11/05/2016 - Em Brasília, crise não inibiu os consumidores de irem aos restaurantes no Dia das Mães

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Abrasel no Distrito Federal afirma que a data é a segunda mais rentável do ano para o setor, ficando atrás apenas do Dia dos Namorados

 

 

No Dia das Mães, não teve crise ou alta de preços na refeição fora de casa que deixasse os consumidores inibidos. Os restaurantes de Brasília apresentaram filas, grandes listas de espera e as praças de alimentação de alguns shoppings ficaram cheias de gente no domingo. Os sindicatos do setor não tinham números parciais, mas gerentes de estabelecimentos revelaram movimentação até 10% maior em relação ao mesmo período de 2015.

No restaurante do grupo Rubaiyat, no Setor de Clubes Sul, o gerente de conceito da marca, Geff Ruas, constatou quase 200 pessoas a mais em comparação com o último Dia das Mães. “Muitas são senhoras e os filhos querem tê-las por perto, aproveitar a data ao máximo. Então a comemoração ainda tem muito significado”, especula o profissional sobre o aumento no fluxo de clientes.

 

Lotação máxima

Segundo Ruas, a casa, que tem capacidade para cerca de 300 pessoas, foi preenchida três vezes no almoço deste domingo. Isso gerou esperas de quase duas horas e exigiu jogo de cintura dos funcionários. Para a psicóloga Débora Barros, de 56 anos, compartilhar o momento com a mãe Eleida Victória, 83, e o filho, Dimitrius Cardoso, 18, compensou o contratempo.

“É importante contar com a família para essas celebrações. Nem nos importamos em ficar esperando. Ficamos batendo papo”, descontraiu. Sua mãe também garantiu que o tempo até entrar no restaurante foi o de menos. “A melhor coisa é estar com a família. O pessoal aqui também foi nota 10 comigo”, elogiou.

 

Desde cedo

No restaurante Coco Bambu, também no Setor de Clubes Sul, funcionários relataram filas a partir das 9h. Mais de três mil pessoas comeram e beberam no local, conforme um dos sócios do estabelecimento, Beto Pinheiros. “Já esperávamos essa demanda. Até tínhamos preparado um atendimento que geralmente é usado nessas datas”, explicou o empresário, que cuidou pessoalmente da recepção dos clientes.

Conforme Pinheiros, a movimentação foi 10% maior do que no último Dia das Mães. Por conta disso, filas de gente e de carros dificultaram a vida de quem deixou para decidir o destino de última hora. Para alguns, “última hora” quis dizer “depois das 11h”.

 

Inconveniente e fome superados

“Se eu soubesse que ficaria quase duas horas esperando, não teria vindo”, desabafou a bióloga Débora Pires, de 40 anos. Ela levou a mãe Mariane Pires, promotora de Justiça de 70 anos, além do marido, filho, irmão, sobrinho e uma amiga, para celebrar o dia, e, apesar do inconveniente e da fome, disse ser importante lembrar da data. “A vida é muito curta, então tem que comemorar essas coisas, sim. Mas, da próxima vez, os restaurantes não vão me pegar não: vamos fazer algo em casa”, brincou.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Distrito Federal (Abrasel) informou que a data costuma ser proveitosa para os empresários do meio –   a segunda melhor do ano, atrás apenas do Dia dos Namorados. Apesar do bom momento, a previsão é de pelo menos 20% dos estabelecimentos fechando as portas nos próximos seis meses. “A coisa não está fácil. Evidentemente que foi um fim de semana excepcional e as casas com perfil familiar venderam bem”, resume o presidente da entidade, Rodrigo Freire. Para ele, no entanto, a euforia do domingo não é o suficiente para encobrir a gravidade da situação. “Uma coisa é manter o faturamento, e a outra é ter lucro. Esse lucro foi embora para muita gente. O resultado final caiu demais para os restaurantes”, complementa.

Segundo Freire, se os estabelecimentos tivessem acompanhado a inflação dos últimos cinco anos, os preços das refeições estariam 50% mais caros. “São muitos custos, vários tributos, tarifas de transporte etc. Os restaurantes não podem repassar isso ao consumidor. Tem muita gente quebrando”, conclui.

 

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília