19/11/2015 - Crise traz oportunidades, diz economista Ricardo Amorim, no Encontro de Valor ABAD

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Diante de um cenário de desvalorização de ativos e baixa confiança nas áreas política e econômica, o debate ressaltou a importância de atentar para as oportunidades de investimento e para a necessidade do engajamento do empresariado nas questões cruciais para o país.

 

Em evento realizado pela Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (ABAD), com cerca de 400 participantes no Espaço Fecomércio, em São Paulo, na última segunda-feira (16), o economista Ricardo Amorim abriu o Painel Político-Econômico afirmando que, diferentemente de outros analistas, vê grandes chances de vigorosa recuperação econômica nos próximos três ou quatro trimestres. O debate integrou a programação do Encontro de Valor ABAD, que reuniu indústria, agentes de distribuição, parlamentares e entidades para debater estratégias que devem nortear os negócios da cadeia de abastecimento do Canal Indireto em 2016.

Analisando a conjuntura econômica das últimas décadas, Amorim disse que vê semelhanças com outros momentos, quando uma crise profunda antecedeu períodos de grande crescimento. Ele ressaltou que o cenário atual, com ativos desvalorizados pela crise, traz oportunidades de investimentos que poderão trazer excelente retorno assim que a confiança voltar e forem feitos os ajustes necessários nas contas públicas.

“Para destravar o desenvolvimento do país, é preciso reduzir o tamanho do estado, reduzir a carta tributária e melhorar a alocação de recursos”, disse Amorim.

Os parlamentares presentes no painel, senador Douglas Cintra e deputado federal Laércio Oliveira, respectivamente presidente e 1º vice-presidente da Frente Parlamentar Mista dos Agentes de Abastecimento do Pequeno e Médio Varejo, fizeram considerações acerca da crise e concordaram que o aspecto político se sobrepõe ao econômico.

O senador Douglas Cintra também considera que o principal problema não está no governo, mas sim no Congresso, que vem aprovando leis que dificultam o crescimento econômico, muitas vezes por razões partidárias. A partir de sua experiência como empresário, ele lamenta que hoje não se chegue a um consenso sobre as soluções que poderiam impulsionar a recuperação do país. Contudo, ele acredita que a tensão política está chegando ao limite e que um novo caminho deve surgir, com ou sem a presidente Dilma Rousseff.

O deputado Laércio Oliveira chamou atenção para o grande número de empresas que hoje enfrentam recuperação judicial, bem superior ao número registrado na crise de 2008, um forte sintoma da atual falta de confiança no Brasil. Para ele, deveria haver mais empresários senadores, deputados e ministros, porque eles sabem das dificuldades que atingem o setor produtivo.

Mesmo que não concorram a cargos, pondera o deputado, os empresários precisam rever a importância do voto, além de se envolver de forma mais ativa nas questões políticas, de modo a pressionar, de forma legítima, por leis mais adequadas às necessidades da sociedade, assim como é preciso que o governo repense os modelos políticos e econômicos do país: “Precisamos pensar um Brasil diferente”, afirmou.

O presidente da ABAD, José do Egito Frota Lopes Filho, presente no debate, lembrou que a ABAD, associada a outras seis entidades setoriais, faz parte da UNECS – União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços, criada justamente para incrementar a participação desses setores na elaboração e aprovação de leis que afetam as empresas por eles representadas.

Ele também ressaltou a importância do engajamento do empresariado, que deve apoiar-se na importância econômica dos setores de comércio e serviços para cobrar do Congresso leis capazes de destravar o desenvolvimento econômico, com destaque para a questão da simplificação dos tributos, uma medida essencial que beneficiaria toda a economia.

As entidades que integram a UNECS – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), Associação Nacional de Materiais de Construção (ANAMACO), Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (ALSHOP), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) – representam setores que, somados, atingem faturamento de R$ 817,9 bilhões, ou 16,1% do PIB. Esses números equivalem a 83,7% das vendas da indústria de alimentos e bebidas, 100% das vendas do food service e 64,9% das operações com cartão de crédito e débito no Brasil. Juntos, os setores que compõem a nova entidade são responsáveis por 9,91 milhões de empregos, o equivalente a 20,3% das vagas formais do país.

 

Fonte: Abras