12/01/2016 - O lado favorável do dólar em alta

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A desvalorização do real eleva os custos dos restaurantes, mas também inibe as viagens ao exterior e estimula o turismo interno

 

 

O dólar se manteve nas alturas em 2015. Desde março a moeda começou a registrar valores acima de R$3, chegando a ultrapassar, em setembro, o recorde histórico de R$4. Se por um lado sobem os valores dos produtos importados – e também os nacionais, que utilizam matéria-prima estrangeira e de outros custos - em contrapartida, a alta do dólar faz crescer o turismo interno no país, o que favorece os bares e restaurantes.

Com os destinos estrangeiros mais caros, a intenção em viajar pelo Brasil aumentou. Uma pesquisa do Ministério do Turismo (MTur), de setembro de 2015, revela que 77,6% dos brasileiros que pretendem viajar pelos próximos seis meses buscam destinos brasileiros. Este índice é o mais alto registrado para este período nos últimos cinco anos.

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, reconhece a importância que a gastronomia representa no turismo e o quanto impacta na economia do país. Para ele, as duas atividades ajudam-se mutuamente: “Estamos falando de uma mistura perfeita para incrementar a competitividade do destino Brasil no cenário mundial. Essa parceria é fundamental para ampliarmos oportunidades de crescimento, com serviços aperfeiçoados e turistas encantados com o que temos de melhor”.

De acordo com MTur, o número de viagens domésticas alcançou recorde histórico em 2014, chegando a 206 milhões - 2% maior do que em 2013 (201,7 milhões) -, sendo que 62 milhões foram de brasileiros viajando pelo país. A Copa do Mundo da FIFA foi um dos fatores que motivou as viagens internas no último ano e, com a chegada das Olimpíadas do Rio em 2016, o Ministério acredita que esses números vão aumentar no próximo ano. Com o mercado doméstico de viagens em alta, as 52 atividades econômicas ligadas ao turismo são diretamente beneficiadas, principalmente o setor de alimentação fora do lar.

Segundo pesquisa do Ministério, 93% dos estrangeiros avaliaram positivamente a alimentação e o atendimento que receberam nos bares e restaurantes brasileiros durante a Copa do Mundo. Para 2016, também são esperados resultados positivos.Para o professor de finanças do Ibmec/RJ, Gilberto Braga, além dos eventos esportivos e o dólar mais caro, os atentados terroristas contra a Europa também contribuem para que os brasileiros viajem menos para o exterior. O economista acredita que o otimismo do turismo no país pode ajudar a equilibrar o cenário para bares e restaurantes nos próximos meses.

 

Como o setor absorve a alta do dólar

Uma pesquisa de conjuntura econômica realizada pela Abrasel, em parceria com a Fispal, que avaliou o segundo trimestre de 2015 em comparação com o primeiro, mostra que os clientes estão buscando opções mais acessíveis, cortando bebidas, sobremesas e escolhendo pratos e restaurantes mais em conta. O estudo aponta que, enquanto os estabelecimentos com tíquete médio entre R$30 a R$70 tiveram uma queda de até 30% no faturamento, os com tíquetes abaixo de R$15 chegaram a faturar até 15% a mais. Os brasileiros estão sentindo no bolso a diferença nos preços de vários produtos consumidos no cotidiano, o que tem pesado no orçamento mensal.

Não são apenas os produtos importados que incorporam o reajuste da moeda norte-americana; outros itens produzidos dentro do país também são influenciados. Alguns ficaram mais caros por utilizarem matéria-prima estrangeira, como é o caso do pão francês e outras massas produzidas com farinha de trigo (cerca de metade do trigo consumido no país é importado). De acordo com Braga, os produtos importados, apesar da alta do dólar, são menos influenciados do que se supõe. “Os importadores anteciparam os fechamento de câmbio dos contêineres e amenizaram o aumento dos custos, como no caso dos vinhos, azeites e bacalhau, que são muito consumidos nesta época de fim de ano”. O problema é que, se foi possível amenizar o impacto do encarecimento dos produtos importados, o mesmo não ocorreu com os outros custos,como água, mão de obra e energia elétrica.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes edição 107 * Matéria na íntegra disponível na versão impressa.