30/11/2015 - O turismo é a maior indústria do planeta", diz Vinícius Lummertz durante evento em SC

CLIPPING - NOTÍCIAS DOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DO PAÍS

 

“É preciso a conscientização de todos de que a era do turismo chegou”. A frase do presidente da Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo), Vinícius Lummertz, evidencia uma realidade cada vez mais presente em Santa Catarina: o turismo é uma das forças que movem o Estado. Mas ainda é preciso investir mais no segmento, tanto aqui quanto no resto do país para atrair o turista internacional.

Para discutir as peculiaridades que tornam Santa Catarina um Estado diferenciado, a RICTV Record promoveu na última quinta-feira (26), em Florianópolis, com a presença do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, a primeira edição do Ciclo de Fóruns “Como Santa Catarina é diferente em relação ao Brasil?”. Em 2016, com apoio da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e do Grupo RIC, oito fóruns devem ser realizados com a presença de ministros para tocar em assuntos em que SC se destaca.

Para Lummertz, turismo e gastronomia andam juntos e Santa Catarina tem inovado neste ramo: “As pessoas viajam para comer, não para se alimentar, mas pela experiência olfativa, gustativa e cultural que a gastronomia representa como ícone. Houve uma revolução da gastronomia em Florianópolis e está havendo em Balneário Camboriú. Isso sofistica o destino e melhora a capacidade de turismo de receber uma clientela mais sofisticada e que gasta mais”.

Lummertz considera o turismo  “a maior indústria do planeta”. Segundo ele, os Estados Unidos buscam receber 100 milhões de turistas internacionais, enquanto nós temos 6,4 milhões. “Temos que buscar 10, 20 milhões. Não podemos abrir mão do turismo”, diz. Para isso, é preciso desenvolver, por exemplo, o setor náutico, cruzeiros, parques naturais e a infraestrutura de aeroportos.

Nos próximos meses, outros temas relevantes para Santa Catarina devem ser discutidos com ministros no Estado, como a agricultura e a previdência, por exemplo. Segundo Marcello Corrêa Petrelli, presidente executivo do Grupo RIC SC, este é o propósito do Grupo: formar opinião, informar e trazer pautas positivas. “A gente sabe que precisa falar de crise, dificuldade, questão econômica. E a ideia é trazer grandes autoridades para falar que nós somos diferenciais e referenciais”, diz Petrelli.

A Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) e a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) em Santa Catarina participaram do painel que debateu os entraves para o desenvolvimento do setor. Enquanto a Fiesc criticou a infraestrutura de transporte e logística, a Abrasel pediu mais flexibilização das leis trabalhistas e a regulamentação dos 10% pagos hoje espontaneamente pela taxa de serviço.

Setor é “desrespeitado”, diz ministro

O ministro do Turismo, Henrique Alves (PMDB) defendeu, durante o evento, a inclusão do turismo na agenda política e econômica do país. Em tom crítico, Alves disse que o setor é “desrespeitado” e “desvalorizado” no Brasil, a começar pelo pouco recurso público destinado à pasta.

“Nosso ministério é o mais pobre. Enquanto no México se destina US$ 450 milhões para divulgação e promoção do turismo, na Colômbia e Equador

US$ 95 milhões, na Argentina US$ 58 milhões, no Brasil temos US$ 28 milhões. É desrespeitoso”, afirmou. “Há um preconceito com o turismo. É visto como um oba-oba, quando na verdade o setor permeia outras 52 atividades, emprega 3 milhões de pessoas e movimenta US$ 7 bilhões por ano”, afirma.

Junto com as críticas do ministro vieram as soluções. Para Alves, as cidades, os Estados e o país precisam divulgar e promover melhor o turismo como aposta para o desenvolvimento. O ministro citou o colega da Fazenda, Joaquim Levy, que indica dois caminhos para a volta do crescimento brasileiro: substituição das importações e incentivo ao turismo. “Para compararmos: o mesmo número de turistas que fotografou a Torre Eiffel [Paris] no ano passado é o que veio em todas as regiões do Brasil: 6 milhões. Ou eles fazem certo demais ou, o que estou achando, estamos fazendo errado demais”.

Neste aspecto, Alves trouxe a realidade ao Estado. Ao apontar a precariedade do Aeroporto Hercílio Luz, “se é que podemos chamar de aeroporto”, disse ele, e a falta de marinas e transatlânticos, o ministro cobrou ações. “Precisamos mostrar nossas riquezas. Em todo o canto temos uma prática turística. Cadê as marinas, os transatlânticos, a estrutura para embarcações internacionais em Florianópolis? Vim duas vezes aqui e não vi ostras, espero provar na próxima”.

Henrique anunciou três medidas para impulsionar o turismo. A primeira já é lei. O Brasil vai isentar o visto para estrangeiros durante as Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro. A isenção será de 90 dias, 50 a mais do período dos jogos e valerá para quaisquer países. A portaria que regulamentará o assunto  será discutida em janeiro.

Outra ação proposta é uma medida provisória para criar áreas especiais de interesse turístico, com legislação diferenciada e carga tributária reduzida. “Nossas praias dão de dez a zero na de Cancún, no México, mas enquanto movimentamos US$ 7 bilhões por ano, Cancún gira US$ 11 bilhões. O México só tem 22 quilômetros de praia e Cancún é apenas uma das 17”.

A terceira medida defendida é a liberação dos cassinos, acompanhando 157 países dos 196 da ONU onde a prática é legalizada. “Os casinos stabelecem renda, empregos e turistas”, acredita o ministro.

 

Fonte: Notícias do Dia *Para ler na íntegra acesse o site do ND