20/04/12 - Faturamento de casas noturnas e bares cresceu 15% em dois anos

Três vezes por semana, o nutricionista Lucas Ferraz, 24, se dedica a um ritual. Começa a noite em algum restaurante ou lanchonete e estica em uma casa noturna. Em vez da pista de dança lotada, ele segue com a namorada e os amigos para um camarote. Prefere bebericar tranquilamente enquanto observa o movimento.

As rondas de Lucas consomem até 30% de seu salário -ele já chegou a gastar R$ 1.000 em uma única noite com a namorada. "Em São Paulo, tem coisa para fazer toda noite. Você pode sair todos os dias da semana e não repetir o programa", diz.

Lucas não é um tipo incomum numa cidade cujo faturamento de restaurantes, bares e casas noturnas cresceu cerca de 15% nos últimos dois anos. No Estado de São Paulo, esse montante subiu até mais, de aproximadamente R$ 37,5 milhões, em 2009, para R$ 46 milhões no ano passado, segundo estimativa da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

A tendência é que essa febre continue. "A cada ano esses números aumentam, acompanhando o crescimento do país", diz Joaquim Saraiva de Almeida, presidente da entidade.

Com isso, São Paulo já é a segunda cidade do mundo com o maior número de estabelecimentos do gênero. Perde para Nova York. Aqui, são cerca de 13 mil restaurantes, 15 mil bares e 2.000 casas noturnas.

De fato, quem circula pela Vila Madalena, Consolação e outras regiões boêmias já notou: as opções de baladas, bares e restaurantes não param de crescer, turbinadas pelo bom momento econômico do país e pela vocação natural para a gastronomia.

Fundado há cinco anos, o grupo Clash é exemplo dessa expansão. Começou com a casa noturna de mesmo nome, na Barra Funda -um investimento de R$ 1 milhão, que faturou R$ 3 milhões no primeiro ano de funcionamento.

Desde então, o grupo acrescentou três casas à cartela de negócios: o clube Lab (aberto há um ano e meio na região da Augusta), o restaurante espanhol Donostia (em atividade desde meados do ano passado, em Pinheiros) e uma lanchonete na Augusta. Somados os lucros com o serviço de "catering" e o aluguel dos espaços para eventos, o resultado foi um faturamento de R$ 11 milhões no ano passado. "Estamos sempre pensando em novos negócios, em formas de diversificar o investimento", diz Bruno Ferraro, diretor financeiro do grupo.

 

CUSTOS ALTOS

Mesmo com indicadores positivos, a Abrasel reclama de falta de incentivos. "Temos os custos mais altos do país. Aluguel e folha de pagamento são mais caros aqui do que em qualquer outra cidade brasileira", queixa-se Joaquim Saraiva.

O professor de economia da FGV (Fundação Getulio Vargas) Samy Dana vai além. "São Paulo chegou a patamares de custo semelhantes a metrópoles como Nova York, Paris e Londres", observa. "Mas temos algumas vantagens. A cidade é muito grande, com vários nichos de preços e público para os mais diferentes tipos de empreendimentos. As pessoas fazem grandes deslocamentos de casa para o trabalho e, no caminho, aproveitam para fazer uma happy hour ou para jantar até o trânsito diminuir. Tem muita gente que mora sozinha e come fora diariamente", afirma.

 

TURISTAS

Além dos paulistanos, os turistas e visitantes de negócios engrossam as filas nas portas dos clubes e restaurantes. A vida noturna é um dos principais motivos que faz um visitante estender a sua estadia na cidade.

Há cinco anos, a SP Turis, da prefeitura, realiza uma pesquisa sobre esse comportamento. No ano passado, 21% dos visitantes decidiram ficar mais tempo na cidade para ir a casas noturnas e 17% para aproveitar os restaurantes. "Para o nosso trabalho de promoção, os restaurantes e as casas noturnas são fundamentais. Aqui, há do eletrônico ao sertanejo, de botecos supertradicionais a restaurantes de reconhecimento internacional. É o grande diferencial da cidade", diz Luciane Leite, diretora de turismo e entretenimento da SP Turis.

A perspectiva é de um crescimento cada vez maior com a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas. "O nosso desafio é capacitar os trabalhadores da área para receber o turista estrangeiro", diz Joaquim Saraiva.

 

Fonte: Folha.com