06/04/2016 - Corrente que contagia

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Menina de 11 anos coordena projeto que arrecada lacres de alumínio para comprar cadeiras de rodas

 

Proatividade e dedicação são chaves para o sucesso. É o que mostra o caso de Júlia Macedo, belorizontina de apenas 11 anos de idade que, desde os 9, arrecada lacres de latas de alumínio para, com o dinheiro da venda do material, adquirir cadeiras de rodas destinadas à doação. O projeto, batizado de Lacre do Bem, já coletou cinco toneladas de alumínio - o correspondente a 18,5 milhões de lacres - e doou 47 cadeiras de rodas a creches, asilos e instituições que cuidam de crianças com paralisia cerebral.

Com a colaboração de pessoas e empresas de várias partes do país, entre bares, restaurantes, shoppings,escolas, universidades e até multinacionais, o Lacre do Bem já rendeu a Júlia várias premiações. Entre essas, o prêmio Bom Exemplo Cidadania 2014, promovido pela Globo Minas em parceria com a Fundação Dom Cabral, a Fiemg e o jornal O Tempo; o prêmio Gentileza Urbana 2015, do Instituto dos Arquitetos do Brasil; menção de aplauso na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, além de homenagens e comendas de lojas maçônicas, por bons exemplos prestados à sociedade.

Com uma rede de apoio que se estende por Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Bahia, entre outros estados – além do Distrito Federal, o sucesso do Lacre do Bem se deve à positividade de Júlia. Em 2013, os pais da menina fizeram uma doação à creche Tia Dolores, em Belo Horizonte, que cuida de crianças com paralisia cerebral. Em agradecimento, os pequenos enviaram à família bonecos de papel feitos por eles mesmos. Comovida por tal gesto, a Júlia quis fazer mais por essas crianças.

Inspirada por um outdoor que vira em uma concessionária de pedágio em São Paulo, que também arrecada lacres de latinhas, ela resolveu que faria o mesmo para conseguir cadeiras de rodas para as crianças da creche. Diariamente, ela entregava lembretes a todos os amigos da escola para que reunissem os anéis de alumínio. Segundo os pais de Júlia, Nelson e Ivette Macedo, após dois meses de arrecadação, apenas metade de uma garrafa pet de dois litros havia sido preenchida com os lacres.

Uma vez que, para adquirir uma cadeira de rodas é necessário juntar o equivalente a 140 garrafas pet do mesmo tamanho (totalizando 105 Kg de alumínio), Ivette foi mostrar o conteúdo para a filha, na tentativa de dissuadi-la da ideia, mas acabou se surpreendendo. “Eu olhava a parte vazia da garrafa, e ela a parte cheia. Essa forma positiva de ver as coisas foi uma lição muito grande para todos nós e o grande motivo para continuarmos”, conta.

 

O sonho ganha impulso

A reação da filha fez com que Ivette e Nelson resolvessem ir à escola para pedir auxílio da diretora, que atendeu ao pedido de colocar urnas em shoppings de Belo Horizonte. A iniciativa chamou a atenção da imprensa local, e em parceria, o jornal Estado de Minas e a TV Alterosa publicaram a história na série Mineiros de Ouro. Em pouco tempo, os pontos de doações se multiplicaram e Júlia conseguiu arrecadar várias cadeiras de rodas.

Com o sucesso do projeto, ela conseguiu visibilidade de fornecedores de produtos para pessoas com deficiência física e hoje compra as cadeiras direto de uma fábrica em São Paulo, a preço de atacado. “Já chorei tanto com eles, que da última vez comprei mais de dez e ganhei uma cadeira de rodas”, conta a menina. Para ela, a maior dificuldade é a inexistência de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra das cadeiras. “Acredita que existe isenção de IPI para a compra de veículos para cadeirantes, mas para o equipamento essencial, que é a cadeira, ele é cobrado?”, aponta. Na página do Lacre do Bem no Facebook, Júlia faz uma campanha a favor do Projeto de Lei 130/2011, que dispõe sobre a isenção deste tributo para a aquisição das cadeiras por pessoas com deficiência. “Inclusive fui entrevistada pela Rádio Senado e dei a minha opinião. Espero que a lei seja aprovada o mais rápido possível, porque o projeto foi iniciado em 2011”.

Mesmo tendo alcançado muito mais que sua meta inicial, a jovem diz que anseia por mais. “Quero colocar todo mundo para reciclar, pois uma pequena atitude faz muita diferença na vida de várias pessoas. Sonho em um dia ter coletores em todos os bares, restaurantes, hotéis, shoppings, cantinas e em qualquer lugar onde tiver latas e corações solidários”. Grande parte dos colaboradores do Lacre do Bem são proprietários de bares e restaurantes e, dado o potencial do setor, uma maior adesão dos empresários é de grande importância para a expansão do projeto.

Aos que quiserem participar, basta colocar um recipiente para coleta em seus estabelecimentos e enviarem solicitações para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou para o site www.lacredobem.com.br.

 

Fonte: Revista Meu Negócio Minha Vida nº 18