16/05/2016 - Comer fora vale a pena: inflação dos alimentos é maior nos domicílios

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Em Salvador e Região Metropolitana, a alimentação no domicílio teve alta de 9,68% nos últimos 12 meses

 

 

Comer fora de casa pode ser uma boa opção para quem quer cortar custos com alimentação. Conforme levantamento do IBGE, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação de produtos que compõem a alimentação dentro do lar tem tido mais impacto no bolso do que a inflação da alimentação fora de casa. Em Salvador e Região Metropolitana, a alimentação no domicílio teve alta de 9,68% nos últimos 12 meses. Já a comida fora de casa aumentou em 3,73% no mesmo período.

O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte, Antonio Portela, defende que este é o momento para as pessoas comerem fora. “Devido à crise e à diminuição na procura, os restaurantes não repassam o ajuste dos preços há quase dois anos.  Isso é ótimo para o consumidor”.

 

No lar

De acordo com Selma Magnavita, presidente do Movimento de Donas de Casa e Consumidores do Estado da Bahia (MDCCB), comer fora de casa é uma opção em conta para quem não tem tempo para preparar a comida e nem alguém que possa prepará-la. “Almoçar fora é muito vantajoso nas situações em que a pessoa deixa de ter gastos com empregada doméstica. Para quem costumava ter uma funcionária que cozinhava  e agora não conta mais com esse custo, comer fora, seja em restaurantes ou pedindo comida, é a melhor opção”, diz.

Para a comerciária Rosemeire Cerqueira, almoçar na rua significa praticidade. “Quando comemos em casa, acabamos gastando com tempo, gás, sabão, água, etc. Nos restaurantes, é só chegar e pronto”. Segundo ela, a alta nos preços dos alimentos vendidos em mercados é outro fator que a faz preferir comer fora. “A  carne e o feijão estão um absurdo”. Além disso, há as promoções. “Os restaurantes dão descontos para estimular os clientes. Na rua, geralmente, gasto cerca de R$ 20 com um prato de comida e uma bebida, tendo opções e variedades com preços razoáveis”.

Segundo Alexandre Guerra, presidente do Instituto Foodservice Brasil, as promoções têm sido o principal atrativo para os clientes nos tempos de crise. “Os restaurantes estão realizando ofertas especiais e oferecendo benefícios, o que incentiva o consumidor a voltar com mais frequência”, fala. “É importante entender o momento de dificuldade e tomar medidas para amenizá-lo”, completa. Conforme pesquisa do instituto, as redes de foodservice – empresas de alimentos que possuem mais de 20 pontos de venda - registraram,  em março deste ano, crescimento de receita nominal de 0,5%.

Para Guerra, nas famílias em que os membros passam a maior parte do dia fora do lar (por estudo ou trabalho),  comer fora é mais prático. “Têm famílias em que todo mundo trabalha, aí não faz sentido cozinhar todo dia, por questão de tempo e custo. Eu acho que o consumidor tem que fazer direito a conta dos preços e escolher o que se encaixa melhor no orçamento”, afirma.

O presidente da empresa ressalta ainda que ir a um restaurante é também uma questão cultural. “Essa é uma grande opção de lazer nos finais de semana, uma forma de reunir amigos e familiares. Avaliando as opções e procurando ofertas, dá para gastar sem pesar no bolso”, conclui.

Conforme levantamento do Instituto Data Popular, de 2015, a classe média foi quem mais gastou com alimentação no país, dentro e fora de casa. No total, R$ 314 bilhões foram destinados aos gastos com comidas do lar, sendo a classe média responsável por 48% deste valor. Quanto à alimentação fora,  R$ 156,5 bilhões foram gastos no total, R$ 70 bilhões pela classe média.

 

Quentinha e congelado são opções para almoçar no trabalho

Para os consumidores que buscam praticidade na hora de almoçar, o serviço de delivery de quentinhas é uma boa escolha. É por isso que, há seis meses, Marcos da Silva resolveu transformar o seu bar, no Cabula, em um restaurante - o Bistrô de Comida Caseira, com opção de entrega de refeições em domicílio. “Antigamente, éramos um bar que não servia almoço. Mas percebi que o mercado de alimentos é mais forte e resolvi mudar nosso foco”, conta. Três meses depois da reinauguração, Marcos resolveu adotar o serviço delivery.

“Percebemos, nos primeiros três meses de atividade, que as pessoas do bairro pediam bastante que a gente oferecesse essa opção, e realmente deu certo. Hoje, entregamos cerca de 30 quentinhas por dia”, diz. A clientela do restaurante é formada por moradores da região e pessoas que trabalham nas redondezas. O prato feito custa R$ 9,90 e a taxa de entrega é de R$ 2,10. O coordenador de qualidade de uma concessionária de veículos Márcio Oliveira é um cliente de quentinhas e explica a preferência por este serviço. “É muito mais fácil pedir que entreguem a comida e continuar fazendo o trabalho. Nessas horas, eu prezo pela praticidade. Preparar uma refeição demanda tempo e coragem”.

 

Ofertas

No local onde Márcio trabalha, outros cinco colegas também pedem o almoço por telefone.  “Temos a opção de pagar no cartão ou em dinheiro, além das ofertas de bebida grátis”, conta. Sócio-proprietário do Bistrot Fitness Salvador, que oferece refeições congeladas e sem conservantes, Hugo Brandão concorda que as quentinhas são boa alternativa para quem tem uma rotina corrida. “As pessoas que trabalham não possuem muito tempo para cozinhar”. Segundo ele, o maior benefício de se oferecer refeições congeladas é a possibilidade de armazená-las por mais tempo. Seus produtos têm validade de 6 meses. Ele afirma, ainda, que as quentinhas que produz (fitness) são voltadas para o público em geral e não só para quem está em dieta. “As refeições são  para pessoas que buscam uma alimentação balanceada, sem conservantes e com pouco sódio”.

 

Fonte: Correio da Bahia