06/11/2015 - A priorização do setor de bares e restaurantes é estratégica

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Entrevista publicada no Boletim CervBrasil em outubro/2015

 

O Brasil tem 6,4 milhões de estabelecimentos empresariais, a maior parte deles micro e pequenas empresas. Estima-se que haja um total de um milhão de bares e restaurantes em todo território nacional e emprega 6 milhões de pessoas. Além disso, o hábito de alimentação fora de casa é cada vez mais crescente e corresponde a 30% dos gastos dos brasileiros com alimentos.

É nesse cenário que a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) comanda um setor que representa 2,7% do PIB brasileiro. E tem o seu presidente executivo, Paulo Solmucci Júnior, como maior defensor no que chama “descomplicação da vida” de donos de bares e restaurantes.

A priorização do setor de bares e restaurantes, no projeto de se melhorar o ambiente de negócios em todo o país, é inegavelmente estratégica. Ao fazer isso, o país terá feito uma pacífica revolução na sua cultura empreendedora. Isso significará o florescimento de um setor que hoje representa 16% do total das empresas brasileiras”, afirma.

Para saber mais sobre a atuação da Abrasel e o momento de um setor tão estratégico, BOLETIM CERVBRASIL fez uma entrevista exclusiva com Solmucci, que pode ser lida a seguir.

 

Quais são as medidas que o setor de bares e restaurantes está tomando para enfrentar a crise econômica? É um momento de retração? Quais os dados mais recentes sobre este momento?

O momento atual é muito desafiador para o empresariado, mas embora o setor enfrente uma retração da ordem de 6%, ela não atinge a todos da mesma forma.

As empresas com tíquete por cliente entre 30 e 70 reais estão registrando queda de faturamento que chegam à 30%. Já aquelas com tíquete por cliente abaixo de 20 reais estão estáveis ou até crescendo bem, como as que tem tíquete menos que 15 reais, que estão crescendo até 15%. Fazer a travessia por este momento que irá marcar também o próximo ano exigirá ganhos de produtividade e muita parceria com os fornecedores.

 

Como o setor encara as novas leis que estão sendo implementadas – a exemplo do sal sobre a mesa – e qual a possível implicação que elas podem promover ao setor?

O país passa por uma onda de excessiva regulação, a grande maioria estúpida como a do sal sobre a mesa. O resultado disso é um custo elevado e, consequentemente, preços altos, baixa rentabilidade e muita insegurança jurídica.

No final perde toda a sociedade, com consumidores reclamando com razão dos preços, empresas fechando e empregos sendo eliminados.

Os aplicativos de pedido on-line são uma nova tendência que o consumidor parece abraçar pela comodidade. A tecnologia, neste caso, ajuda ou atrapalha o setor.

Toda tecnologia que aproxima o consumidor do setor é muito bem vinda e os pedidos online são um ótimo exemplo.

 

Como o setor tem encarado a alta de preços dos alimentos e de outros itens essenciais como energia e gasolina. Medidas estão sendo tomadas?

Os aumentos de custos, especialmente os acima da inflação, são muito inconvenientes, pois a capacidade do setor de repassá-los para o consumidor está esgotada. Absorvê-los também é uma impossibilidade uma vez que a rentabilidade do setor despencou.

Dentro deste contexto, resta uma busca obcecada por redução de custo operacional e pelo menor repasse possível para os consumidores.

Desafio nada trivial que, infelizmente, fará com que muitos estabelecimentos fechem as portas.

 

O que o setor espera para 2016?

A nossa expectativa para 2016 é que o sofrido ajuste ao novo cenário se encerre até o primeiro quadrimestre e que a partir de maio novos ventos venham a animar o setor.

 

Fonte: Boletim CervBrasil *Para ler na íntegra acesse o site