30/11/2015 - Informar para conservar

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Parceria entre Abrasel e WWF-Brasil incentiva o consumo consciente do pescado, qualifica e empondera comunidades pesqueiras de SP

 

O ditado já diz: “melhor que dar o peixe, é ensinar a pescar”. Nas comunidades de pesca artesanal do litoral norte de São Paulo, a história é um pouco diferente – o ofício já faz parte da rotina, que muitas vezes começa ainda na infância acompanhando pais, mães e tios mar adentro. O que esses pescadores estão aprendendo agora é como melhorar esse trabalho, ou seja, como preservar e agregar valor ao pescado que entra nas redes todos os dias. Uma oficina de qualificação ministrada em agosto, pelo chef caiçara Eudes Assis, teve participação de 25 pescadores de Ubatuba – a ação fez parte da campanha “Do Mar à Mesa”, iniciativa do WWF-Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

O objetivo da oficina, segundo o próprio chef, foi ensinar os pescadores a aumentarem a qualidade do produto e criar canais de relacionamento direto com os restauranters. “É importante que eles aprimorem os processos e tenham esse contato direto com o chef, evitando a interferência dos atravessadores”, reforça Eudes.

Ele explicou que, durante a oficina, foi abordada desde a maneira correta de tirar o peixe da rede, de fazer a limpeza, da importância da segurança dos alimentos, da melhor forma de armazenamento até o contato com os restaurantes e o uso de mídias sociais para incrementar a divulgação dos produtos. “Hoje o pescador vem com um barco cheio de pescado e o atravessador compra tudo para depois vender até oito vezes mais caro. Agora, se esse pescador chega com o produto fresco, tira uma foto e divulga para um grupo de chefs e empresários, ele incrementa a chances de venda, torna seu produto atrativo. Eu mesmo saio correndo para comprar o pescado fresco de qualidade”, comenta Eudes, que comanda o restaurante Taioba, em São Sebastião (SP).

Um dos participantes do curso foi o pescador João Batista de Jesus, mais conhecido como Iko. Na família, mais três irmãos vivem da pesca, além da sua esposa, que, segundo ele, cuida dos mariscos. Iko conta que participou das três reuniões promovidas no âmbito do projeto “Do Mar à Mesa”. “Ninguém nasce sabendo tudo e queria aprender”, analisa ele, que hoje tem 53 anos, mas começou no ofício aos 11, acompanhando o pai.

Ele diz que após a oficina, as coisas melhoraram. “Agora temos para quem vender, já negociamos direto com os restaurantes. Vou montar uma peixaria, aprendi a estocar. Meu plano é vender para outras cidades”, conta. Sobre a relação de simbiose entre as comunidades de pesca artesanal e os empresários, ele comenta: “A gente está ganhando mais, sem explorar o restaurante. Ganhamos mais e o restaurante economiza, porque já não tem mais o atravessador. Está saindo muito marisco e pescados que a gente não vendia. Eles diversificaram as receitas”.

Conscientização – Outro benefício da oficina foi informar aos pescadores e aos restaurantes, por meio de uma cartilha, sobre as espécies de pescado ameaçadas na costa paulista e que, portanto, devem ter comercialização e consumo evitados. O documento mostra também quais peixes, moluscos e crustáceos estão com o estoque preservado e podem ser consumidos de maneira consciente. A cartilha separa as espécies em três categorias: “Bom apetite”, “Coma com Moderação” e “Evite”.

Para a coordenadora do Programa Marinho do WWF-Brasil, Anna Carolina Lobo, divulgar as espécies ameaçadas entre pescadores, chefs e consumidores é fundamental. “Uma das principais razões para haver a oferta de espécies ameaçadas, como garoupa, pargo e tantos outros, é a existência da demanda por elas. A partir daí uma reação em cadeia negativa é desenvolvida, onde a demanda acaba sendo conivente com a pesca predatória, a pesca ilegal, a sobreexploração, e outras ações não-sustentáveis”, avalia.

Para ela, sensibilizar os três atores (pescador, chef e consumidor) é fundamental para garantir a preservação dessas espécies. “É justamente este um dos nossos objetivos, ampliar a conscientização da população para a conservação ambiental, neste caso envolvendo o consumo de pescado sustentável”, conclui.

Negócios - Para a Abrasel, qualificar os pescadores e estreitar o relacionamento fornecedor-restaurante é fundamental. “Para as comunidades de pesca artesanal, significa mais poder de negociação, o que aumenta a renda e pode deixar o negócio mais profissional e os produtos melhores. Para o restaurante isso se traduz num produto de mais qualidade na cozinha, os pratos ganham mais sabor, o consumidor fica mais satisfeito.”, analisa o diretor executivo da Abrasel, Gustavo Timo.

Para saber mais sobre a campanha “Do Mar à Mesa” acesse www.abrasel.com.br/domaramesa