11/01/2016 - Número de foliões em BH deve saltar 25%

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No setor de alimentação fora do lar, a expectativa é de 10% de crescimento em relação à 2015

 

 

O ressurgimento do Carnaval de rua em Belo Horizonte nos últimos anos colocou a Capital no roteiro da folia nacional e, aos poucos, vem se transformando em um produto turístico. Embora ainda muitos pontos causem polêmicas e o evento careça de maior profissionalização, as entidades do trade turístico se mostram otimistas e se preparam para receber um número crescente de visitantes atraído por uma folia marcada pelo desfile de blocos e participação ativa das famílias.

Mesmo sem a divulgação oficial do calendário pela Empresa Municipal de Turismo (Belotur), braço da prefeitura responsável pela estruturação e divulgação da festa, as entidades do trade turístico já estão “com o bloco na rua” em busca de estreitar parcerias e planejar a melhor forma de atender os foliões e lucrar durante o reinado de Momo.

A expectativa do presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB), Anderson Rocha, é otimista quanto ao sucesso do Carnaval na capital mineira. “São esperados cerca de 500 mil foliões de outras localidades mineiras e brasileiras, bem como de estrangeiros. O evento terá impacto econômico na cidade, gerando ocupação hoteleira, alimentação fora do lar, visita a atrativos na Capital e na Grande BH e, provavelmente, ser novamente reconhecido como o Carnaval mais alegre, familiar e seguro do País”, afirma Rocha. Caso a estimativa de público se confirme, o crescimento no número de foliões em 2016 na comparação com 2015, será de 25%, quando foram registrados 400 foliões.

O período carnavalesco em Belo Horizonte acontece entre 23 de janeiro e 16 de fevereiro. Segundo o secretário-executivo do BHC&VB, Hernani de Castro Júnior, o principal papel do Convention é facilitar as parcerias empresariais que darão estrutura para o perfeito atendimento aos turistas. “Já em agosto, tivemos um evento para discutir as potencialidades do Carnaval de Belo Horizonte. Este é um evento que abre o calendário da cidade para o turismo. Através dele aparecemos positivamente na mídia e pesquisas indicaram no ano passado que mais de 80% dos visitantes pretendiam voltar a visitar a Capital. Já fomos consultados por veículos de imprensa de outros estados sobre a programação e isso demonstra o interesse das pessoas em conhecer nosso Carnaval, que tem características próprias e é mais barato que outras cidades tradicionais”, avalia Castro Júnior.

 

Alimentação

O setor mais animado com a folia é o de alimentação fora do lar. Mesmo diante da crise econômica, o diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel em MG), Lucas Pêgo, tem como meta crescer 10% em faturamento e movimento em relação ao Carnaval de 2015. “É bom lembrar que estamos vindo de uma base muito forte. Em 2015, crescemos 30% na comparação com 2014. Com a alta do dólar e a instabilidade da economia, Belo Horizonte tende a reter seus moradores aqui. O fato da cidade ter ficado vazia no Réveillon também indica que mais gente vai ficar aqui durante a folia. Também devemos pensar que, até 2010, o Carnaval era uma época em que os bares e restaurantes davam folga para os colaboradores. Agora, quem não abre no período perde dinheiro. Teremos, inclusive, a contratação de temporários para o período”, disse Pêgo.

Mas nem tudo são flores. Para a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG), Patricia Coutinho, ainda falta investimento e profissionalização para dar ao Carnaval de Belo Horizonte o status de “produto turístico”. Junto com a Associação Brasileira dos Agentes de Viagem de Minas Gerais (Abav-MG) a entidade vai lançar, na próxima semana, os pacotes para a festa na Capital. A expectativa é conseguir uma ocupação média de 60%.

"Avalio que houve uma evolução muito grande, mas ainda tem trabalho a ser feito, especialmente quanto à divulgação. O Carnaval atrai pessoas do interior que ficam, geralmente, na casa de parentes e amigos, o que causa pouco efeito sobre a hotelaria. Precisamos pensar na diversificação das atrações e discutir seriamente a abertura do comércio durante o período. O visitante não vai pular Carnaval o tempo todo, então ele precisa que os atrativos estejam funcionando, como os museus, por exemplo”, defende Patricia Coutinho.

 

Comércio

No mesmo sentido argumenta o presidente do Conselho da Câmara dos Dirigentes Lojistas da Savassi (CDL-Savassi), Alessandro Runcini. A entidade congrega comerciantes da região que recebe o maior contingente de foliões na cidade. “O Carnaval é, sem dúvida, um evento positivo, mas que precisa ser organizado. Em reunião na Câmara Municipal, integrantes do trade e do poder público concordaram que a Savassi não deveria ser o palco de grandes eventos. Nos anos passados, vimos que grandes multidões trouxeram prejuízo e destruição. O que pedimos é que tenhamos um Carnaval de rua familiar, que caiba nas dimensões principalmente da praça. Também avaliamos positivamente a proposta de que o comércio fique aberto durante a festa. Isso faria com que outros setores aproveitassem o período além do de alimentação fora do lar”, avalia.

 

Fonte: Diário do Comércio