19/10/2015 - Pela primeira vez, uma mulher é a vencedora do Bocuse D’Or Brasil

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A etapa nacional do concurco gastronômico Bocuse D’Or aconteceu dentro do Sirha Rio - feira de negócios francesa que aconteceu pela primeira vez no Brasil desde a última quarta-feira, 14. O encerramento culminou, na sexta (17), na premiação de Giovanna Grossi, 23 anos, de Maceió (AL), como a candidata que representará o País na etapa latina, em 2016, desta que é considerada a Copa do Mundo da gastronomia. É a primeira vez que uma mulher é a campeã da edição brasileira.

Para Laurent Suaudeau, presidente do Bocuse D’Or Brasil, que é realizado pela multinacional francesa GL Events, é um privilégio receber o Sirha no Brasil, mas o governo brasileiro deve investir mais na área. “Talvez o governo brasileiro venha a se tocar da importância de se investir na gastronomia. Infelizmente, o olhar das autoridades é de que isso é coisa de bacana. E não é. Está na hora de eles acordarem.”

Durante dois dias, oito candidatos foram avaliados por um júri composto por dez dos maiores chefs do Brasil, entre eles Alex Atala, presidente do júri, e Roberta Sudbrack, recém-eleita a melhor chef mulher da América Latina no ranking do 50 Best.

Foram quatro candidatos por dia e a arena ficou cheia. A organização do evento disse ter recebido mais de 9.000 visitantes nos três dias.

 

A dinâmica da competição. Os oito candidatos (3 de São Paulo, 2 do Rio, 2 de Brasília e 1 de Maceió) foram selecionados às cegas a partir de receitas, uma de peixe e uma de carne, com dois ingredientes obrigatórios nos acompanhamentos: chuchu e ora-pro-nóbis. O peixe era pescadinha e a carne, miolo de alcatra.

“Fiquei intimidada no começo porque todos os outros chefs são muito mais velhos, mas entrei no concurso de cara. Quis mostrar tudo o que eu sabia fazer e tudo o que eu gosto de fazer. E deu certo”, disse Giovanna Grossi logo após receber o prêmio, ainda aturdida com a notícia.

Giovanna, que se formou em gastronomia na Anhembi Morumbi e depois fez curso no Institut Paul Bocuse, ressalta a importância da cozinha francesa na sua formação. “Cozinha clássica francesa é a base de tudo. Se você não sabe a base, é difícil chegar em uma cozinha moderna como a da Espanha.”

Além de levar R$ 10 mil para casa, ela será treinada por Laurent em sua escola, em São Paulo, para as próximas etapas. Em fevereiro do ano que vem, ele disputa a etapa latina, no México. Dos 21 países que irão para a final na França, em 2017, apenas três da América Latina serão escolhidos; quem vencer em Lyon ganha 25 mil euros.

 

A importância do concurso. O Bocuse D’Or foi criado em 1987 pelo lendário chef Paul Bocuse, que completa 90 anos no próximo ano e detém três estrelas Michelin por ininterruptos 50 anos. A competição acontece de dois em dois anos em Lyon dentro do Sirha, que é presidido por seu filho, Jérôme Bocuse.

Para ele, que construiu sua carreira na cozinha nos Estados Unidos, o maior legado do pai é a congregação dos chefs numa classe para defender e divulgar a gastronomia. “Meu pai foi um dos primeiros a defender que os chefs saíssem da cozinha, conversassem com seus clientes, com a mídia. Isso foi há 50 anos. Mas hoje, se você perguntar ao meu pai o que os chefs deveriam fazer, ele iria dizer: ‘Voltem para a cozinha’. Tempos diferentes, discursos diferentes. Os chefs viraram celebridade demais”, disse ele, em entrevista ao Paladar.

Na etapa brasileira, Jérôme veio como presidente de honra do júri, que, além de Alex Atala, teve quatro jurados para o prato de carne e quatro para o prato de peixe. Do lado do peixe, Roberta Sudbrack, Emmanuel Bassoleil, Tsuyoshi Murakami e Didier Labbé. Do lado da carne, Fred Frank, Pascal Jolly, Paolo Lavezzini e André Soares.

Atala, que foi um dos candidatos da seletiva nacional em 1996, falou sobre a importância do Bocuse D’Or para o ramo. “Existe uma fascinação sobre a profissão de cozinheiro e existe um caminho que é este aqui, da competição, de mostrar desenvolvimento técnico e criatividade, que reflete o dia a dia da cozinha. Este evento valoriza não só a figura do chef, mas a profissão do cozinheiro.”

Assim como Laurent, Atala também criticou a falta de investimento do governo brasileiro na área. “O que o governo faz com a gastronomia é uma vergonha. O Brasil precisa acordar. Temos de valorizar nossos patrimônios, nossas diferentes cozinhas, a de luxo, a de rua, a regionalista, tudo. Nós precisamos olhar para dentro da gente.”

 

Fonte: Estadão - Paladar *Para ler na íntegra, visite o Paladar