25/02/2016 - Tendência, delivery ainda implica queda na qualidade e pede adaptações

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"Delivéri para na porta - e já dá moleza de atender a campainha, vai ter qualquer coisa errada, com certeza esqueceram a Coca outra vez", já escreveu a colunista Nina Horta. Mas, apesar de às vezes esquecer o refrigerante e trazer batatas molengas, o delivery parece estar em seu melhor momento.

A consultoria internacional de restaurantes Baum+Whiteman colocou o serviço de entrega em seu relatório anual como principal tendência em comidas e bebidas para 2016. Os motivos: aplicativos que reúnem restaurantes - e que, no futuro, podem identificar o gosto do cliente e fazer sugestões mais precisas -, a evolução de embalagens e a entrada, em alguns países, de empresas especializadas em transporte - como o Uber, ainda não há previsão da vinda do UberEats para o Brasil.

Por aqui, as pizzas ainda são campeãs de entrega, de acordo com as principais empresas de pedidos on-line. Engordam a lista os sanduíches e a comida oriental.

Há em todos os casos algo em comum, de acordo com o professor de negócios da gastronomia na Anhembi Morumbi Mario Oliveira: a comida entregue nunca é tão boa quanto no restaurante. "Quem exige qualidade não espera isso do delivery. Nesse caso, o custo pesa mais do que o benefício, pois o benefício é estar em casa."

"Levando isso em conta, até restaurantes gastronômicos podem entrar nesse mercado, se entenderem que só alguns de seus pratos poderiam ir para um menu de entrega", afirma Michael Whiteman, da Baum+Whiteman.

Antes de começar o serviço, Flavio Miyamura, chef do Miya, fez testes por oito meses. Algumas receitas foram retiradas do cardápio e outras, adaptadas - o lamen, campeão de pedidos, é entregue com o caldo à parte, em um saquinho à vácuo. Ele conta que o motoqueiro Silas Pereira foi treinado para explicar os pratos como um "garçom de longas distâncias".

Famoso pelas coxinhas, o Veloso vai retomar o delivery em março, em nova casa e com barman exclusivo - as caipirinhas viajam entre lâminas de gelo e chegam tinindo.

 

PELO CELULAR

Os aplicativos de delivery, que apontam as casas mais próximas do cliente, pipocam no Brasil há quatro anos. Eles atuam como um intermediário entre cliente e restaurante, com cardápio atualizado e opção de pagamento on-line - não há controle do tempo de entrega ou qualidade da comida por parte das empresas, mas aos clientes é permitido avaliar o serviço.

O app pode servir como um "canal de divulgação" do restaurante e cobra uma taxa da casa em cada pedido, de cerca de 10%. No caso do Disk Cook, braço do iFood que faz a entrega para o restaurante, a taxa é mais alta, de 27%.

 

Fonte: Folha de São Paulo *Para ler na íntegra, visite o site da Folha