17/03/2016 - Delivery vira tendência ao ampliar negócios nos restaurantes 'gourmet'

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Casas como Coco Bambu e Via Castelli levam gastronomia de luxo até a residência dos clientes e elevam as vendas em meio à crise. Entregas em domicílio movimentaram R$ 9 bilhões no País

 

Os restaurantes mais refinados (os gourmets) perceberam no delivery uma maneira de ampliar as vendas e seguiram a experiência de pizzarias e redes de fast-food. Em casos como o do Via Castelli, em Higienópolis, na capital paulista, a entrega em domicílio já representa até 38% da receita do estabelecimento.

"Quase metade do nosso faturamento vem dos pedidos delivery. Em 2015 não crescemos em vendas no restaurante, mas aumentamos as entregas em domicílio, o que ajudou a fechar o ano com as contas equilibradas", disse o gerente-geral do restaurante Via Castelli, Roberto Fernandes.

Sem mencionar números, o gerente conta que a empresa conseguiu leve crescimento, alinhado à inflação de 10%, em suas receitas, o que zerou os ganhos do estabelecimento em 2015. O volume de pedidos feitos para o Via Castelli via telefone e aplicativos, no entanto, cresceu mais que isso. "Temos percebido, mês a mês, um aumento. Atualmente, recebemos 4,5 mil pedidos por mês. Estamos incorporando outros pratos para que esse número aumente no mínimo 10% até o final do ano", afirma.

Recentemente, o restaurante incluiu a tradicional feijoada ao cardápio delivery. "É um prato muito requisitado na casa e conseguimos adaptá-lo às embalagens para levá-lo até os clientes da mesma forma que ele consome no local", conta.

Cauteloso por conta da crise econômica, mas não pessimista, Fernandes acredita que este ano o Via Castelli volte a registrar um balanço positivo em suas receitas. "Creio que é bastante razoável e possível crescermos até 8% em relação a 2015. Claro que depende de como tudo vai caminhar, mas é uma estimativa até conservadora", garante.

Hoje, o tíquete médio por consumidor no restaurante é de R$ 80. No delivery, de acordo com Fernandes, o valor gasto por cliente é o mesmo - acrescentando a taxa de R$ 5 pela entrega do prato.

Outro restaurante gourmet que tem faturado mais ao entregar as refeições na casa do cliente é o Coco Bambu. Só entre janeiro do ano passado e o primeiro mês deste ano, aumentou mais de 15% o número de pedidos que chegaram às centrais de atendimento do estabelecimento. "Cada vez mais o consumidor quer comodidade, não ter que enfrentar filas e outros transtornos. Nós percebemos isso e decidimos implantar o serviço de entrega no ano passado. Hoje, recebemos em torno de 2 mil pedidos por mês", diz o sócio-diretor do Coco Bambu, Arthur Moraes.

Segundo ele, as receitas via serviço de delivery representam mais de 10% do total do faturamento da casa. "Isso pode aumentar. A gente está na expectativa de alcançar 3,5 mil pedidos por mês até dezembro", estima. O campeão de entregas, conta Moraes, é o camarão internacional, acompanhado de outras guarnições. O tíquete médio do Coco Bambu é de R$ 75. Mas no delivery, por exemplo, o preço de um pedido não costuma sair por menos de R$ 140. "Esse preço é mais alto, mas [a refeição com ele] serve até quatro pessoas", explica o sócio-diretor.

 

Setor

Em 2015, o serviço de delivery de alimentação movimentou mais de R$ 9 bilhões no País. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (AbraselSP), Percival Maricato, a tendência é de que as entregas em domicílio somem apenas este ano pelo menos um valor 10% maior do que o registrado no ano passado.

"Os preços encontrados no delivery costumam ser mais baratos do que a soma de deslocamento, combustível, estacionamento ou transporte como táxi e ônibus do cliente até o restaurante", observa. "Nesse período em que se busca economia, é estimável que os pedidos aumentem", acrescenta.

No geral, a alimentação foodservice - fora do lar -, segmento em que o serviço delivery também é contabilizado, tem crescido a uma média de 9% ao ano, desde 2011, segundo levantamento do Instituto de Foodservice Brasil (IFB).

Em 2015, entretanto, houve desaceleração e o setor cresceu apenas 6,6% na comparação com 2014. O cálculo foi realizado com a contabilização dos resultados obtidos em fevereiro daquele ano, comparados com os números do mesmo mês do ano anterior. Já em fevereiro deste ano, o Instituto de Foodservice acredita que houve uma aceleração de 7,7%, na comparação com o segundo mês do ano passado.

O presidente da AbraselSP, contudo, é mais cauteloso. Maricato prevê que o setor avance até 7% em 2016, em linha ao crescimento medido em 2015.

 

Fonte: DCI