20/06/2016 - Proibição do consumo de ostras em Santa Catarina gera demissões de maricultores

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Além do impacto na produção, restaurantes também são afetados

 

 

A proibição da extração, venda e consumo de ostras, mexilhões, vieiras e berbigões em todo o litoral catarinense pela presença de uma toxina que pode causar intoxicação alimentar completou três semanas nesta quinta-feira (16). Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), ainda não há previsão de liberação.

O maior impacto é no início da cadeia produtiva, com os maricultores. Para a Associação de Maricultores e Pescadores Profissionais do Sul da Ilha (Amprosul), que reúne 36 produtores familiares da região do Sul da Ilha de Florianópolis, a situação beira a "calamidade".

"Muita gente mandou pessoal embora. Depois de mais de 20 dias, as famílias tiveram que demitir funcionários. Meu filho mesmo já disse que vai procurar um trabalho no Centro, mais uma pessoa para trabalhar na cidade", disse Maximiano Mendes, integrante da associação.

"Tem família que não tem como comprar gás, comida, transporte para levar as crianças para escola. Porque na nossa região, as famílias dependem exclusivamente da maricultura", explica a presidente da Amprosul, Eva Maciel Mendes.

 

Impacto nos restaurantes

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Santa Catarina (Abrasel), não há um levantamento oficial de perdas para o setor. "A cadeia como um todo às vezes é beneficiada, porque o cliente opta, por exemplo, por ir a um restaurante de massas, que não seria a primeira opção. Na maioria dos restaurantes, ostra não é a única opção", disse o presidente.

Conforme o dono de um dos restaurante do Ribeirão da Ilha, no Sul de Florianópolis, houve uma queda de 30% no público, mas os clientes têm buscado alternativas. "O impacto inicial foi imediato, mas depois o cliente ficou mais informado. Sabe que não é vírus ou uma bactéria, mas uma toxina passageira. As pessoas não deixam de ir ao restaurante e optam por outros frutos do mar", disse o chef e proprietário Jaime Barcelos.

 

Cidasc diz que não há como ter previsão da retomada

Segundo o médico veterinário da Cidasc, Pedro Mansur, não é possível prever quando a coleta de mariscos será liberada, por depender de condições naturais. "Estamos fazendo análises com frequência, sempre apontando a presença da toxina. A liberação depende do afastamento das águas por corrrentes marítimas", disse Mansur.

 

 

Atualmente, conforme o técnico, as algas se espalham por toda a extensão do litoral catarinense, de São Francisco do Sul, no Norte, a Laguna, no Sul. "O fechamento de todo o estado foi porque o fenômeno é muito forte, é extremo. Nunca havia acontecido desde o início do monitoramento", explicou o oceanógrafo da Secretaria de Estado da Agricultura, Sérgio Winckler. O monitoramento acontece desde 2007 e abrange todo o litoral catarinense.

 

Maior produtor do país

Atualmente, Santa Catarina é responsável por 95% da produção de todos os moluscos consumidos no Brasil. Em 2014, foram 21.553,6 toneladas. O governo calcula que o lucro anual total dos produtores catarinenses seja equivalente a R$ 70 milhões.

Florianópolis é considerada a maior produtora de ostras, com 2.700 toneladas, bem como de vieiras, 20 toneladas. Já Palhoça detém a maior produção de mexilhões, com 12.600 toneladas.

 

Fonte: G1