08/04/2016 - Interoperabilidade nos meios de pagamentos traz benefício para o setor de comércio e serviços

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Em 2016 será possível ter apenas uma “maquineta” para realizar transações de todas as bandeiras de cartões de débito e crédito

 

 

O ano começa com uma boa notícia para o setor de comércio e serviços: a exclusividade entre as bandeiras de cartões e as empresas adquirentes está chegando ao fim. Na prática, isso quer dizer que as bandeiras Mastercard, Visa, Elo, American Express (Amex) e Hipercard, por exemplo, passarão a ser aceitas por qualquer máquina de cartão. A mudança está aumentando a concorrência entre adquirentes, abrindo possibilidades para que os empresários negociem menores taxas operacionais e reduzam o aluguel das “maquinetas”, que pode chegar a zero.

A interoperabilidade entre arranjos de pagamento se completou após o Banco Central (BC) publicar circular, em setembro de 2015, que determina o fim da exclusividade nos contratos entre bandeiras e adquirentes. As adquirentes são aquelas responsáveis pelas operações eletrônicas, como a Cielo, Rede (antiga Redecard), Getnet e Elavon. Já as bandeiras são emitidas pelos bancos e ficam a cargo de conceder o crédito aos usuários. Entre as principais do país estão Visa, Mastercard, Amex, Elo e Hipercard.

A exclusividade entre estas empresas é constituída pelos chamados arranjos fechados. A bandeira Hiper, por exemplo, é um arranjo que tem o banco Itaú como emissor e a Rede como adquirente. Assim todas as partes estavam mantidas sob a mesma estrutura de controle e exclusividade. Mas, depois da regulamentação do BC, estes arranjos fechados não poderão mais existir.

O processo para tornar realidade a interoperabilidade no mercado de meios de pagamento teve início em 2010, quando a exclusividade da Cielo e da Rede nas operações das bandeiras Visa e Mastercard, respectivamente, chegou ao fim. Isso abriu espaço para que novas empresas entrassem no mercado – como a Getnet, a Elavon e a Banrisul - e deu início ao aumento da concorrência.

 

Conquista para o setor

Não é de hoje que a Abrasel reivindica mudanças no mercado de cartões; essa já é uma pauta histórica para a associação. Em 2013, a Abrasel tomou a iniciativa de se juntar a outras entidades para discutir formas de mudar a regulamentação no setor de meios de pagamentos. O processo passou por várias etapas, incluindo questionamento ao BC, respondido no mesmo ano, quando finalmente a interoperailidade começou a se materializar.

Com a última decisão do BC, todas as “maquininhas”, mesmo de empresas que acabaram de entrar no mercado, poderão processar transações de qualquer bandeira. Segundo o órgão, isso gera o aumento da concorrência e incentiva a entrada de novas empresas nesta atividade. Foi neste contexto que surgiram adquirentes como a Bin e a PagSeguro (com a maquininha sem fio da Uol).

Em nota enviada à reportagem da Bares & Restaurantes, o BC diz que espera que, com o aumento da concorrência, haja melhora da qualidade do serviço e redução do preço ao consumidor final. A regulamentação passou a valer a partir de 25 de setembro de 2015, e as empresas do mercado de meios de pagamento eletrônicos tiveram um prazo de 180 dias para adaptação.

De acordo com Ricardo Vieira, diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (Abecs), os arranjos da Cielo e Rede ainda deterem 90% do mercado, mas a tendência é que as pequenas adquirentes ganhem mais espaço, utilizando várias estratégias, principalmente oferecendo custos menores. Ele garante que os recursos tecnológicos para que a interoperabilidade seja possível já estão totalmente prontos. “Agora o mercado depende da iniciativa das adquirentes para alcançar todos os estabelecimentos e torná-los interoperáveis. Este é um processo que em breve será concluído, espera-se que seja uma conquista em médio prazo”, conclui.

 

Negociando para reduzir custos

Com o aumento da concorrência, os estabelecimentos podem considerar mais de oito opções de contratação de adquirência - cada uma com diferentes estratégias de penetração no mercado. Assim, os empresários têm grandes oportunidades de reduzir seus custos. Segundo Célio Salles, membro do Conselho de Administração da Abrasel, o caminho para isso, em geral, é entrar em contato com as adquirentes especulando preços e tentando abrir uma negociação, ciente de que o principal elemento para isso é o volume de vendas em cartões. “Por isso é importante ter este número claramente ao iniciar a negociação com a outra parte”.

De acordo com Salles, no primeiro nível, o mais fácil é obter redução do aluguel das máquinas, que pode chegar a zero, mas se o volume de vendas em cartões do estabelecimento for expressivo, deve-se priorizar a negociação de taxas, pois a redução tende a ser mais significativa. “O empresário que disponha de mais de tempo para dedicar, pode até fazer uma espécie de leilão, com o objetivo de identificar a que ofereça menores custos”, acrescenta. Para o conselheiro, o primeiro argumento da negociação é oferecer a exclusividade, ou seja, operar somente com aquela adquirente.

Salles tem observado, em informações recebidas dos estabelecimentos do setor, que nos últimos três anos as taxas de negociação caíram cerca de 50%. “Hoje, bares e restaurantes de porte médio podem obter taxas de crédito de 2% e de débito de 1,5%, e empresas de grande porte podem ter condições ainda melhores” - antes as operações de crédito, por exemplo, chegavam a até 4%. A redução pode ser bastante significativa no orçamento mensal, dependendo do volume de vendas em cartões.

Para Pedro Coutinho, presidente da Getnet, o mercado está passando por um momento histórico. “Hoje a diferenciação das adquirentes está nas bandeiras, mas, a partir da abertura de mercado, a qualidade e a prestação de serviços serão fatores decisivos na avaliação do cliente”. Usufruir dos benefícios gerados pela interoperabilidade entre os meios de pagamentos, que está se tornando realidade em 2016, depende também da disposição dos empresários para buscar oportunidades.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº108 *Para assinar a revista, Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .