20/10/2015 - Um mercado em expansão

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Mercado de franquias cresce no Brasil e Setor de Alimentação Fora do Lar está entre os que mais contribuem para este sucesso

 

O mercado de franquias no Brasil cresceu. Foi o que apontou a Pesquisa de Desempenho Trimestral do Franchising da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Segundo o estudo, no primeiro trimestre de 2015, o faturamento nominal do setor teve uma elevação de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor de alimentação, que atualmente é um dos mais expressivos e consolidados do franchising brasileiro, se reafirmou como um âncora do meio e cresceu mais do que o próprio franchising, com 14% de aumento do faturamento.

Junto a esta expansão, aumentou também a procura por empresas de consultoria. Em meio a mudanças econômicas e a consumidores cada vez mais seletivos, as trocas de conhecimentos práticos, que são base do sistema de franquias, adquirem importância ainda maior. As consultorias, além de auxiliar nos processos de organização e planejamento da expansão, são dotadas de um know-how valioso para situar os empresários neste mercado.

Em função disso, os proprietários da Dot Chicken, em Belo Horizonte, e do Boteco Natalício, em Porto Alegre, contrataram os serviços da Saffi Consultoria, empresa especializada em gestão de negócios e em franchising que atua em todo o país. “Um dos desafios no estágio inicial da expansão por franchising é que o empreendedor entenda que ele não concorre mais somente com outras lojas, mas com outras redes de franquias”, afirma Guilherme Lima, consultor da Saffi.

Luiz Henrique Moreira, proprietário da rede Dot Chicken, especializada em pratos a base de frango, procurou a consultoria no final de 2014. Ele é investidor da bolsa de valores e diz que vislumbrou o mercado da alimentação como um bom setor para investir em épocas de crise. Desde 2012, quando inaugurou o seu primeiro restaurante, no bairro Dona Clara, em Belo Horizonte, Moreira pretendia expandir os negócios.“Queria agregar o conjunto de conhecimentos e habilidades (a expertise) de uma empresa de consultoria para produzir um material de alto nível”.

A situação do Boteco Natalício foi diferente. O proprietário, Eduardo Natalício, decidiu expandir seus negócios posteriormente à abertura, diante do sucesso em Porto Alegre (RS). O Natalício é referência na capital gaúcha e já recebeu vários prêmios, como os da Veja Comer&Beber de melhor cozinha, melhor boteco e melhor happy hour. Atualmente, estão na cidade a matriz e mais duas unidades do restaurante dirigidas por Eduardo, além da primeira franquia, inaugurada em julho deste ano.

Diante à singularidade do Natalício, um dos botecos expoentes da capital gaúcha, a manutenção da qualidade dos serviços e dos produtos no processo de replicação é uma das preocupações do proprietário. De acordo com Renan Ribeiro, consultor da Saffi e um dos responsáveis pelo planejamento da expansão do empreendimento, a solução encontrada foi selecionar os franqueados de forma bastante criteriosa. “O Natalício precisa de um dono, e não apenas de um sócioinvestidor”.

A atuação nacional da Saffi é benéfica tanto para o Boteco Natalício como para a Dot Chicken, que pretendem expandir-se para outros estados. A consultoria poderá auxiliar tanto no aumento da influência das marcas, quanto no acompanhamento das franquias pelo país. O crescimento de ambas será em espiral: primeiro em áreas próximas à matriz e depois em outros estados e regiões. O modelo possibilita que as marcas se fortaleçam inicialmente a níveis regionais para depois se expandirem por todo o território brasileiro.

 

Segundo Rogério Saffi, presidente da Saffi Consultoria, cerca de 70% das demandas que surgiram em 2014 na empresa vieram do setor de alimentação

 

Mudança de hábitos

Apesar da ampliação da Dot Chicken estar em processo de formatação, Luiz Moreira conta que a sua principal aposta será no serviço de entrega em domicílio (delivery). “Para poupar sem perder na qualidade da alimentação, as pessoas procuram por alternativas mais econômicas, como comer em casa”, diz.

Investir neste protótipo irá implicar na aplicação de um capital entre R$ 100 mil e R$ 120 mil. É o modelo mais barato entre os três que ele ofertará. As lojas de rua custarão entre R$ 180 mil e R$ 300 mil, e as de shopping em torno de R$ 250 mil.

Dados da Pesquisa Setorial ABF Food Service divulgada em 2015 mostram que o delivery representa 7% das franquias nacionais, ficando atrás das  franquias de serviço completo (19%) e das de serviço rápido tradicional - fast food (62%). Segundo João Baptista da Silva Júnior, coordenador do setor de alimentação da ABF, este último segmento, que tem cada vez mais franquias, se beneficia da diminuição do poder aquisitivo dos brasileiros. “A relação custo-benefício oferecida pelas redes de comida rápida permite a migração dos consumidores, que já conhecem e confiam nas marcas”.

 

Demanda elevada

Segundo a Pesquisa de Desempenho Trimestral do Franchising, as redes de food service foram responsáveis pela geração de mais de 158 mil postos de trabalho criados em 2014, o equivalente a 2% dos mais de 1 milhão de empregos diretos gerados pelo franchising durante o ano. O crescimento do faturamento do setor de alimentação, que esteve entre os maiores e superou inclusive o do próprio franchising, mostrou como a alimentação segue como um dos principais carros-chefes do meio.

João Baptista, da ABF, destaca que os bons resultados não vêm somente do aumento de faturamento dos restaurantes já estabelecidos, mas também da abertura de novas lojas franqueadas. Segundo Rogério Saffi, presidente da Saffi Consultoria, cerca de 70% das demandas que surgiram em 2014 na empresa vieram do setor de alimentação. Investir em novos negócios torna-se mais arriscado diante à desvalorização do dinheiro dos brasileiros, que estão cada vez mais cautelosos para consumir.

 

Fonte: Revista Bares & Restaurantes nº 105 *Matéria na íntegra disponível na versão impressa