24/03/2016 - Caso de sucesso: O sertão no mar

CLIPPING - NOTÍCIAS DOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DO PAÍS

 

Vencedora por três vezes consecutivas do Bar em Bar em Alagoas, o restaurante Bodega do Sertão é uma homenagem à cultura sertaneja

 

 

Um pedacinho do sertão no litoral. É assim que podemos definir a Bodega do Sertão, restaurante temático que há dez anos traz o gostinho do interior para a capital alagoana, Maceió. Vencedora das três últimas edições do festival Bar em Bar em Alagoas, a casa de Nado e Francineide Freire é, no mínimo, um espaço diferenciado. O lugar reúne tradição e criatividade, literalmente, visíveis à distância, se considerarmos a estrutura de dez metros de altura em formato de bule que compõe um de seus espaços.

Nascido em Arapiraca, interior do estado, o empresário Nado Freire se mudou para Maceió em 1989, exercendo cargo no serviço público. Frequentador de bares, era exigente com a temperatura da cerveja, o que fez com que os amigos o incentivassem a ter seu próprio estabelecimento. Foi o impulso para que ele abrisse seu primeiro negócio, um pequeno bar onde a especialidade era a cerveja “mofada”, aquela coberta por uma fina camada de gelo que indica que o líquido está gelado. “Em qualquer horário que o cliente chegasse a cerveja estava mofada. Caso contrário, era devolvida. A notícia se espalhou por toda Maceió e começamos a fazer sucesso”, conta.

O êxito foi tanto que em 2006, Nado e Francineide conseguiram investir no empreendimento que almejavam: um restaurante tipicamente regional, a Bodega do Sertão. Hoje empregando 75 funcionários, além de 4 gerentes, a casa é referência para turistas brasileiros e estrangeiros que vão a Maceió. “70% de nossos clientes são turistas que querem conhecer um pouco da cultura nordestina. Nossa ideia é justamente essa, a Bodega do Sertão é um convite para que tanto visitantes quanto as gerações mais jovens se familiarizem com as tradições de nossa terra”, conta Nado.

A referência ao sertão se inicia no nome do restaurante: bodegas são modestos armazéns, comuns nas pequenas cidades e vilarejos do sertão. Logo na entrada do estabelecimento, uma venda de alimentos e peças feitos por produtores e artesãos do interior é uma homenagem a esses pequenos mercados.

As menções ao sertão não se encerram por aí. Na cozinha, chefs alagoanos, paraibanos e cearenses preparam pratos com ingredientes como carne de sol, macaxeira, charque e queijo coalho, além de bode assado, buchada e carneiro. O fundo musical é o forró clássico, frequentemente orquestrado por artistas regionais. O atendimento é descontraído e acolhedor. “Aqui são todos compadres ou comadres, não existe ‘com licença, senhor’ ou ‘obrigado, senhor’. Quando as pessoas chegam, são bem tratadas, convidadas a conhecer a casa, como se estivessem na roça”, diz o empresário.

 

Para empreender, criatividade e dedicação

Não é apenas na tradição que os proprietários da Bodega do Sertão apostam. A criatividade também é um dos carros-chefes da casa. À distância, desperta curiosidade a figura de um bule de dez metros de altura que compõe um dos espaços do restaurante. A estrutura que faz alusão ao bule é a segunda maior do mundo, perdendo apenas para o Meitan Tea Museum, prédio de 73 metros construído em 2010 na província de Meitan, na China. Na parte interior, os clientes podem visualizar uma coleção de bules vindos de várias partes do mundo, todos devidamente catalogados.

Na cozinha, não é diferente. Os pratos criados pelos chefs são sucesso, tanto que rendeu ao estabelecimento o maior volume de vendas das três últimas edições do festival Bar em Bar no estado. Em 2015, o restaurante serviu o Bule Bole Comigo, composto por um purê de macaxeira recheado com carne de sol, queijo derretido e gratinado com queijo parmesão, acompanhado de cocadas branca e queimada. O prato foi servido em uma fôrma no modelo de bule.

Questionado sobre os demais motivos para o sucesso no festival, Nado Freire destaca a motivação da equipe. “Meu filho Rodolfo é gastrônomo e vem desenvolvendo novos pratos. Ele insiste com os garçons e garçonetes para que, durante o Bar em Bar, seja dado destaque para o prato especial. Os clientes vão chegando e já vamos oferecendo esse, que pode até ser degustados antes. Depois nos reunimos, parabenizamos o funcionário que vendeu mais e dividimos o prêmio entre as garçonetes.”

Empreendedor que cresceu, ele diz que pretende abrir filiais em outras cidades do Brasil. “O projeto ainda não está pronto, mas inicialmente pretendemos ir para Salvador e São Paulo”. A concretização do projeto é uma chance de ter mais pedacinhos do sertão espalhados pelo país.

 

Fonte: Revista Meu Negócio, Minha Vida.