09/11/2015 - Restaurantes resistem à crise em Brasília

CLIPPING - NOTÍCIAS DOS PRINCIPAIS VEÍCULOS DO PAÍS

 

Sem abrir mão do hábito de comer fora, clientes diminuem em itens, como bebidas e entradas. Já os donos das casas driblam momento ruim da economia com criatividade e cortes em custos

 

O cartão de crédito corporativo permite a Cristiano Goulart, 39 anos, frequentar qualquer restaurante de Brasília. Semanalmente, o empresário convida os clientes para almoços e jantares, gastando, no mínimo, R$ 150 por pessoa. Ele não é o único. Comer fora de casa é um costume arraigado entre os hábitos do brasiliense. Nem a crise financeira e a inflação alta afastam a clientela dos estabelecimentos. Entre janeiro e outubro deste ano, quem preferiu sentar-se à mesa em vez de encarar o fogão gastou 8,96% a mais do que em 2014. Mas a capital continua sendo o terceiro polo gastronômico do país, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

No Lago Sul, região administrativa com a maior renda do Distrito Federal, os cardápios tiveram alta de até 40%, quase cinco vezes mais que a inflação calculada pelo IBGE. Na Asa Sul, segundo bairro mais rico, o menu subiu, em média, 20%. Uma explicação para a disparada dos preços é a alta do dólar, moeda usada para pagar fornecedores. Mas, alguns clientes, como Cristiano, sentem-se à vontade para continuar servindo-se fartamente de comes e bebes, às vezes, importados. “Fecho bons negócios nos encontros. Então, o lucro proveniente deles paga a conta”, conta, em pausa para a entrevista, durante almoço com o também empresário Diogo Fernandes, 37, no restaurante Dudu Bar (303 Sul).

Para o dono da casa, o chef Dudu Camargo, cuja cozinha teve dígitos majorados recentemente, os habitués permanecem. “Não posso reclamar, porque o meu cliente é fiel. Trabalho com um tipo de alimentação diferente, não apenas para sustentar o corpo”, argumenta. Um risoto de camarão com aspargos frescos e queijo francês, antigamente comprado por pouco mais de R$ 80, está R$ 20 mais caro no Dudu Bar. “Além de a matéria-prima vir do outro lado do mundo e ser paga em um dinheiro que vale bem mais que o nosso, o comércio está sendo taxado com quantias absurdas em tributos como água e luz”, acrescenta o chef.

Se, em Brasília, as coisas vão muito bem, obrigado, o mesmo não pode ser dito sobre a pizzaria do chef no Rio de Janeiro. “Lá, sim, observamos uma queda de 30% no faturamento”, conta Dudu. Professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli acredita que o aumento no custo dos pratos tem como principal causa o fato de a moeda brasileira ter perdido força. Portanto, ressalta, o poder de compra está menor. “Nesses locais, considerados de alto padrão, você gasta mais para oferecer o mesmo que oferecia a pouco tempo. Quem está disposto a pagar a diferença não deixou de consumir”, explica.

 

Fonte: Correio Braziliense *Para ler na íntegra, visite o site do Correio