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Le Repas incentiva os clientes a usarem bicicleta; quem chegar com a magrela para almoçar no bistrô ganha, por cortesia da casa, um prato de saladas

 

 

Em um país como o Brasil, em que problemas como engarrafamentos, poluição atmosférica, estresse e acidentes de trânsito são comuns nas grandes cidades, discussões que consideram andar de bicicleta mais do que brincadeira de criança vêm ganhando força.Desde 2014, a cidade de São Paulo se destaca por apostar na ampliação da infraestrutura voltada para os ciclistas como uma solução para facilitar a mobilidade urbana. Alguns empresários de bares e restaurantes abraçaram a causa e incentivam a ideia, equipando os seus estabelecimentos para receber bem os clientes ciclistas.

É o caso de Fernanda Barros, chef e proprietária do Le Repas Bistrot, que instalou um paraciclo (suporte próprio para prender a bicicleta) em frente ao restaurante. Quem chega de bicicleta ao Le Repas, além de encontrar um estacionamento próprio para a magrela, é recepcionado gratuitamente com uma salada verde acompanhada com azeite de manjericão, prato saudável e atrativo para os ciclistas.

Localizado na região de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, o Le Repas é uma casa inspirada nos bistrôs franceses, desde o ambiente até os pratos. Fernanda Barros, apaixonada pela cultura francesa, tentou ao máximo criar um lugar aconchegante e agradável, ideal para encontrar pessoas, além de beber e comer bem. O nome em francês, que traduzido para o português vira “a refeição”, já adianta a origem do menu, em que estão incluídos clássicos da culinária francesa, como Couq au Vin, Cassoulet e Steak Tartare.

O paraciclo é um meio de oferecer mais conforto aos clientes ciclistas que, segundo Fernanda, gostaram da ideia: “Eles adoram, acham simpático e usam sempre”. A empresária decidiu criar o espaço para as bikes após sentir o aumento da demanda por esses na cidade. “Com a ampliação das ciclovias, o número de ciclistas em São Paulo aumentou, principalmente nos finais de semana”. Segundo pesquisa divulgada pelo Ibope em 2014, cerca de 261 mil paulistanos declararam se locomover de bicicleta diariamente. Foi um aumento de 50% em relação a 2013, quando o número de pessoas que disseram o mesmo foi 174 mil.

Para instalar os paraciclos Fernanda procurou a Ciclomídia, empresa especializada em vendas e instalação de estacionamentos para bicicletas. “Eles fazem um trabalho muito legal. Além da instalação, divulgam e apoiam as casas que possuem o paraciclo”, conta. Ao contratar os serviços da Ciclomídia, os estabelecimentos são listados como Bike Points e incluídos no mapa virtual criado pela empresa, além de serem destacados no site e em todas as redes sociais da organização.

A Ciclomídia, fundada em 2011, atende atualmente mais de 200 clientes, grande parte formada por empresários de bares, restaurantes e cafés. Eduardo Grigoletto, fundador e diretor da empresa, conta que a maior parte da demanda vem de estabelecimentos que têm ciclistas como clientes e que precisam ter onde estacionar suas bikes de uma forma legal e organizada. Um paraciclo instalado pela Ciclomídia custa R$ 450,00. Grigoletto afirma que é um investimento baixo se comparado ao preço de um estacionamento para carros, dado que o espaço necessário para um veículo é suficiente para 10 bicicletas.

Ele defende que a iniciativa ajuda também no desenvolvimento do transporte sustentável e de uma cidade mais humanizada para todos. “Ao implantar um espaço para as bicicletas, o empreendedor passa a atender a uma nova demanda, aumentando sua receita de faturamento, e agrega um valor socioambiental para seu negócio”. Fernanda Barros, do Le Repas, concorda: “As ciclovias geram maior mobilidade para os paulistanos, aumentando o número de pessoas andando nas ruas. Penso que nós, donos de restaurantes e bares, podemos ajudar propiciando estacionamentos para as magrelas. Mais do que uma vantagem financeira, é um gesto de gentileza urbana”.

 

Prefeitura de São Paulo incentiva paraciclos

No dia 3 de junho, foi publicado no site da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET), o documento com a resolução da Portaria 47/15, que regulamenta a instalação de paraciclos em espaços de ocupação pública. Agora, qualquer paulistano pode instalar o equipamento na calçada de sua propriedade sem depender da autorização do poder público. A instalação das estruturas, que poderão ser livremente utilizadas por qualquer pessoa, deverá seguir as recomendações do manual disponibilizado online pela CET. A medida visa aumentar a quantidade de lugares para estacionar as bikes, especialmente nas proximidades das ciclovias, e em locais próximos a grandes polos de atratividade, como comércios, escolas, bares, cinemas e bibliotecas.

Atualmente, São Paulo tem 5.115 vagas de estacionamentos para bicicletas integradas às estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), ao Metrô e aos terminais da SPTrans, sendo 192 em paraciclos e 4.923 em bicicletários. Os paraciclos e bicicletários diferem entre si porque os primeiros são estruturas isoladas, pensadas para estacionamento a curto e médio prazo e estão em locais públicos sem controle de acesso, enquanto os últimos são caracterizados por abrigarem mais de um paraciclo, e serem pensados para estacionar a longo prazo, podendo ser cobertos ou não, públicos ou privados.

Desde 2014, a Prefeitura de São Paulo investe na ampliação das pistas exclusivas para bicicletas na cidade, baseada nos modelos de metrópoles como Amsterdam, Berlim e Nova York. A capital paulista tem hoje a terceira maior malha cicloviária do país, com 298,6 Km. Em primeiro lugar está Brasília, com 440 Km e, em segundo, o Rio de Janeiro, com 374 Km. A meta da prefeitura paulistana é entregar 400 Km até o final de 2015.

A iniciativa é parte do Plano de Mobilidade de São Paulo (PlanMob) e visa estimular o uso das bikes como meio de transporte diário, contribuindo para a melhoria da mobilidade urbana e da qualidade de vida da população. Embora o projeto venha enfrentando resistência por uma parcela da população paulistana - segundo pesquisa divulgada pelo DataFolha em fevereiro, 27% dos habitantes da cidade desaprovam a ampliação das ciclovias - a existência da infraestrutura própria para bicicletas beneficia o crescente número de ciclistas de São Paulo.

Fernanda Barros, que instalou o paraciclo no Le Repas também por interesse pessoal, pois ela e os amigos frequentemente chegam ao restaurante pedalando, se posiciona a favor das obras. “Eu acho um assunto relevante para sociedade civil, e fico esperançosa com as pessoas que estão tentando fazer o uso de bicicletas e ciclovias parte da nossa cidade. Eu vou trabalhar de bike vários dias da semana, mas confesso que onde não tem ciclovia tenho um pouco de receio. Nos finais de semana ando com a minha filha na cadeirinha. É uma delicia e é seguro, já que só ando nas ciclovias”.

 

*Com contribuição de Karine Silva

Bares

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 106 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa