15/10/2015 - Santa Catarina deve contratar 50% menos funcionários temporários na próxima temporada

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Alta prevista para o turismo não será suficiente para compensar a baixa de outros setores

 

Embora Santa Catarina preveja um aumento de 20% a 30% no número de turistas na temporada de verão 2015/2016, a expectativa para quem busca uma vaga temporária de emprego no comércio durante este período não é tão boa. Levantamento preliminar feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-SC) mostra que os setores devem contratar até 50% menos trabalhadores entre outubro e fevereiro, em comparação com o mesmo período do ano passado.

O turismo é o setor que proporcionalmente mais vai contratar nesta temporada em comparação à de 2013/2014, mas a alta não é suficiente para equilibrar as contratações dos demais.

Somente no comércio, o número de vagas deve ser a metade do registrado na temporada passada, segundo estimativa da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado (FCDL/SC). No ano passado, a entidade contabilizou 16 mil funcionários sazonais. Neste ano, espera 8 mil.

Mesmo pouco estimulante, o cenário catarinense ainda segue à frente do nacional. Segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 88% dos empresários do país não contrataram nem pretendem contratar temporários para a temporada de verão.

No Estado, mesmo a dois meses do fim do ano, as expectativas ainda são pouco precisas e baseiam-se na percepção dos comerciantes e empresários, uma vez que há ainda poucas contratações já realizadas. Mas o sentimento é parecido: com instabilidade econômica e desemprego, as compras de fim de ano devem ter um resultado aquém do ano passado.

— Toda a movimentação está sendo afetada diretamente pelo aumento na taxa de juros, pela redução no acesso ao crédito (que é fundamental para o comércio) e pela inflação elevada, que tem reduzido bastante o poder de compra da população — opina Luciano Córdova, analista econômico da Fecomércio-SC.

A retração no volume de vendas afeta não apenas a contratação sazonal, mas também a efetivação de funcionários pós-temporada. De acordo com a Fecomércio, tradicionalmente 20% por cento dos temporários acabam efetivados depois do verão. Para 2016, entretanto, esse número deve cair para 15%.

 

Câmbio ajuda a atrair visitantes

Diretor-presidente do sindicato dos empregados temporários de SC (Sineecatt), Valmor Belegante estranha quando é questionado pela reportagem sobre as perspectivas de contratações temporárias na temporada.

— Contratações? Está tudo congelado, a probabilidade maior é que ocorram demissões, reduções da jornada ou férias coletivas logo após o pico da temporada (Natal e Ano-Novo). Basta circular no feriado e ver quantos estabelecimentos ficarão abertos, como ocorreu nos anos anteriores.

Já o diretor do Federação dos Trabalhadores no Comércio em SC (Fecesc), Ivo Castanheira, é um pouco mais otimista: espera que o poder de compra dos argentinos dê o gás extra que os lojistas catarinenses precisam no verão — mesmo que não seja o suficiente para "salvar" a temporada. Ele ressalta que, independente do resultado, as contratações devem se manter dentro da lei e sem diferenças expressivas quando comparadas aos rendimentos de funcionários fixos.

— Mesmo arrecadando pouco, o que é pago ao temporário não pode destoar do valor no mercado. Senão o empregador não consegue ninguém — aponta.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em SC (Abrasel), Fabio Queiroz, o câmbio alto deve ajudar a impulsionar o turismo dentro do país _ além de tornar Santa Catarina mais atrativa para visitantes do exterior. Como a maioria dos empresários enxugou as equipes durante o ano, vai precisar reforçá-las novamente para o verão. A estimativa é de 10 mil vagas temporárias no setor no Litoral de SC.

— Por mais que estejamos em um ano de crise, a temporada será muito forte. Com isso, a contratação para o verão deve ficar no mesmo patamar do ano passado — diz Queiroz.

O cenário deve afetar também a efetivação de funcionários. De acordo com a Fecomércio, o percentual após o verão deve cair de 20% para 15% em 2016.

 

Fonte: Diário Catarinense