais de 20 dias, as famílias tiveram que demitir funcionários. Meu filho mesmo já disse que vai procurar um trabalho no Centro, mais uma pessoa para trabalhar na cidade", disse Maximiano Mendes, integrante da associação.

"Tem família que não tem como comprar gás, comida, transporte para levar as crianças para escola. Porque na nossa região, as famílias dependem exclusivamente da maricultura", explica a presidente da Amprosul, Eva Maciel Mendes.

 

Impacto nos restaurantes

De acordo com Fábio Queiroz, ex presidente e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Santa Catarina (Abrasel), não há um levantamento oficial de perdas para o setor."A cadeia como um todo às vezes é beneficiada, porque o cliente opta, por exemplo, por ir a um restaurante de massas, que não seria a primeira opção. Na maioria dos restaurantes, ostra não é a única opção", disse o presidente.

Conforme o dono de um dos restaurante do Ribeirão da Ilha, no Sul de Florianópolis, houve uma queda de 30% no público, mas os clientes têm buscado alternativas. "O impacto inicial foi imediato, mas depois o cliente ficou mais informado. Sabe que não é vírus ou uma bactéria, mas uma toxina passageira. As pessoas não deixam de ir ao restaurante e optam por outros frutos do mar", disse o chef e proprietário Jaime Barcelos.

 

Uma das maiores proliferações de algas

A proliferação das algas do gênero Dinophysis, que produzem toxinas, é uma das maiores no litoral catarinense desde 2007, quando começou o monitoramento dessas espécies, segundo o Laboratório Oficial de Análise de Resíduos e Contaminantes em Recursos Pesqueiros (Laqua), ligado ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A hipótese do laboratório é que água vinda do Sul do Brasil tenha trazido nutrientes que servem de alimentos para as algas que produzem a toxina. "A água que vem do Sul é uma corrente junto à costa", disse o professor Luís Antônio Proença.

 

Maior produtor do país

Atualmente, Santa Catarina é responsável por 95% da produção de todos os moluscos consumidos no Brasil. Em 2014, foram 21.553,6 toneladas. O governo calcula que o lucro anual total dos produtores catarinenses seja equivalente a R$ 70 milhões.

Florianópolis é considerada a maior produtora de ostras, com 2.700 toneladas, bem como de vieiras, 20 toneladas. Já Palhoça detém a maior produção de mexilhões, com 12.600 toneladas.

 

Fonte: G1 - Santa Catarina