09/05/2016 - Estabelecimentos baianos apostam na reformulação para continuar operando na crise

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“Tenho convicção de que grande parte do setor está operando com dificuldade ou no zero a zero”, afirma o diretor executivo da Abrasel na Bahia, Luiz Henrique do Amaral

 

Com 80% dos estabelecimentos em Salvador operando no vermelho ou sem margem de lucro, segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), bares e restaurantes que ainda não fecharam as portas buscam reformulações para viabilizar o negócio. “Tenho convicção de que grande parte do setor está operando com dificuldade ou no zero a zero”, afirma o presidente da entidade na Bahia, Luiz Henrique do Amaral. “Nos shoppings, as praças de alimentação reduziram consideravelmente seus preços e estão fazendo muitas promoções para se adequar a esse cenário. A maioria dos bares da orla está com promoções, como pratos dobrados, para atrair a clientela”, completa.

Foi o que aconteceu no último mês com o Groove Bar que agora, além de boate, abriu espaço para uma hamburgueria na tentativa de melhorar o faturamento e trazer de volta os consumidores. Desde a abertura, em 2008, o sócio-gerente do estabelecimento, Plínio Marcus, tinha planos de abrir uma hamburgueria também no local. “Como casa de shows, só funcionávamos na sexta e no sábado, eventualmente no domingo. Com a crise, veio a necessidade de pulverizar os custos e nos últimos seis meses resolvemos tirar o projeto da hamburgueria do papel”, afirmou. Para isso, o espaço passou por uma reforma para expandir a área externa, onde, além de hambúrgueres “desgoumert”, como o próprio Plínio sugere, são servidas cervejas artesanais e chope.

 

Melhor retorno

Com o novo projeto, o Groove agora funciona de terça a domingo, das 17h até o último cliente. “Nosso custo fixo é alto e, com mais dias abertos, a gente consegue ter um retorno melhor do que apenas com a casa de show. Com a crise, visualizamos que era algo que poderíamos fazer para continuar no mercado”.

Também em busca de uma estratégia para se adaptar aos novos hábitos do consumidor, o restaurante de comida japonesa Gattai implantou, no início do ano, o serviço de delivery. “É um complemento no negócio que tem tido uma resposta positiva”, afirma a gerente, Inailma Bonfim, que reconhece os cortes que os consumidores fizeram nos itens de lazer para compensar a perda do poder de compra. “Final de semana, atendemos a cerca de 50 pedidos no delivery. Sentimos que o cliente tem ficado em casa até mesmo para economizar. O Gattai tem visto o delivery como uma maneira de manter esse consumo, ainda que ele não esteja no restaurante”, acrescenta.

 

Expansão

A franquia da Pizza Hut foi outro negócio que voltou a investir no mercado baiano, mas com um formato diferente dos antigos restaurantes da rede que foram fechados alguns anos atrás.

Segundo o sócio-diretor da pizzaria em Salvador, Ricardo Simões, o formato “express”, mais focado na venda no balcão, segue a tendência de modelo de negócio de baixo custo e tem faturamento  maior que restaurantes convencionais.

A loja no formato convencional - com garçons, balcão e mesas - custa o dobro do valor de instalação do que uma loja no formato express.  “A Pizza Hut Brasil descobriu que grande parte de seus clientes utiliza o serviço delivery ou come nos shoppings, o que fez a rede repensar o  negócio”.

Inaugurada no mês passado no Shopping Barra, a franquia pretende abrir até o mês de julho mais duas unidades. “As duas lojas também serão no formato Express, uma no Shopping Bela Vista e outra em Ondina, próximo ao monumento das Gordinhas. Ambas terão o atendimento na loja e o serviço de delivery”.

E os clientes estão fazendo filas enormes para comprar a pizza. No último sábado, por exemplo, a espera foi de mais de 1 hora, enquanto  restaurantes ao lado estavam vazios. “A pizza Hut tem um valor afetivo muito grande e me lembra da minha adolescência, então, por isso, vale o tempo de espera”, disse o arquiteto João Valente, que comprou duas pizzas.  O tempo de espera não faz a maioria das pessoas ir para outros restaurantes da praça de alimentação do shopping. “Saí do Jardim Armação só para comprar aqui.  Sabia que ia demorar. Até pensei em sair da fila e comprar em outro lugar, mas igual a daqui não tem em lugar nenhum”, argumenta ele.

Em três anos, a expectativa é que a Pizza Hut chegue a 15 unidades em Salvador. “Para se manter e conseguir expandir, sem dúvida alguma, independentemente de crise, a empresa precisa estar atenta ao que o cliente pensa sobre a marca e buscar um atendimento de excelência”, fala o sócio do emprendimento Ricardo Simões.

 

Criatividade

A analista do Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae) Hirlene Pereira, orienta que os bares e restaurantes busquem inovar em comodidade e apostem em pratos criativos. “O segmento precisa perceber as oportunidades no seu entorno, as carências do local e atender a essa demanda com inovação e preço competitivo. Para isso,  é necessário reduzir custos e rever a gestão do negócio de um modo geral”, receitua.

Para a analista do Sebrae, um bom exemplo é a oferta de serviços de gastronomia  na própria residência do cliente. “Aproveitar essa conotação gourmet e inovar no delivery, visto que as pessoas têm ficado mais em casa na tentativa de economizar mais”, explica. Outra aposta é a implantação de um cardápio digital. “Personaliza o atendimento e o relacionamento com o cliente”, completa.

 

Fonte: Correio 24 Horas