13/01/2016 - Restaurantes de comida a quilo em Belo Horizonte reduzem preço para se manter

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Com a inflação salgando a alimentação dentro e fora de casa, donos de restaurantes da região Centro-Sul de BH optam por cortar valor da comida mesmo com alta nos custos

 

 

Em um ano, a cebola ficou 60% mais cara, o preço do alho subiu em 53,66%, sem contar o tomate que teve um aumento de 47%. Comer em casa ou em restaurantes self-service virou pesadelo para o bolso do consumidor. Por sua vez, na batalha para atrair a clientela e não deixar cair o movimento, estabelecimentos tentam driblar o dragão reduzindo preços da comida a quilo e tirando do cardápio os alimentos corroídos pela inflação. Na ponta do lápis, a alimentação nas residências ficou 14,03% mais cara e fora de casa subiu em 10,56% nos últimos 12 meses em Belo Horizonte. Para empresários, por enquanto, o lucro está ficando difícil de ser alcançado, porque a conta está salgada: além dos alimentos, os valores da energia, combustível e gás (custos indiretos), também sofreram alta de até 15%, segundo pesquisa divulgada sexta-feira pela Fundação do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).

“O aumento dos preços dos produtos alimentícios é sentido diretamente pelo consumidor, o qual vê o seu poder de compra diminuir mês a mês”, comenta a coordenadora de pesquisa do Ipead, Thaíse Martins. Ela ressalta que o aumento nos custos dos empresários, com mão de obra, energia elétrica e aluguel são fatores que contribuem também com a inflação da alimentação fora de casa. “Estamos fazendo mágica”, comenta o administrador do Restaurante Kasbah, no Bairro Funcionários, Fernando Rocha. Ele conta que, na teoria, ele deveria repassar os custos do restaurante ao consumidor final. “Mas não estamos conseguindo fazer isso, com medo de afugentar a clientela. Com isso, massacramos a lucratividade”, afirma Rocha.

Todo o esforço do restaurante para não perder o movimento, inclui a gestão dos custos e dos preços. “Não posso tirar o churrasco do self-service do meu almoço, porque é o meu carro-chefe. O que fizemos foi diminuir o preço do quilo, que até setembro do ano passado era R$ 49,80 e passamos para R$ 46,90”, revela. Além disso, o restaurante também deixou de servir alguns alimentos, conforme destaca Rocha. “O camarão é um deles, o charuto de folha de uva também. A carne de cordeiro, por exemplo, colocávamos todo o fim de semana, assim como as massas mais elaboradas. Tivemos que tirar”, diz. Isso porque, no ano passado, o estabelecimento sofreu uma redução de 25% no movimento.

 

ESTRATÉGIA

No ano passado, por causa desse mesmo problema, o restaurante Famintus, também no Bairro Funcionários, reduziu o valor do quilo no self- service de R$ 38,90 para R$ 26,99, o que ajudou o empresário Rogério Rosas a retomar o movimento no estabelecimento. No restaurante Graciliano, na Zona Sul, a mudança foi também no formato. Há seis meses, o quilo custava R$ 64,90, incluindo aí a comida japonesa. Desde então, o Graciliano passou a cobrar R$ 49,90 sem os alimentos orientais, e R$ 69,90 para quem servir comida japonesa. A prática é comum em outras casas, que cobram itens a parte e com preço diferenciado ampliando o leque de opção para os consumidores como forma de manter a clientela.

Com a recessão e o desemprego em alta, a inflação salga a alimentação fora de casa. Segundo o Ipead, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da capital mineira fechou em 11,82%, o maior percentual dos últimos 12 anos. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta foi de 10, 67%, também a maior desde 2002. Segundo o instituto, o que mais pesou no bolso do brasileiro no ano passado foi o aumento de preços dos alimentos e das bebidas. De 8,03% em 2014, a taxa subiu para 12,03%. Não foi o aumento mais forte entre todos os tipos de gastos analisados pelo IBGE, mas seu peso é o maior no cálculo do IPCA. Ainda segundo o IBGE, o grupo alimentação e bebidas ficou em 9,69% mais caro nos últimos 12 meses.

 

Fonte: Estado de Minas * Para ler a matéria na íntegra, acesse o site.